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Carlos Nabinger questiona: precisamos manter os campos?

Informação | 14 de Dezembro de 2018

* Carlos Nabinger é professor da Faculdade de Agronomia da UFRGS

Foto: Divulgação/Assessoria

Professor da Faculdade de Agronomia da Ufrgs, Carlos Nabinger comenta ameaças aos campos nativos e os riscos associados que vão além da vegetação, incluindo as águas e espécies animais 

As ameaças aos campos sul-brasileiros, não só continuam como aumentaram, apesar das restrições da legislação. Segundo a Embrapa, em 2017 os campos recobriam menos de 36% do Bioma Pampa e 11% da Mata Atlântica. Mas não apenas a supressão dessa vegetação de diversidade ímpar nos preocupa. É que, com isso, se altera também a macro, meso e microfauna associada, cujo funcionamento em interação entre si e com a vegetação, o solo e atmosfera, são responsáveis pelos imprescindíveis serviços ecossistêmicos: sequestro de carbono e qualidade do ar e do solo, regulagem e qualidade das águas, manutenção de polinizadores, entre outros. 

Não só a diminuição da área, mas, também, sua fragmentação leva à diminuição brutal na oferta destes serviços. Se a isso adicionarmos ameaças que agora ganham espaço na mídia, como as derivas de herbicidas, inseticidas e fungicidas, o problema toma proporções alarmantes, pois está afetando o pouco que resta desses campos. E, atenção, o efeito imediato e visível é sobre a vegetação, como se observa nos olivais, vinhedos e campos, mas o invisível é mais grave, pois é a qualidade das águas e a vida microbiana associada às vegetações, sem falar nos polinizadores – abelhas e pássaros –, que são afetados. 

A diversificação da agricultura é necessária, mas deve ser feita com sistemas de produção mais seguros e obedecendo às leis vigentes, como o respeito às zonas de amortecimento das unidades de conservação e Áreas de Preservação Permanentes (APPs) e às formas de aplicação de agrotóxicos. Isso sem falar na necessidade premente de contarmos com um ordenamento territorial que considere a conservação, ao menos em parte, das vegetações naturais. 

Além do mais, não podemos continuar raciocinando exclusivamente em termos de movimento financeiro imediato, como é o caso de algumas culturas altamente demandantes de insumos externos, pois a riqueza deixada aos territórios é questionável, mesmo sem entrar no mérito dos custos ambientais.

A ciência demonstra que a pecuária sobre campo nativo mantém e melhora os serviços ecossistêmicos, pode ser altamente lucrativa e deve fazer parte obrigatória dos sistemas agrícolas regionais. Mas é preciso políticas públicas que atendam o que foi dito acima, e que as lideranças do setor acreditem que nossa verdadeira riqueza está naquilo com que a natureza nos brindou. E ela foi muito pródiga em nossos pagos. Não joguemos isso fora. As próximas gerações vão nos cobrar!

* Carlos Nabinger é professor da Faculdade de Agronomia da Ufrgs

Fonte: GauchaZH, 14/12/18




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