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Prenhez? Ainda é tempo

Reprodução | 26 de Dezembro de 2014

Prof. Lobato

Foto: Divulgação/Assessoria

José Fernando Piva Lobato*
 

Transcorre a temporada reprodutiva 2014/15. Em que pese a maravilhosa primavera, tem você vacas com condição inferior a 3? Tenho visto inúmeras. Se, infelizmente sim, mexa-se, se quiser desmamar terneiros em 2016 ou ter novilhos gordos em 2017/18!

Creio estar fazendo 40 anos do início de pesquisas com rodeios de cria. No entanto, dados da Secretaria da Agricultura mostram que passamos de aproximadamente de 44 (1972) para 56 terneiros por cem vacas em 2014.

Assim, é natural que no Rio Grande do Sul, como no Brasil – Mato Grosso tinha 61 terneiros por cem vacas em 2013 – “faltem” novilhos, o boi gordo esteja valendo bem e tenha motivado os leilões de touros. Por sinal, menos touros do que o necessário ao número de vacas em cria. Há muito “boi” servindo vacas. Há produtores usando o seu “melhor” terneiro. Depois, sendo você invernador, deparamo-nos com incógnitas raciais.

O bom consumo interno, associado às vendas ao Exterior, tornando o Brasil o mais importante fornecedor mundial de carne de animais criados e terminados a pasto, permite prever preços mais elevados nos próximos anos ao setor produtivo. Perspectiva de mercado assegurado é a primeira justificativa para querer ainda emprenhar as vacas até janeiro/fevereiro próximos. Necessidade básica para querer e poder vender terneiros em 2016, ou novilhos gordos em 2017/18, independente dos preços lá vigentes a serem recebidos. Ou o produtor continuará tendo vacas ocupando espaço, com seus custos, sem ter o seu produto? Não só o terneiro, futuro novilho, mas também novilhas de reposição em número suficiente para forte pressão de seleção, para que tenhamos de fato vacas, mães de bons terneiros.

Sendo a média 56 terneiros por cem vacas, imagine retirar os produtores acima dessa. Qual a média dos demais? Continuarão estes com vacas ocupando espaço, com seus custos, sem ter produto? Não só terneiros, mas também novilhas suficientes para selecioná-las e termos de fato mães de melhores terneiros?

Há situações em qualquer tamanho de pecuarista em que estão deixando acontecer. Continua a lotação exagerada nos rodeios de cria, sem respeitar a capacidade de suporte das pastagens naturais. Justamente quando se preocupam com boas práticas de manejo, está no discurso inclusive dos leigos o bem estar, continua a fome nos rodeios de cria. Isto é “mal estar” animal. A média confirma.

Se existe espaço para continuar aprimorando os indicadores dos pecuaristas acima da média, é possível pensar o trabalho persuasivo, psicológico talvez, convincente, a ser feito com os que estão abaixo. São os necessitados, provavelmente não leitores de jornais ou internet. Inatingíveis? O tempo urge. É tempo de atitudes para prenhar as vacas e termos novilhos gordos e melhores novilhas em 2017/18!

*Professor do Dep. de Zootecnia da Faculdade de Agronomia da UFRGS

Artigo publicado no Caderno Campo & Lavoura (23/12/2014) 


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