Cadastre-se no site

Cadastre-se e fique informado em primeira mão sobre os principais acontecimentos da Assessoria Agropecuária
Porto Alegre, 16/02/2019

Redes sociais

Agendade eventos

Últimosartigos

Cartão vermelho aos prepúcios - Parte I

Reprodução | 14 de Dezembro de 2013
Pedro Gonzalez Brasil, Médico Veterinário
Técnico Licenciado pela ABHB

Paradoxalmente inicio este artigo essencialmente técnico, com um dito popular: quem avisa amigo é!
Em meu currículo profissional, tive a honra de julgar, em seu auge, a raça Santa Gertrudes, em Esteio, Ribeirão Preto e Recife, convites estes advindos da procura daqueles criadores pelas normas e orientações técnicas de seleção por fertilidade, que pioneiramente, como sempre, nossa Associação Brasileira de Hereford (ainda não constava o Braford) determinava a tatuagem de ventres com prenhez ou cria ao pé e touros com atestado de fertilidade.

Nestes parâmetros de seleção por fertilidade, preocupava-nos a correção dos prepúcios, pois era comum encontrar touros com cirurgia de redução do prepúcio, espero que não estejamos indo no mesmo caminho...

“Alguns” de nossos jurados estão tendo o critério de penalizar animais com excesso de prepúcio, por si só, isso já é um sinal de alerta.
Infelizmente estamos absorvendo o palavrear dos países vizinhos:

- que o prepúcio não deve ultrapassar a linha do jarrete.
- que o importante é que o maneje bem
- que o importante é a angulação (45°)
- que o importante é a boca prepucial para frente.

Aparentemente, animais com mais barbela e prepúcio, são mais vistosos e carniceiros. Não esqueçam que o olho engana muito e que a zootecnia é mais ciência do que dom ou arte.
Para mim, como veterinário, prepúcio próximo à linha do jarrete (3-4) já é problema, é um risco de vida útil e funcional deste reprodutor, pois uma coisa é coletar um touro em central de Inseminação Artificial, onde a mão do veterinário ajuda a introdução na vagina, bem distinto do touro em serviço de monta a campo, pior em campos sujos.

Transcrevo as palavras do senhor Marcelo Silva, respeitado leiloeiro e grande conhecedor de touros: se queres vender touros no Brasil Central, não leve touros com qualquer vestígio de peleje e nunca prepúcio mais de 2, pois com o calor o prepúcio distende e ninguém irá comprá-los. Sábias palavras, que tenho como conhecimento técnico.

Encontramos na Revista Braford da Argentina, n° 65, página 56, trabalho científico (INTA MERCEDES), sob o título La Importancia Funcional Del Prepucio em Toros Braford: el tamaño y forma del prepucio afecta directamente el numero de saltos necessários para completar uma monta.

Assim a conclusão é que para cada ponto de prepúcio, o touro necessita um salto e meio a mais para completar a monta, pelo que touros com prepúcio maior de 3, devem ser descartados.

As notas para Tamanho de umbigo são de 1 a 5.
 
Escores Descrição
1 Correto
2 Bom
3 Regular
4 Admissível
5 Inaceitável
 
 

Como profissionais ou homens de campo, todos estamos acostumados a ver que primeiro o touro leva algum tempo de excitação antes de tentar o salto, que normalmente não se faz completo no primeiro salto, principalmente se em primiperas, mas sim no segundo ou terceiro salto. Portanto é contundente o fato de que touros prepúcios 3 a 4, necessitando 1,5 salto a mais para cada grau de prepúcio, necessitam de vários saltos para completar o serviço, com o consequente prematuro esgotamento físico, com grande impacto negativo nos índices de reprodução.

Como então encontrarmos tantos touros prepuciudos? Inclusive campeões? E em centrais de IA?
Os conceitos de Bonsma sobre anatomia e fisiologia da reprodução aplicadas na seleção zootécnica serão eternos, como a Sagrada Bíblia.
Não podemos perder o diferencial do nosso Braford brasileiro, entrando no jogo de aumentar os prepúcios para obter mais carne, com os consequentes e inevitáveis problemas de reprodução.
Espero jamais escutar de um técnico ou criador brasileiro, o que escutei recentemente de um jovem técnico argentino (colegas e amigos que lá tenho). Dr. Pedro, será possível reverter esta situação? Pelo que lhe respondi: os animais não têm culpa de nossos erros de seleção. Primeiro temos de começar pelo homem, principalmente por vocês, jovens profissionais...

Publicado no informativo Pampa Pampiano (Ed. XII, Novembro 2013)

Maisartigos

  • Mitos e verdades do cruzamento (Por B. Lynn Gordon, Beef Magazine)

    Informação | 26 de Janeiro de 2019
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Os Cruzamentos e a heterose resultante têm sido utilizados por gerações. Mas ainda restam discussões.

    Há sempre muita discussão e debate na pecuária de corte sobre o cruzamento. Dois pesquisadores da Universidade Estadual do Kansas se uniram para responder a algumas das perguntas mais comuns que os pecuaristas faz...
  • Idade da vaca e produtividade (Quando ela está velha demais?) - Derrel Peel (Oklahoma University, EUA)

    Informação | 16 de Janeiro de 2019
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Outubro é tradicionalmente época de desmame dos bezerros e o descarte de vacas para a temporada de parição na primavera nos EUA. No momento de descarte de matrizes os criadores enfrentam decisões difíceis. O descarte ótimo no rebanho requer uma bola de cristal afiada que poderia ver o futuro.

    Se o regime de chuvas...
  • Carne gaúcha: uma trajetória de terra, campo e gente (Por Roberto Grecellé - SEBRAE)

    Informação | 14 de Janeiro de 2019
    Foto: Divulgação/Assessoria
    O dia a dia da pecuária de corte brasileira tem sido em favor da qualidade da carne produzida. Nas fazendas e nas indústrias, seja pelo zelo, pelos investimentos ou pelo aperfeiçoamento nos processos produtivos, os atores desta cadeia se empenham em produzir a cada dia uma carne de qualidade superior. Sim, é possíve...
  • Pecuária de corte: uma opinião para o novo governo

    Informação | 13 de Janeiro de 2019
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Por Júlio Barcellos, Prof. Titular, Fac. de Agronomia – NESPro/UFRGS

    Numa análise mais crítica, é preciso entender que desde que surgiu a palavra agronegócio em nosso vocabulário, é afirmado que em todas as suas dimensões só ocorrem “maravilhas”. O que é um profundo equívoco, quase viciado, de quem defe...
  • Comunicação como insumo fundamental para o agro

    Informação, Mercado | 11 de Janeiro de 2019
    Foto: AgroEffective
    Nestor Tipa Júnior
    Jornalista e pós graduado em Marketing no Agronegócio. Sócio-diretor da AgroEffective A agropecuária faz parte de um dos setores mais sensíveis à críticas e informações prejudiciais no Brasil. A opinião pública, por vezes, é severa nas cobranças aos produtores rurais e agroindústrias. Ba...

Nossosparceiros

Nossosclientes

Redes sociais