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Diário do Viajero: Pecuária intensiva de Água Boa a Água Doce

Genética, Informação, Mercado | 15 de Julho de 2018

Por Fernando Furtado Velloso
Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

Saudações! A minha profissão tem me propiciado viajar muito, ver muito e aprender um pouco. Aprecio a vida de viajero, apesar dos dias fora de casa e dos trancos da estrada. Recentemente, no mês de junho, a Associação Brasileira de Angus propiciou a todos os seus inspetores técnicos uma reunião anual e visita no MT para que o cruzamento com Angus fosse visto e discutido com profundidade. A boa escolha do destino nos levou até Água Boa e Barra do Garças, no Vale do Araguaia.

Em Água Boa, na Fazenda Califórnia (Grupo Leopoldino), participamos do Dia de Campo Mega Cruza e pudemos revisar vários lotes de animais F1 (Angus x Nelore), F2 de vários cruzamentos (F1 x Brangus, F1 x Bonsmara e F1 x Simental preto). A velha pergunta e ainda tema de discussão segue na boca dos pecuaristas que fazem cruzamento: que raça usar no F1 Angus?

As opções são variadas e devem levar em conta a heterose possível e o enquadramento ou não dos produtos no Programa Carne Angus. Para tornar a resposta mais complexa, o frigorífico JBS divulgou, em palestra de Fábio Dias, o Protocolo Multirraças 1953 (em alusão ao ano de fundação da empresa).

Nesse novo programa da indústria, novilhos cruza com europeus jovens, castrados e bem terminados podem alcançar premiações similares à Carne Angus. Vida nova para as raças continentais (especialmente o Charolês) como opção para cruzamento terminal e produção de F2 pesada e de alta heterose para esse programa.

Será que viveremos essa nova fase no cruzamento no Brasil? Tecnicamente, acredito no grande potencial dos sistemas de cruzamento terminais e de engorda confinada. Resta-nos acompanhar se a indústria dará continuidadema essa política de remuneração diferenciada para esses animais no médio e longo prazos.

Em relação ao que vimos e ouvimos no Dia de Campo Mega Cruza, confirma-se o que tantos falam como justificativa para fazer o cruzamento Angus x Nelore: incremento no peso ao desmame, no ganho de peso no confinamento, na eficiência reprodutiva do rebanho e no valor do produto.

Não fosse assim, a técnica não estaria tão disseminada e a raça Angus não teria expressão tão grande na inseminação artificial, estando em condições de igualdade à raça Nelore.

O acelerador está bem no fundo nesses projetos pecuários que usam o cruzamento: uso de IATF disseminado, com uma ou duas inseminações (e sem uso de touros de repasse em muitas situações), acasalamento de novilhas de 1 ano, alto peso ao desmame, recria intensiva ou recria/engorda confinada e por aí vai. 

O fato novo que nos apresentaram foram os dados de desempenho zootécnico e econômico de cria em confinamento. Isso mesmo, inseminação, parição e desmame dentro do confinamento.

Na comercialização, conhecemos um pouco da história e do trabalho da Estância Bahia Leilões, uma das maiores empresas de comercialização de bovinos do País (se não a maior de todas) e conhecida por promover os Mega Leilões, incluindo o Mega Cruza, que em 2018 ofertou 7.000 animais de cruzamento.

Nas conversas com Maurício Tonhá, titular da Estância Bahia, é difícil questionar o modelo dos leilões virtuais, pois somente pontos positivos são vistos. É um pouco frustrante ver que tentamos o mesmo formato no RS com o Canal Rural (Leilões Certificados), mas não tivemos a adesão e o apoio das maiores empresas gaúchas do setor. Faltou continuidade e ajustes no projeto para torná-lo mais forte.

No trecho de retorno para Goiânia, foi possível uma visita rápida na Fazenda Brasil, em Barra do Garças. Lá vimos no pasto lotes numerosos de fêmeas F1 (Angus x Nelore) que foram emprenhadas com um ano e esperam para parir ao pé da Serra do Roncador. No confinamento, estão em uso equipamentos para medição de eficiência alimentar dos animais cruza Angus em uma parceria da fazenda com a central ABS.

O trabalho coleta informações do desempenho das progênies cruzadas de diferentes touros com pais Angus. É o cruzamento na fase da sintonia fina. Voltando à rotina de meus serviços de campo (sempre na volta dos touros), fiz uma jornada rápida Porto Alegre/Cascavel/Candói/Água Doce/Vacaria/São Francisco de Paula/casa.

Os estradeiros já visualizaram o desenho desse mapa sulino. Pois, muito bem, em Água Doce (cidade catarina na divisa com Paraná) fiz uma visita rápida (mas de alto aproveitamento) no Grupo Aeme, da família Maciel. Essa empresa está dedicada a um sistema de cria muito intensivo com base em matrizes Angus.

Resumo: matrizes Angus, pastagens adubadas, rotacionadas e bem manejadas, uso intensivo de inseminação, acasalamento aos 13-14 meses, desmama pesada (entre 250 e 300 kg), uso do cruzamento Hereford x Angus (denominado Gado Bom) para ofertar terneiros cruzados ao mercado catarinense.

Depois de consolidar o terneiro Aeme no mercado catarinense, a empresa passou a realizar leilões na fazenda (virtuais) e com a modalidade “entrega programada”, em que os compradores receberão os lotes em meses futuros (abril, maio, junho, julho etc.). É um serviço de conveniência aos confinadores que não trabalham com recria.

O Grupo Aeme pode ser considerado de porte grande para a pecuária de SC e, na busca de mais escala, já vem moldando negócios com criadores parceiros. Para quem considera que a cria está fadada a viver só em campos fracos de áreas marginais, vale a pena conhecer esse trabalho, mesmo que seja só pelo Facebook.

Bom, moçada, nesse mês de junho bem viajado voltei com a mala cheia de ideias, dúvidas e inquietações para prosseguir. Trazendo tanta informação para a minha atividade principal (o touro), percebi que muitos usuários de genética (produtores comerciais) estão com o RPM de seus sistemas de produção bem mais acelerados que a média dos selecionadores.

O que quero dizer com isso? Que tenho vistos muitos projetos pecuários com sistemas bem mais intensivos do que muitos produtores de touros. Temos um “paradoxo estendido na areia” como diria Gilberto Gil.

Se os selecionadores devem prover as soluções genéticas para a pecuária comercial, como farão estando distantes no nível tecnológico? Viveremos uma segmentação? Teremos produtores de genética para campo nativo (rusticidade) e outros para sistemas intensivos? Esses serão os próximos capítulos do Diário do Viajero.

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Julho, 2018)

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