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As tendências genéticas da nossa pecuária (por Alexandre Zadra, CRI Genética)

Informação | 01 de Abril de 2016

As tendências genéticas da nossa pecuária (por Alexandre Zadra, CRI Genética)

Foto: Divulgação/Assessoria

Utilizando as informações trazidas do campo, quero convidá-lo a uma reflexão sobre as tendências da cria analisadas pelo prisma da genética, em que inexoravelmente abordarei os diversos sistemas de manejo utilizados pelos pecuaristas para que cada um tire suas próprias conclusões.

Antes de iniciar nossa discussão, devemos lembrar que os pobres índices produtivos da bovinocultura de corte brasileira são reflexo, primeiro, da tradição extrativista herdada do nosso antepassado, a qual sempre pregou a cultura da pecuária econômica, em que o criador deveria gastar pouco ou quase nada, colhendo os bezerros na desmama com índices
que nem ele ao certo sabia. 

Há 25 anos trabalhando nas empresas de inseminação artificial vemos que a técnica disparou nos últimos 8 anos através da utilização da Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF), levando muitos criadores que não dispunham de mão de obra treinada a lançar mão dessa ferramenta primorosa, a qual para muitos profissionais e consultores tenha talvez a mesma importância para a pecuária que o trator teve para a agricultura, traduzindose em uma verdadeira revolução no meio. Tenho que citar a IATF para iniciar a discussão sobre as tendências genéticas para nosso rebanho, pois é a partir dela que observamos um aumento significativo do cruzamento, onde pelos cálculos dos produtores, os 30 kg de sobrepeso dos bezerros cruzados desmamados em relação aos não cruzados, custeiam toda a reprodução da fazenda. E ainda, caso os bezerros sejam recriados e engordados na propriedade, perfazendo o ciclo completo, estima-se um lucro ainda maior com o adiantamento de 12 meses no abate dos cruzados em relação ao gado não cruzado.

O que já estamos vivenciando nas grandes fazendas de cria é o aumento do uso de até 2 IATF na mesma vaca ou a chamada “ressincronização” nas matrizes que não emprenhem na 1ª IATF. De acordo com pesquisas recentes, a economia que se consegue com o uso da ressincronização é substancial, visto que nesse caso a quantidade de touros alocados na fazenda para servirem no repasse da IATF cai pela metade. Outro fator que influenciará no direcionamento genético dos rebanhos diz respeito a reposição de matrizes de qualidade, em que uma simples análise de custo mensal por cabeça nos leva a buscar as matrizes mais precoces possíveis, pois se a 1ª cria de uma novilha vier 12 meses antes que outra mais tardia, economizaremos 2@ no custo de produção do bezerro nascido de uma novilha precoce (considerando um custo anual de 2@ por novilha no pasto). 

Analisando pelo âmbito do manejo e seus custos, temos estudos de experientes analistas e consultores demonstrando que o custo fixo da propriedade é o maior peso na conta final de um boi, em que alguns casos tais custos fixos (depreciações, salários, contas fixas) de um animal criado, recriado e abatido na fazenda pode chegar a 60% do custo total, ou seja, quanto mais jovem o animal for para o abate, menor o custo para se criar, aumentando assim o lucro da fazenda dentro da porteira.

Já pelo ângulo da nutrição e disponibilidade de resíduos da agricultura, nos deparamos com uma farta disponibilidade de farelos advindos da avalanche lavourista em todas direções que sinalizaram terras agricultáveis, pois jamais em toda história de nosso país se plantou tanto. Desse modo, veremos possivelmente rações formuladas com preços finais muito atrativos para quem deseja intensificar seu sistema de engorda.

Não poderíamos nos abster de discorrer sobre a carne que compramos, mesmo que o maior consumo seja por carne de panela de baixa qualidade (entende-se por qualidade no Brasil – maciez), devemos considerar sobretudo a inclusão de 40 milhões de brasileiros na classe C, indicando nas pesquisas que um naco do aumento salarial de cada trabalhador dessa classe vira carne vermelha, sendo cortes nobres, aqueles usados para o churrasco semanal. Destrinchando o mercado consumidor com mais detalhe, enxergamos o interessante mercado da alta gastronomia, no qual existe a busca por esta carne fina e macia, frigoríficos criam marcas de carnes, com cortes especiais, que tenham em sua proporção maior grau de raças taurinas, pois pesquisas no mundo todo concluíram que quanto maior o grau de sangue taurino maior a maciez da carne. Tais programas levam a pagamentos de prêmios que chegam a 8% sobre o preço da arroba quando atendem todos os requisitos no abate.

Em vista desses aspectos, se quisermos fazer uma pecuária mais rentável, a tendência para os próximos anos será o direcionamento da seleção do nosso Nelore buscando precocidade e habilidade materna, devendo haver uma busca por “touros maternos” que transmitam essas características e que ainda sejam vendidos com melhores preços apenas os animais geneticamente superiores avaliados em programas de melhoramento. 

Veremos também o aumento do uso da “ressincronização” da IATF a passos largos utilizando sêmen de raças europeias britânicas para que sejam retidas e utilizadas como matrizes, as quais serão expostas a reprodução com 14 meses de idade, produzindo seu primeiro bezerro antes dos 24 meses. Tais matrizes sustentam seus bezerros e desmamam os mesmos sempre mais pesados, pois sua produção de leite é maior que uma vaca não cruzada. Também veremos o aumento da venda de touros taurinos adaptados como Bonsmara, Senepol e Caracu, os quais trabalham muito bem no repasse da IATF, gerando 100% de heterose, bem como geram ao mesmo tempo adaptabilidade, heterose e carcaças com carne de maciez inigualável quando cruzados com as matrizes F1 Angus ou F1 Hereford. Da mesma forma, crescerá a olhos vistos a demanda por touros Braford, Brangus e Canchim, que cobrem muito bem no campo e produzem bezerros com metabolismo ideal para ser terminado no confinamento.

Em consonância com o manejo alimentar mais detalhado e maior tecnologia na técnica do confinamento, a procura por animais de maior metabolismo se fará presente. Dessa forma, haverá uma corrida na direção de animais tricross, devendo no Centro Oeste aumentar o número de superprecoces confinados e precoces recriados na Integração Lavoura
Pecuária (ILP). 

Aliás, quando falamos de matrizes de qualidade, vemos que haverá ainda o aumento na procura da novilha meio sangue Angus ou meio sangue Hereford para engorda e abate, sendo que essa carne apresenta gordura clara, ótima maciez e cobertura de gordura e é vendida por melhores preços a nichos de mercado mais exigentes. Considerada por muitos a rainha da pecuária brasileira” por seus atributos reprodutivos, essa matriz F1 naturalmente precoce e fértil apresenta uma versatilidade inigualável servindo de base para outros programas de produção.

Como se não bastasse, quando pensamos no sistema de produção do superprecoce, animal abatido antes da primeira muda de dentição, a F1 Britânica entra como a base a ser inseminada com outras raças europeias, tais como Simental e Charolês, criando aí o produto tricross com alto metabolismo requerido na engorda do superprecoce, o qual deve ganhar se possível na faixa de 1.800 g ao dia. Devemos nos conscientizar que se queremos fugir dessa ultrapassada realidade de nossa pecuária e dobrar a produção de carne na mesma área, não há outro caminho que não seja manter as vacas no pasto melhorando-as paulatinamente através da seleção e utilizando-as no cruzamento industrial com raças maternas para, assim, produzir os excepcionais tricross que deverão ser confinados, seja após uma pequena recria nas áreas de Integração Lavoura Pecuária, ou mesmo confinados tão logo sejam desmamados.


Fonte: CRI Genética, por Alexandre Zadra - Supervisor de Vendas, Março/2016

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