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Vamos perder para a Índia? (Folha do Sul, Bagé)

Informação | 30 de Janeiro de 2013
Por mais incrível que pareça, as previsões do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) indicam que em 2013 perderemos a liderança no mercado internacional de carne vermelha para a Índia. Isto mesmo, para a Índia!
Assim como o Brasil ingressou de forma muito rápida no mercado de carnes nos últimos 10 anos, agora a bola da vez é a Índia. Para 2013, é esperado que este país participe com 25% de toda carne exportada no mundo, correspondendo a 2,16 milhões de toneladas. O Brasil deve disputar a segunda posição com a Austrália com algo em torno de 15% do mercado. Os Estados Unidos estão em contínua redução de produção de carne, mas devem seguir entre os quatro maiores exportadores do mundo (Índia, Brasil, Austrália e Estados Unidos).

A potência da Índia vem da oferta de carne com baixo custo (barata) e da capacidade de fornecer produto halal (abate religioso para os países árabes). Com rebanho de 330 milhões de cabeças (bovinos e bubalinos) é fácil ter ideia do estrago que este país pode fazer em nosso negócio. A eficiência da produção de carne e as taxas de abate (desfrute) são baixas e assim é grande é o potencial deles crescerem mesmo sem aumento no rebanho.  Por hora, os destinos da carne indiana são somente os de baixa qualidade, como Ásia e Oriente Médio, mas são também alguns dos mercados que o Brasil opera. Pelo visto, produzir cada vez mais e mais carne barata pode não ser mais a saída para a carne brasileira.

Trago essas informações para que sirvam como provocações ao nosso setor. No mercado globalizado que atuamos não há lugar para comodismo ou zona de conforto. Não há jogo vencido antes dos 90 minutos. O caso Índia tem de nos fazer pensar o nosso negócio de forma diferente. Temos que tentar nos colocar na posição que o americano ou australiano colocaram-se faz 15 anos quando o Brasil começou a figurar no mercado da carne. Naquele período estes países devem ter montado estratégias para seguirem se diferenciando dos emergentes, com sanidade qualificada, produto qualificado, marketing qualificado e por aí vai. Pelo menos, temos os cases deles para usarmos como base para nosso trabalho. Mas, temos que arregaçar as mangas já, pois não é uma possibilidade para o futuro, mas uma situação real: temos sim um competidor que já afeta muito nosso negócio Carne.

(Publicado no Jornal Folha do Sul - Bagé, 30 jan 2013)

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