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Pressão de seleção: quantos machos tornam-se touros

Informação | 09 de Novembro de 2016

Pressão de seleção: quantos machos tornam-se touros

Foto: Divulgação/Assessoria

Por Fernando Furtado Velloso 
Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

Reprodutores é um dos meus assuntos favoritos, e volto à importância de que o rebanho de origem do touro é um dos pontos-chaves. Tomada a decisão da raça do touro a ser usada, a próxima etapa é buscar conhecer bons fornecedores desses touros, pois a origem dos animais dirá muito sobre eles: o sistema de produção (intensivo ou extensivo, parecido ou distante do meu) e o sistema de seleção (priorizando quais características e com critérios exigentes ou mais flexíveis na definição dos animais que vão para o mercado). Dedicarei este texto para revisarmos questões relativas à tão falada “pressão de seleção” de um rebanho, ou seja, que quantidade de machos nascidos tornam-se touros para comercialização. Essa informação pode nos falar muito sobre o perfil do selecionador e do produto final.

A maioria dos rebanhos participantes dos programas de melhoramento exerce algum grau de pressão de seleção sobre os machos selecionados para touros, retendo 75%, 50%, 25%, etc. Naturalmente que, quanto menor o % retido, maior é a pressão de seleção e o rigor na aprovação de animais para venda como touros. Se usados critérios técnicos bem estabelecidos como ponto de corte, o grupo resultante será de bons animais geneticamente. O modelo mais usual é realizar uma primeira seleção ao desmame e uma segunda ao ano ou sobreano (sistemas menos intensivos). Usando os relatórios dos programas de avaliação genética (DEPs e Índices) para que em cada fase fiquem somente os animais positivos, teremos no grupo final aproximadamente 25-30% dos machos nascidos e praticamente todos serão de animais superiores geneticamente, com índices positivos e enquadrados nos critérios para Dupla Marca ou Ceip (Certificado Especial de Identificação e Produção). As associações de raça identificam os animais superiores na avaliação genética como “Dupla Marca” (Angus com CACA e PP, Hereford com HH e PP, Braford com BB, etc.). Em alguns programas independentes, é conferido pelo Mapa a esses animais o Ceip, atestando e diferenciando os animais com desempenho superior. Usualmente estão nesse grupo (Dupla Marca/Ceip) os animais DECA 1 a 4 para Índice Final, equivalente ao grupo Top 40%. Existem pequenas variações entre as raças, mas o conceito é basicamente esse.

O sistema de seleção (que corta animais em fases pré-definidas) é um diferencial entre os produtores de touros no Brasil, mas também é um diferencial de nosso sistema de seleção em relação a outros países. Importantes produtores de genética como EUA, Canadá e Europa não usam esse processo e praticamente retém todos os machos nascidos para touros, ou seja, somente são descartados os monorquidas, hipoplásicos ou outras situações similares e extremas, ficando para touros mais de 90% dos machos nascidos. Animais de baixo desempenho em crescimento (negativos) são comercializados como touros, mas informados como tal (baixos índices e DEPs para Peso Desmame, Peso Ano, etc.). Alguns compradores os elegem por buscarem características específicas (Facilidade de Parto, Marmoreio, Leite, etc.) ou por optarem por animais de menor custo de aquisição. Dessa forma, temos no Brasil uma grande oportunidade disponível em poder buscar no mercado produtores que exercem boa pressão de seleção em seus programas e oferecem animais que podem trazer grande contribuição em produtividade para o usuário.

Para que o selecionador possa exercer boa pressão de seleção em seu programa são necessários volume (número de matrizes), convicção e um sistema integrado com produção de animais comerciais (venda de bezerros ou novilhos para abate). Os 60 a 80% dos machos descartados no programa genético serão comercializados no desmame ou no abate. O desempenho dos animais na recria, engorde e abate é uma grande informação acerca da qualidade genética do rebanho, pois alto ganho de peso, facilidade de engorde e boa qualidade de carcaça (peso, rendimento, conformação, cobertura de gordura, etc.) demonstrarão e comprovarão o tipo de animal que os reprodutores são capazes de produzir. Produtores de reprodutores inseridos na produção de carne têm melhor compreensão das necessidades de seus clientes de touros e fazem os ajustes em genética antes e mais rapidamente que os concorrentes, pois vivem as dificuldades e mudanças do mercado igualmente aos seus clientes. De outra parte, esse perfil de criador usa um bom número de seus touros jovens (de 1 ou 2 anos) no entoure ou repasse do gado de cria. Vive os eventuais problemas enfrentados pelos reprodutores (cascos, aprumos, lesões, etc.) e oferece ao mercado touros que já trabalharam e mais experientes.

Nos diversos leilões de reprodutores nos quais participamos ou trabalhamos fica evidente a procura e preferência por touros Dupla Marca ou Ceip, demonstrando que essa informação já chegou nos pecuaristas e que eles a consideram seriamente em suas escolhas. Faz sentido, se posso comprar um touro identificado como superior em desempenho, por que optarei por um médio ou negativo? Dentro do grupo dos animais Dupla Marca também se observa a valorização superior dos animais com índices superiores, especialmente para ganho de peso (DEP Desmame e Final).

Uma recomendação prática que podemos concluir é buscar conhecer o sistema de seleção do fornecedor de touros e que pressão de seleção é aplicada na seleção de machos. Em um rebanho com 100 matrizes e com venda de 40 touros por ano não espere grande pressão de seleção. Não é possível. Alguns poderão fazer isso com programas de TE que ampliam o número de nascimentos, mas essa situação não é mais rotineira.

Os selecionadores de animais para exposição de elite/argola não concordarão com o raciocínio deste texto, pois estão empenhados em buscar animais com bom visual, conformação, tipo, biotipo, etc. Os programas de avaliação genética não se aplicam bem ao sistema de produção desses animais (com manejo e alimentação individualizados). Da mesma forma, aqueles que comercializam reprodutores somente registrados e “sem avaliação” também não compartilharão da forma de pensar exposta aqui, pois não se enquadram nela.

Já diz o próprio nome “selecionador” que é necessário identificar e multiplicar os animais considerados melhores. Não vejo melhor forma de identificar os melhores animais do que os dados dos programas de melhoramento genético e o índices internos da propriedade, ou seja, indicadores técnicos para a tomada de decisão. Nem abordei aqui a pressão de seleção necessária para a escolha das fêmeas de reposição do plantel. Merece um artigo e discussão à parte.

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Novembro 2016)

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    Suporte Técnico:
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    José Pedro - 051 9 8244 2631

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