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Contribuição da transferência de embriões para o melhoramento genético do Hereford e Braford através do PampaPlus

Genética | 15 de Setembro de 2017

Produtos TE e FIV de acordo com informações da receptora

Foto: Associação Brasileira de Hereford e Braford

Por: Fernando F. Cardoso; Médico Veterinário, M.S., Ph.D., Chefe Adjunto de PD&I Pesquisador A - Melhoramento Genético Animal, Embrapa Pecuaria Sul 

O uso das técnicas de transferência de embriões (TE) e fertilização in vitro (FIV) nos rebanhos Hereford e Braford tem sido crescido nos últimos anos com objetivo de acelerar a multiplicação dos animais geneticamente superiores (ver Figura a baixo).

 

A adoção dessas técnicas pode apresentar grandes vantagens ao melhoramento genético, porque possibilita o aumento da intensidade e da acurácia de seleção das fêmeas e também a redução do intervalo de gerações, o que proporciona maior taxa de ganho genético. Também pode-se melhor aproveitar o sêmen de touros muito caros fertilizando vários embriões in vitro com uma única dose.

Entretanto, para efetivamente capitalizar o potencial dessas técnicas para o aumento do progresso genético, alguns cuidados precisam ser tomados. Os principais são:

1) Escolha das doadoras de embriões. Essas devem ser realmente superiores, de preferência com avaliação de progênie, mas se o produtor decidir usar suas novilhas top para reduzir o intervalo de gerações, deve observar sua avaliação a medida que os dados de sua progênie são gerados;

2) Seleção das receptoras e o registro completo de informações sobre elas;

3) Avaliação genética dos animais oriundos de TE e FIV, pois como os demais produtos do rebanho deverão passar pelo crivo da avaliação individual e seleção.

Do ponto de vista da avaliação genética, a principal diferença é que os produtos de TE e FIV tem duas mães. A doadora que é a mãe biológica e contribui com o desempenho de origem genética e a receptora que contribui com sua habilidade materna para o desenvolvimento do indivíduo (Figura 2).

Figura 2. Modelo de efeitos genético direto, genético materno e de ambiente permanente materno no desempenho até a desmama



 Portanto, o modelo de avaliação genética para características até a desmama precisa ser modificado para atribuir os efeitos maternos para a receptora e não para a mãe biológica. Embora há bastante tempo, Schaeffer e Kennedy (1989) e Van Vleck (1990) tenham proposto as fórmulas para correta estimação dos efeitos genéticos aditivos usando informação da doadora dos embriões ou oócitos e dos efeitos genético materno e de ambiente permanente materno utilizando a informação da receptora, muitos programas de melhoramento ainda não utilizam esses modelos por limitação de software e disponibilidade de informação adequada para as receptoras.


 

A partir de 2016, com adoção do Software Intergen 1.3, desenvolvido na Embrapa Pecuária Sul, o PampaPlus passou a considerar os dados de desmama nas avaliações genéticas dos produtos TE e FIV. O principal ganho com isso é a maior acurácia da avaliação genética das doadoras, de produtos TE ou FIV e dos touros usados nesses acasalamentos. Um estudo com os dados de Pampaplus demonstrou que além desses ganhos em acurácia, melhora-se a herdabilidade e a tendência genética para o peso à desmama dos produtos TE e FIV (Junqueira, 2014). Na Figura 3, mostramos os ganhos crescentes em acurácia das avaliações de peso à desmama de touros em função do percentual de filhos TE e FIV que possuem.

Entretanto, para que se possa usufruir desses benefícios precisamos ter necessariamente três dados das receptoras:


Identificação única dentro do rebanho, composição racial e data de nascimento.

Isso é essencial para que se reconheça a mesma receptora em partos diferentes e se ajuste as diferenças de habilidade materna devido ao grupamento genético (p.ex., entre cruzas com zebuíno vs. britânicas puras) e idade da receptora (p.ex., primíparas vs. multíparas), possibilitando a estimativa mais acurada de seus efeitos maternos. Além, disso se a receptora for registrada, isso deve ser informado e será considerado na avaliação genética, combinando seu desempenho como produto, mãe e receptora. O percentual atual de informações completas das receptoras no Pampaplusnet é inferior a 30%, portanto, somente esse percentual de animais que pode ter avaliações mais precisas. A seguir detalhamos como proceder e informar corretamente os registros de TE e FIV no Pampaplusnet:

1. Cadastrar a receptora no Pampaplusnet. Informar identificação única, composição racial e data de nascimento. Se a receptora for comprada essas informações podem ser estimadas pelas suas características fenotípicas e dentição. Se for uma fêmea controlada no rebanho ou registrada, apenas selecionar a partir da base de dados do criador. Informar a receptora somente uma vez, mesmo se ela for usada por mais de um ano.

2. Cadastrar as coberturas e os nascimentos de TE e FIV. Atentar para correta seleção da mãe e receptora.

3. Formar grupos contemporâneos de produtos TE e FIV. Sempre que possível manter no mesmo grupo de manejo e regime alimentar todos os produtos filhos de TE e FIV de cada safra. Buscar também a padronização da composição racial das receptoras dentro do grupo de manejo, para diminuir as diferença de efeito materno.

Um vez adotados rotineiramente os passos acima, os criadores de Hereford e Braford que investem em TE e FIV e participam do Pampaplus poderão contar com os benefícios de uma avaliação genética mais acurada de seus produtos e consequentemente maior progresso genético de seus rebanhos.

Fonte: Publicado na revista Pampiano da ABHB/2016

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