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Artigo - Conhecer a cadeia da carne americana: um curso intensivo

Informação | 19 de Setembro de 2015

Por Marcelo Selistre, gerente de Produto Corte Europeu da ABS Pecplan

Conhecer a cadeia da carne dos Estados Unidos é um verdadeiro curso intensivo de pecuária que recomendo a todos os pecuaristas e envolvidos no setor, especialmente àqueles que têm vontade de fazer mais do que o comum. Este é o principal propósito do Beef Tour ABS Pecplan.

Todos os anos, procuramos apresentar toda a cadeia da carne. Mostramos fazendas de seleção genética, rebanhos comerciais, central de coleta de sêmen, associações de raça, programas de carne, entidades de pesquisa (como universidades), confinamentos, frigoríficos e até mesmo a boutique de carne. Rodamos todas as regiões de importância pecuária
dos Estados Unidos.

Obviamente, temos que levar em consideração o que é possível colocar em prática dentro da realidade de cada um. Precisamos ser críticos, usar o bom senso e selecionar o que podemos aproveitar. Mas gostaria de discutir alguns fatos e conceitos que pude ver e constatar pessoalmente, com foco em seleção genética. 

Primeiramente, o que chama a atenção é que, normalmente, os proprietários “vivem” a sua pecuária: eles que trabalham na fazenda, conhecem suas vacas, dependem diretamente do seu negócio. Isto faz toda a diferença quando analisam o que realmente é importante. Por exemplo, tudo tem que ser muito prático e fácil de fazer, buscando o mínimo de trabalho extra, pois quem terá que realizar esta tarefa é o próprio produtor. Assim funciona para cuidado dos animais: fazer bem feito, de maneira simples e fácil, mas, principalmente, com resultados positivos, com eficiência de produção.


Na prática, não se admite o uso de touros sem facilidade de parto, pois quem irá partejar vacas é o próprio dono. Geneticamente falando, valorizase muito a genética que reduz problemas, ou seja, a vaca deve emprenhar com facilidade, ser fértil, parir sem auxílio, desmamar um bom terneiro, não apresentar problemas de patas e úbere e ter facilidade de mantença, ou seja, não ser exigente para manter condição corporal e, assim, reconceber para seguir no rebanho; longevidade é importante. 

Ao mesmo tempo, o terneiro desmamado deve ter alto desempenho para sair “pronto” o quanto antes. Ele tem que ganhar o máximo de peso no menor tempo possível e precisa apresentar eficiência alimentar, pois o custo da comida impacta muito o negócio. Mais do que isto, a carcaça produzida tem que atender a demanda do mercado de carne de qualidade. O frigorífico quer um contrafilé de alta qualidade (peça mais valorizada e comercializada),  com toda a sua avaliação na Área de Olho de Lombo (AOL). São analisados: tamanho, formato, coloração, 
marmoreio e espessura de gordura externa. 

Veja que várias características acima mencionadas são antagônicas, ou seja, a genética de uma vaca de fácil mantença é bem diferente da genética de alto desempenho que exigimos do seu terneiro. A genética de facilidade de parto, com baixo peso ao nascer, é inversamente proporcional à carcaça grande, pesada que queremos. Uma vaca que
precisa ser eficiente a campo, com fertilidade, é diferente de um animal com alto ganho de peso que desejamos. 

Sabendo disso, os criadores entenderam rapidamente que o único caminho é a avaliação genética, onde encontramos diversos animais que conseguem atender às exigências de características antagônicas. Mais ainda, os criadores acreditam na avaliação genética e utilizam como critério de seleção de suas vacas e touros. A confiabilidade da informação é unânime. Muitos dados são analisados anualmente, por isso que funciona. O americano é muito prático. Quando escolhem o touro a ser utilizado em suas vacas, seja em monta 
natural ou inseminação artificial, com a infinidade de opções encontradas no mercado, o principal critério é a avaliação genética. O produtor busca a genética que entrega as características que ele procura. 

Em 90% das fazendas dos Estados Unidos, o primeiro serviço das novilhas é entre 14 e 15 meses de idade, a taxa de prenhez é acima de 90% e a idade máxima de abate é até os 20 meses. Vaca magra é sinônimo de maus tratos ou revela um animal doente. Aliás, o bem estar animal é realidade, conforme suas instalações e manejo. Olhando para os animais se enxerga saúde e vitalidade. Vaca falhada é descarte. Não há segunda chance, como em muitos casos no Brasil. Beleza animal e padrão racial também são importantes, mas secundários. Os produtores vivem de vender quilos, não de cabeça bonita, inserção de cauda ou simplesmente um animal “bonito”. Produção é mais importante. O conceito de beleza está na funcionalidade do animal.

Por isso, quanto aos números da pecuária americana, existe uma grande evolução da produtividade. A população bovina atual é igual à população da década de 1950, porém a produção de carne é o dobro daquela época. Certamente isto foi conseguido com melhores técnicas de manejo, nutrição e sanidade, mas, fundamentalmente, com melhoramento genético! 

Tdos aqueles que trabalham com seleção genética deveriam conhecer o rebanho americano, entender como são selecionadas as vacas e os touros e como a avaliação genética é utilizada a favor da pecuária como um todo. Sem dúvidas, seria de grande valia para a pecuária brasileira. 

É importante ressaltar que essa genética, que entra em primeiro serviço aos 14/15 meses de idade, produz carcaças acima de 380 quilos, com carne
de qualidade e vacas eficientes a campo. E esta genética está disponível a todos os brasileiros e é massivamente utilizada via inseminação artificial, ou seja, temos potencial para alta produtividade. Uma oportunidade para quem, assim como os americanos, busca incessantemente maior desfrute e maior rentabilidade.


Fonte: ABS News, Setembro/2015





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