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Entrevista: GAP Genética - O maior vendedor de taurinos do Brasil (João Paulo Schneider da Silva)

Entrevista, Genética, Informação, TOP 100 2017 | 17 de Junho de 2017

A GAP Genética é a primeira colocada entre as raças taurinas no TOP 100 - Os maiores vendedores de touros do Brasil.  

O Diretor Comercial da GAP, João Paulo Schneider da Silva, também conhecido por Kaju, no meio pecuário, conta como a propriedade alcançou a marca de 731 touros comercializados no último ano e um pouco sobre os 100 anos da propriedade.

Revista AG - Vocês são os líde
res do TOP 100 – Taurinos novamente. Você considera importante figurar neste ranking?
Kaju - Sim, pois estar à frente nesse levantamento criterioso traz,  obviamente, visibilidade à empresa. Entretanto, o fundamental não é o quantitativo e sim o qualitativo, no qual o termômetro do nosso trabalho é o julgamento por parte dos usuários da genética GAP. São os pecuaristas comerciais que direcionam nossas ações. 

Revista AG - Aliás, como está a demanda de touros melhoradores no Brasil? Houve aumento substancial?
Kaju - Não temos um número exato, mas observamos uma guina-da na busca de genética de dados (avaliação genética). As próprias centrais de inseminação artificial mudaram seu foco, contratando, preferencialmente, touros com provas de performance em detrimento dos campeões de exposições. Achamos um caminho irreversível e quem ganha com isso é a própria pecuária.

Revista AG - Quais atributos um bom touro precisa ter para atender bem a clientela atualmente?
Kaju - Defendemos que a principal característica de um bom reprodutor passa por adaptar-se às necessidades de melhoramento do rebanho que ele irá servir. Um bom exemplo disso é um touro ser capaz de introduzir maior adaptação em um rebanho muito europeizado e também um touro levar precocidade a um rodeio zebuíno tardio. Escolhido o tipo animal, a segunda etapa deveria ser buscar garantias de performance, lastreada no trabalho e credibilidade do fornecedor.


Revista AG - Para responder à altura, quais têm sido os investimentos da empresa nos últimos anos?
Kaju - Canalizamos muitos recursos no acompanhamento dos sistemas de produção de nossa clientela. Tendo em vista que comercializamos para vários estados do Brasil, esse trabalho requer tempo e humildade, en-tendendo as diferenças e direcionando a seleção para diversas realidades e expectativas. 

Revista AG - Atualmente, a GAP seleciona Angus, Brangus, Hereford, Braford e Cavalo Crioulo. Por que optou-se por essa diversidade de raças e espécies?Kaju - Recebemos um legado. Consideramos os planteis herdados um patrimônio valioso. A família é grande e apaixonada pela pecuária. Dividimos as responsabilidades tentando manter e aperfeiçoar aquilo que foi realizado em mais de cem anos de melhoramento. Com as diversas raças, temos uma solução para cada problema da pecuária.

Revista AG - Em especial ao Brangus e ao Braford, como a está a demanda no Brasil Central?
Kaju - Fizemos uma aposta que deu certo, ou seja, incrementamos na GAP a produção de touros sintéticos justamente no momento que a demanda por essas raças é crescente, razão da mais valia de bezerros de cruzamento industrial, produzidos pela monta natural desses reprodutores em regimes extensivos de cria no Brasil Central, bem como nos campos do Sul, para introduzir um percentual zebuíno em rebanhos muito britanizados, que estão sofrendo com a infestação de ectoparasitas.

Revista AG - Qual tem sido o desempenho dessas duas raças no tricross?
Kaju - As raças sintéticas são uma ótima opção para seguir aproveitando o benefício da heterose da matriz F1. O destino da produção dessa sequência do cruzamento dependerá da estrutura do produtor, com opção de ficar com uma fêmea muito precoce para reprodução ou destinar toda F2 ao abate.

Revista AG - Já a demanda por Angus e Hereford é mais concentrada no Sul do País?
Kaju - A genética dos britânicos “puros” sempre será necessária via sêmen para o cruzamento e via touros no Sul, para a padronização de rebanhos muito heterogêneos, racialmente falando (mestiçagem). Enfim, o ambiente determina sempre o grau de sangue que proporciona mais resultado em cada fazenda.


Revista AG - A Marfrig cessou a parceria com a Carne Angus Certificada (nas plantas do Sul) e Carne Pampa. Acredita que essa decisão interfere de alguma maneira no mercado de genética?
Kaju - Não cremos. A industria, cada vez mais, precisa de carcaças pesadas, bem acabadas e originadas de animais jovens. O produtor, para atingir esse padrão, deve investir em manejo, nutrição, sanidade e, sobretudo, genética.
Não nos cabe entrar no mé
rito desta ou daquela empresa e questionar decisões pontuais de suas gestões, mas é claro que a descontinuidade de programas gera quebra de confiança na cadeia.

Revista AG - Qual o perfil de produto que os clientes têm buscado?
Kaju - Aquele capaz de agregar qualidade com custos compatíveis. O consumidor enxerga na credibilidade do fornecedor a garantia de seus resultados. E nesses 100 anos da GAP a transformação que mais acompanhamos durante o período foi a profissionalização da pecuária. Hoje, os números falam mais alto nas tomadas de decisões.

Revista AG - Hoje, o quesito avaliação genética é a principal exigência dos clientes, ou ainda não é um ponto que faz tanta diferença nas vendas?
Kaju - Avaliação genética faz toda a diferença e sustenta o valor agregado que estipulamos nos reprodutores. Esse processo le-vou muito tempo para deslanchar. A universidade e os criadores pioneiros foram decisivos nesse processo.

Revista AG - Você sente falta de algo em relação aos programas de avaliação genética existentes? Talvez uma maior comunicação entre eles?Kaju - Precisamos criar formas de avaliar carcaças pós-abate, gerando informações para a multiplicação de genética melhoradora da qualidade de carne, entrando aí vários aspectos como marmoreio, maciez, acabamento, rendimento de cortes nobres, hoje medidos através da ultrassonografia. Apesar de tantos avanços nas pesquisas dos geneticistas, ainda há poucos criadores que utilizam os programas para melhoramento de seus rebanhos, aproveitando-se unicamente para gerar informações de cunho comercial (dados para venda de touros).

Revista AG - De quais programas de melhoramento genético a GAP participa?
Kaju - Com muito orgulho fomos apoiadores e parceiros do saudoso Luís Alberto Fries no desenvolvimento do programa básico de melhoramento que serviu de modelo para várias raças. A GAP participa do Natura (Brangus), Promebo (Angus) e Conexão Delta G (Hereford e Braford).

Revista AG - Adaptabilidade, aprumo, frame, ganho de peso ou qualidade de carcaça, quais dessas características têm maior impacto no bolso do pecuarista atualmente, pensando na pecuária a pasto?
Kaju - Na minha opinião pessoal, saindo fora do convencional, nenhuma dessas características é tão importante e determinante para a sobrevivência na atividade pecuária como um bom planejamento sucessório. Garantirá a sustentabilidade do negócio, na maioria dos casos de perfil familiar, e, portanto, delicado de tratar do ponto de vista empresarial. Esse desafio precisa ser encarado o quanto antes.

Revista AG - Hoje, quais são as médias de preço para touros Angus, Brangus, Hereford e Braford? Mudou muito nos últimos anos?
Kaju - Precisamos ter em mente que um touro comercial deve valer nem mais nem menos do que três novilhos. A nossa fábrica está projetada para trabalhar nessa faixa média de preços. Para tanto, o volume de venda é fundamental, sem abrir mão de uma alta pressão de seleção, ou seja, ficamos com apenas 30% do total de machos nascidos de um total de 7.200 ventres registrados e inscritos nos programas.

Revista AG - Quais os planos da GAP para os próximos cinco anos?
Kaju - Estão no planejamento estratégico da empresa acelerar o GMD (ganho médio diário) geral da pecuária através de uma recria mais caprichada, atacando os gargalos forrageiros (falta de pastagens no outono), com novas tecnologias para suplementação pós-desmame. Na área genética, após tantos anos avaliando a progênie das matrizes, pinçar um grupo seleto de doadoras e multiplicá-las com TE ou FIV. No manejo e bem-estar animal, investir cada vez mais em subdivisões (cercas elétricas), sombras e aguadas.

Revista AG - Genômica estaria entre as intenções? Qual sua opinião sobre essa tecnologia?
Kaju - A seleção genômica é o futuro. Estamos de olho e acompanhando o grupo Gensys (asssessoria genética) em suas investigações.

Revista AG - Falando mais do sistema de produção, a propriedade tem investido em ILPF ou integração lavoura-pecuária?
Kaju - Cultivamos arroz irrigado e um pouco de soja em 25% de nossa área e a integração entre os processos é a única maneira para acelerarmos nossos índices de produtividade. A questão ambiental nos preocupa e a ILP se encaixa perfeitamente na filosofia conservacionista da GAP.

Revista AG – O que mais lhe incomoda?
Kaju - Produzir alimentos é uma atividade nobre, de imensa responsabilidade social. Nós nos sentimos inseridos nesse contexto, mas profundamente chocados com a falta de consideração do setor público com a atividade e com a falta de reação coletiva do produtor (meaculpa), carente de espírito associativista.

* Publicado na Revista AG (Junho, 2017)



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