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Mirem-se no exemplo daquelas vacas leiteiras

Informação | 12 de Fevereiro de 2016

Por Fernando Furtado Velloso (Assessoria Agropecuária)

Chico Buarque de Holanda já esteve com melhor popularidade e hoje deixou de ter grande aprovação nas rodas de bares. São coisas da política. Um dos seus sucessos está completando 40 anos: Mulheres de Atenas (1976). Quando a música foi lançada, muitos a criticaram, consideraram defesa do machismo. Não alcançaram a ironia do texto. Apesar de parecerem assuntos sem conexão, vejo nos versos de Chico alguma identificação com a pecuária:

“Mirem-se no exemplo
daquelas mulheres de Atenas:
geram pros seus maridos
os novos filhos de Atenas”.


Atualmente, fala-se muito em “pensar fora da caixa”, benchmark, “quebrar paradigmas”, etc. Pois bem, acredito que o gado e a vaca de leite podem nos trazer várias “sacadas” com utilidade para a pecuária de corte, especialmente aos selecionadores (genética). 

TRUE TYPE – MODELO IDEAL DE VACA

No gado de corte ainda são acaloradas (e sem fim) as discussões da vaca ideal, de como deve ser a grande campeã: o quanto feminina, musculosa, “típica”, estruturada (ossuda), comprida, etc. Todos falam em equilíbrio de características e balanço, mas cada um tem o seu conceito do que é um bovino “equilibrado” e assim as divergências são inevitáveis. Considero essa situação até uma das causadoras do grande enfraquecimento das exposições de bovinos de corte no Brasil.

No gado de leite, naturalmente existem variações na preferência do tipo animal, porém, todos têm conhecimento de como é o modelo ideal da vaca holandesa. Esse modelo é tão bem definido que se materializa em estatueta e quadros para que todos tenham em mente sempre quais características a vaca leiteira deve ter. Essa é a vaca excelente e as grandes campeãs devem se aproximar de sua conformação.

O conhecimento técnico e as necessidades do produtor de leite são dinâmicos e assim é para o modelo do “True Type” também. Em 2012, esse modelo foi atualizado pela última vez, a 127ª Reunião Anual de Negócios da Associação Holstein USA. A vaca da ilustração deste texto foi o True Type atualizado no ano em questão.


CLASSIFICAÇÃO LINEAR

A raça Holandesa tem um sistema já bem antigo de pontuação dos animais em função da morfologia. São mais de 15 características pontuadas para descrever Estrutura, Caráter Leiteiro, Capacidade, Pernas e Pés e Sistema Mamário. Ao final, os animais são classificados em Excelente (90-100), Muito Bom (85 a 89), Bom Mais (80 a 84), Bom (75 a 79), Regular (65 a 74) e Fraco (50 a 64).

O trabalho de classificação linear individualiza qualidades e defeitos, auxilia na seleção de novilhas, integra a prova de touros, valoriza comercialmente os animais e até possibilita a evolução de registro PC para PO. O sistema, além de uniformizar a forma que olhamos os animais, também gera informações para melhoramento genético. Fazendo um paralelo com o gado de corte, creio que não haveria melhor “Curso de Jurado” do que a exaustiva repetição de classificação e comparação de animais. Até mesmo a terminologia técnica passaria a ser mais uniforme na seleção dos animais ou julgamentos de classificação.

CONTROLE LEITEIRO E GESTÃO DE REBANHOS

O melhoramento genético no gado leiteiro avança a passos largos, pois se pode medir a produção (leite) diariamente. De outra parte, as informações de características visuais estão sendo sempre correlacionadas com a produção e vida produtiva dos animais, compreendendo assim que características estão verdadeiramente relacionadas  com melhor reprodução, vida produtiva, produção de leite, produção de sólidos, etc. O Controle Leiteiro e a Gestão de Rebanhos passou a ser um importante serviço das associações de criadores e gado de leite, sendo, em muitos casos, o principal serviço oferecido aos produtores. Em algumas associações, até mesmo a análise de leite (células somáticas, componentes) e testes para doenças reprodutivas e diagnósticos de gestação são oferecidos. O foco passa a ser a produção e a produtividade e em segundo plano está o registro genealógico.

TIPO, AVALIAÇÃO GENÉTICA E GENÔMICA

O gado de leite nos mostra que o tipo animal a ser buscado é uma consequência do que é mais produtivo, adaptado ou longevo. A importância das características visuais e a relação
com produtividade é recalibrada com as informações dos programas de melhoramento genético. A crença nos sumários e nos dados dos animais é tão grande que os catálogos
de inseminação artificial nem apresentam fotos dos touros, mas sim de filhas que representem as suas características. Na área do DNA, o gado de leite saiu na frente também e os
touros jovens são selecionados pela tecnologia dos marcadores moleculares, sendo apelidados de “Touros Genômicos”. Com essa mudança, reduziu-se muito o custo para provar um novo touro e o melhoramento genético ganhou mais velocidade. Mirar-se nos exemplos da vaca leiteira não é uma proposta tão descabida. Temos bastante a aprender com elas e essa escola está ao alcance da mão. Literalmente, ao alcance de um clic no Google. 

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NOTA EXPLICATIVA - ARTIGO “Balcão de Negócios: é safra de touros”

A pedido da Associação Nacional de Criadores - Herd Book Collares (ANC), venho por meio desta informar: 
O artigo intitulado “Balcão de Negócios: é safra de touros”, publicado
nesta revista na edição de Outubro/2015, gerou desconforto para alguns criadores e consequente suspensão de minhas atividades como Inspetor Técnico - raça Angus por 30 dias (11/11/2015 a 10/12/2015). Em função dessa situação, uso este espaço buscando esclarecer as questões a seguir:

a) o propósito do texto não era ofender ou denegrir as entidades envolvidas com o Serviço de Registro Genealógico. Se algumas pessoas entenderam dessa forma peço desculpas, pois não devo ter sido habilidoso o suficiente para redigir adequadamente o parágrafo que gerou esse descontentamento;

b) não direciono a questão à raça ou à entidade específica, mas sim a “reprodutores”, pois os problemas indicados possuem histórico em diferentes raças e até diferentes espécies (bovinos, equinos, ovinos, etc.); 

c) o texto como um todo busca valorizar os bons selecionadores e reprodutores e o parágrafo é somente uma citação a algo que infelizmente ocorre e é um “assunto aberto” entre os criadores. Lamento muito que o texto tenha tido tamanha repercussão negativa, pois eu não imaginava que geraria tal desconforto para alguns criadores e entidades. Terei mais atenção e cautela nas próximas publicações, buscando ao máximo evitar situações dessa natureza e sempre valorizando os bons reprodutores, selecionadores e associações envolvidas.

Atenciosamente,
Fernando Furtado Velloso – Médico Veterinário

* Publicado na Revista AG, Coluna "Do Pasto ao Prato", Edição Fev/2016

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