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IATF exige maior controle sanitário

Informação, Reprodução | 20 de Dezembro de 2015

Taxa de prenhez em IATF aos 30 dias de gestação (Biogénesis Bago/Portal DBO)

Foto: Divulgação/Assessoria

Estudo aponta aumento de prenhez em grupo de animais vacinados contra BVD, IBR e leptospirose

Os cuidados com o rebanho de bovinos têm de mudar na medida em que os padrões de tecnologia mudam. Com base nesse raciocínio, os veterinários Lucas Souto, gerente de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó, com sede em Curitiba, PR, e Milton Maturana Filho, do Departamento de Reprodução Animal da Universidade de São Paulo (USP) de Pirassununga (SP), alertam para a necessidade de aumento do controle sanitário em fazendas que utilizam como ferramenta reprodutiva a IATF - Inseminação Artificial em Tempo Fixo. “Quando você intensifica um sistema de reprodução, como é o caso da IATF, os bovinos ficam mais suscetíveis a contrair doenças infecto-contagiosas, pois aumenta consideravelmente o contato físico entre eles, sem contar o estresse ocasionado pelo número excessivo de manejo, fator que reduz a imunidade dos animais”, diz o gerente da Biogénesis Bagó, que realizou, com o apoio da USP, um estudo científico que comprova a ocorrência de perdas gestacionais precoces relacionadas a problemas de sanidade em matrizes submetidas à IATF.

A pesquisa, feita no início de 2014, envolveu quatro diferentes fazendas de cria no Mato Grosso do Sul, perfazendo um rebanho total de 1.172 vacas Nelore. A equipe de Lucas Souto foi responsável pelo trabalho prático, que consistiu na aplicação da IATF em matrizes Nelore provenientes das quatro fazendas, escolhidas aleatoriamente e distribuídas em dois grupos: o “vacinado” (584 cabeças) e o “controle” (animais não vacinados/588 cabeças). As vacinações combatem três enfermidades bastante comuns em rebanhos de corte e leite: Diarreia Viral Bovina (BVD), Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR) e Leptospirose.

A tarefa de compilação e avaliação estatísticas dos resultados obtidos a campo ficou a cargo da equipe do veterinário Milton Maturana Filho, da USP de Pirassununga. “A partir dos cruzamentos estatísticos das informações coletadas nas fazendas, conseguimos mostrar que a vacinação é fator determinante para o aumento de prenhez em programas de IATF”, atesta Maturana Filho. Segundo ele, no momento do diagnóstico de gestação, realizado 30 dias depois da inseminação, o grupo de animais vacinados registrou taxa de prenhez de 58,2% (340 animais gestantes entre 584 inseminados), enquanto o grupo de controle teve taxa de 44,7% (263/588), o que representou uma diferença de 13,48 pontos percentuais, ou aumento de 27% (veja gráfico).

Segundo Souto, além das perdas precoces, registrada nas três primeiras semanas após a inseminação, ainda é preciso contabilizar os números de abortos registrados ao longo de todo o período gestacional. “Ainda não possuímos este levantamento completo, pois falta computar todos os dados de nascimento, mas certamente as perdas no grupo de vacas não vacinadas serão bem superiores às registradas no grupo controle”, prevê o veterinário.

O experimento

No início do protocolo de IATF, um grupo de matrizes recebeu as vacinas contra as três enfermidades: BVD, IBR e Leptospirose. Uma segunda dose dessas mesmas vacinas foi aplicada no momento do diagnóstico precoce de gestação, realizado 30 dias depois da inseminação, por meio de ultrassonografia. Por sua vez, o grupo controle recebeu apenas solução salina 0,9%.

Antes do início da IATF, análises laboratoriais realizadas em 3,9% dos animais de cada fazenda apontaram a ocorrência de BVD, IBR e Leptospirose em 78,26%, 95,65% e 10,86%, respectivamente, das amostras de sangue coletadas aleatoriamente. Segundo Souto, estes resultados de sorologia não diferem da realidade de outras fazendas de corte e de leite do Brasil. "Doenças infecto-contagiosas da reprodução animal, como a IBR, BVD e a Leptospirose, estão bastante disseminadas no rebanho nacional", afirma o gerente, que utiliza como referência um banco de dados da própria Biogénesis Bagó, que reúne análises laboratoriais de 55.087 mil amostras de sangue de bovinos de 3.174 fazendas espalhadas pelo Brasil, coletadas no período de 2001 a 2013. "Este nosso levantamento histórico mostra uma prevalência muito alta para esses três agentes nas propriedades brasileiras; acima de 80%, no caso das enfermidades IBR e BVD, e em torno de 55%, no que diz respeito a Leptospirose", afirma Souto, acrescentando que, detectado o quadro de infecção, o vírus se mantém no animal de forma latente, podendo ser reativado e multiplicado em situações de grande desafios e estresse, como é caso do uso de IATF.

Precisão na análise

Os resultados de prenhez em programas de IATF não dependem somente da questão relacionada à sanidade. Além do controle sanitário, é preciso ficar atento a fatores como qualidade do sêmen, experiência do inseminador e a condição corporal das matrizes. No trabalho experimental, procurou-se "isolar" o efeito do tratamento relacionado à sanidade das demais variáveis que determinam os resultados da IATF. Ou seja, todas as vacas inseridas no projeto, vacinadas ou não, foram manejadas pelo mesmo inseminador e receberam material genético idêntico, além de apresentarem escore de condição corporal (ECC) semelhantes. "Isso nos fez ter certeza de que a vacinação foi a única responsável pela diferença de resultados entre os dois grupos", explica Maturana Filho.

Segundo Souto, atualmente apenas 3% do rebanho bovino brasileiro são vacinados contra BVD, IBR e Leptospirose. No caso das duas primeiras enfermidades, o veterinário alerta para a necessidade de aplicação anual das vacinas. Em relação à Leptospirose, diz ele, recomenda-se que se faça no mínimo uma vacinação a cada seis meses. "A utilização de vacinas para a manutenção da sanidade dos rebanhos bovinos é uma ferramenta de fácil aplicação e com ótima relação custo-benefício", salienta Souto, que promete divulgar, no futuro próximo, uma análise completa sobre o estudo em questão, dessa vez com informações relacionadas a ganhos econômicos.

Fonte: Portal DBO 

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