Cadastre-se no site

Cadastre-se e fique informado em primeira mão sobre os principais acontecimentos da Assessoria Agropecuária
Porto Alegre, 20/11/2019

Redes sociais

Agendade eventos

Últimosartigos

O ANGUS NOS ESTADOS UNIDOS: sempre aprendendo com a nossa maior fonte de genética.

Genética | 01 de Julho de 2012
(Julho, 2012)
Saudações.

Tive a oportunidade de participar de mais uma gira visitando rebanhos de Angus no EUA. Desta vez integrei o CRI BEEF TOUR e visitamos criadores nos estados de Iowa, Dakota do Sul, Dakota do Norte e Montana. Cruzamos o centro do cinturão do milho e fomos até o norte do país.

Não há como contestar que os EUA é o país mais importante na seleção do Angus no mundo e que nos abastecemos diretamente ou indiretamente desta genética. Usando reprodutores Brasileiros, Argentinos, Australianos ou Canandenses identificaremos influência de genética americana.  Desta forma, o selecionador americano se posiciona como real provedor de genética, e nós Brasileiros, Argentinos e Uruguaios somos quase que na totalidade usuários e multiplicadores deste produto. Aí reside uma grande diferença em termos de seleção animal e de negócios.

A seleção de reprodutores nos EUA sempre teve sua força e consistência em programas objetivos e no uso intensivo de dados (índices de rebanho, DEPs, ultrassonografia de carcaça e mais recentemente dados de eficiência alimentar e marcadores moleculares). Esta regra segue valendo e é muito positiva, pois assim temos reprodutores que são consequência de critérios técnicos e objetivos, porém noto que o bom e velho  ̎tipo ̎ passou a ter mais importância e quem demandou isto foi o mercado. Assim como ocorre no Brasil, a discussão e falta de consenso se o melhor método é a seleção por dados ou por tipo é um assunto frequente e sem consenso entre os criadores. Alguns mais pragmáticos e científicos defendem que o tipo será consequência da seleção por eficiência. Outros mais conservadores (mas não menos exitosos) defendem que o tipo deve ser protegido pela mão humana. Parece-me que o meio do caminho e a combinação de tipo e dados sejam a melhor alternativa e alguns criadores lá estão assim trabalhando. No Brasil, identifico excesso de valorização para o tipo e muitos bons animais sendo subutilizados por não terem a tal pureza racial buscada. Talvez (provavelmente) esteja ocorrendo confusão entre tipo animal e características menos relevantes consideradas de padrão racial. Este assunto merece um outro artigo!

De forma simplificada identifiquei como alguns pilares e diferencias da seleção americana o seguinte: a) clareza de objetivos e continuidade disciplinada nos programas de seleção, b) uso intensivo de touros próprios, c) valorização e mensuração objetiva da eficiência das mães, d) investimento pesado em touros pais, e) sistema mais intensivo de produção que acelera os ganhos genéticos; d) informações transparentes, objetivas e disponíveis sobre a genética dos animais aos clientes.

A oferta de novos touros ou animais da moda é cada vez maior e é um fato em qualquer país. O bom selecionador se deixa seduzir pouco por estes modismos e persiste em seu programa de seleção buscando seus objetivos e de acordo com seus critérios técnicos. Notei claramente que muitos criadores americanos estão alinhados com este princípio e aí temos uma lição e um diferencial.

O uso de touros próprios (crioulos como dizemos) é algo que se vê repetidamente em todos os rebanhos visitados. Esta situação que é vista como atraso por alguns selecionadores no Brasil é a demonstração de que o criador acredita no seu programa de seleção e que este busca aumentar a concentração dos genes resultantes de seu trabalho no rebanho. É comum ver nos plantéis americanos o uso de inseminação com um touro e depois o repasse do gado com o mesmo reprodutor. Assim, maximiza-se a produção deste animal e acelera-se a obtenção de informações de progênie. Secundariamente (mas não menos importante) fortalece-se o afixo daquela criação e retém-se valor na operação. Atualmente transferimos muito valor de nossas operações para terceiros (pense nisso).

A base de fêmeas nos plantéis é outro item fundamental e distinto nos rebanhos que visitamos. As melhores mães são selecionadas objetivamente pela avaliação genética americana e denominadas Pathfinder. Resumidamente, estas são fêmeas com no mínimo 3 produtos acima da média da raça para Índice de Peso ao desmama (mínimo 105) e com reprodução regular. Assim são valorizadas fêmeas com eficiência reprodutiva e capacidade leiteira para desmamar um terneiro do lote ponta. Com esta identificação contínua de mães superiores desde 1978 o americano vem construindo um eficiente rebanho de cria.  Muitos bons touros em centrais de inseminação (como diversos que vimos nos criadores e na central da CRI) têm várias gerações de vacas Pathfinder, garantindo assim a consistência genética de sua linha materna. Estas fêmeas são identificadas no registro genealógico e nos catálogos de leilões com um #. Fácil, prático e transparente.

O investimento de altos valores em touros para uso nos rebanhos puros foi outro diferencial importante que notei. Nos deparamos com vários touros em serviço que foram adquiridos pelo preço de 5 a 10 vezes o valor de um bom touro comercial. Esta situação demonstra a real preocupação e atenção que o selecionador americano dá para a genética que usa e de certa forma fortalece muito o negócio de genética por lá.  Visitamos rebanhos conduzidos pela próprias famílias e estes sendo a receita principal (ou única) destas pessoas. Logo, o valor elevado de touros pais de plantel não é um artificialismo de mercado feito por investidores ou novos pecuaristas, mas sim a realidade daquele mercado. 

Nos EUA praticamente a totalidade das operações trabalha com pecuária 1 ano, ou seja, fêmeas que entram em reprodução aos 12 meses e machos vendidos para abate ou reprodução com 12 meses ou pouco mais. Esta situação leva a um sistema que exige mais da genética dos animais, porém onde os ganhos aparecem mais rapidamente, pois o intervalo entre gerações é bem menor que o realizado por nós.

A relação dos produtores de genética com seus clientes é bastante madura e transparente. Os dados técnicos publicados nos catálogos de leilões são bem compreendidos pelos produtores e o posicionamento dos animais conforme o seu rankeamento na raça para tal característica também é um facilitador (ex: TOP 1% para Peso ao Nascer, TOP 5% para Leite, etc). Um exemplo simples e prático que vimos num rebanho em Montana foi a identificação dos touros de venda com duas cores de brinco: amarelos para touros com facilidade de parto e brincos brancos para touros sem facilidade de parto, mas com alto ganho de peso. Assim oferece-se um serviço simples de orientação ao cliente.

A genética americana é criticada por muitos criadores no Brasil por considerarem que há excesso de alimentação em comparação a nossa realidade e porque os animais são considerados grandes. De fato, em todos os lugares que visitamos o gado estava em boa ou ótima condição corporal e é reservado muito alimento para os períodos de neve ou falta de pastagem. Aí vêm as reflexões: seleção se faz dando condições de desempenho aos animais ou com restrição alimentar? Conseguiremos identificar as diferenças genéticas dando condições de saúde ao gado e onde as vacas produzem leite ou em condições de períodos (longos) de fome? Em relação ao tamanho do gado (ou frame) também ocorre a crítica de que os animais são demasiados grandes, mas estes são mesmo tão grandes ou crescem porque não sofrem restrição alimentar como os nossos?

A visita ao Schaff Angus Valley (afixo SAV) foi um capítulo a parte de nossa viagem. Este rebanho se tornou nos últimos anos o mais importante e influente do mundo Angus. Hoje, inquestionavelmente, este é a genética mais usada entre os criadores de gado puro e a sua genética tem alcançando muitos países via inseminação ou através de touros desta origem. O rebanho de fato impressiona muito quem gosta de bom gado, se encontra muita padronização e fêmeas com tipo muito definido da marca SAV: compridas, femininas, volumosas, de bons úberes e aprumos corretos. Em fevereiro de 2012 ocorreu o 109° leilão desta fazenda e foram vendidos 440 touros Angus com média de 12 mil dólares. Parece que o trabalho está sendo bem feito.  

Fernando Furtado Velloso
Médico Veterinário (CRMV RS 7238)
Inspetor Técnico – Associação Brasileira de Angus
Sócio da Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

(Julho, 2012)

Maisartigos

  • Anguistas e branguistas: é passada a hora do marmoreio

    Genética, Informação | 18 de Novembro de 2019
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Por Fernando Furtado Velloso
    Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

    A essa altura do campeonato da carne de qualidade no Brasil, zero novidade falar em marmoreio. Mas, para os selecionadores, especialmente das raças Angus e Brangus, é o momento de olhar e agir com mais atenção para animais superiores genetica...
  • Aliança Braford faz R$ 8,3 mil para touros em Lavras do Sul

    Informação | 27 de Outubro de 2019
    Foto: Katega Vaz
    Dando continuidade aos remates oficializados pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), foi realizado no último sábado, dia 19 de outubro, no Sindicato Rural de Lavras do Sul (RS), mais uma edição do Remate Aliança Braford, promovido pelas Estâncias Cochilhas, Pontezuela, Três Marias e São Bento. ...
  • Touros: do Colonial ao Genômico

    Genética, Informação | 15 de Outubro de 2019
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Por Fernando Furtado Velloso
    Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

    Redigo, hoje, influenciado pela atmosfera da temporada de primavera do Rio Grande do Sul, pois já foi dada alargada e ainda estou envolvido com acertos, fretes e documentos de alguns touros adquiridos para clientes no leilão da GAP Genética. R...
  • Genética Nacional: Panorama dos touros Angus e Brangus nas centrais de inseminação

    Genética, Informação, Mercado | 16 de Setembro de 2019
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Angus, Nelore e Brangus dominam o mercado de inseminação de bovinos de corte no Brasil. Exagero? Vamos aos números. Conforme a ASBIA, em 2018, as raças de corte venderam, no Brasil, aproximadamente, 9,6 milhões de doses. Da raça Angus, 4,9 milhões de doses foram vendidas; seguida por Nelore, com 3,3 milhões; e Br...
  • Touro Dupla Marca é a geladeira com selo A

    Genética, Informação | 15 de Agosto de 2019
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Redigir e discutir critérios de escolha de touros é tema que se repete, mas é matéria sem fim e que se renova a cada temporada de leilões de reprodutores e aquisição de sêmen. A necessidade se apresenta a cada ano, e os fatores que participam da decisão vão se tornando mais complexos com a incorporação cresce...

Nossosparceiros

Nossosclientes

Redes sociais