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O Poder do Hábito na Pecuária de Corte

Informação | 16 de Dezembro de 2018

Por Fernando Furtado Velloso
Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

Nos dias de fechamento desta edição, participei da cerimônia de premiação do Touro de Ouro 2018, na Intercorte, em São Paulo. 

No meu discurso da abertura, recordei que o envio deste texto mensalmente para a Revista AG, nos últimos cinco anos, me fez desenvolver o hábito de realizar esta tarefa e valorizei a importância dos hábitos em nossas vidas e negócios. Esta rotina trouxe um ganho inesperado
para mim no desenvolvimento de uma rotina relacionada à produtividade, que pode ser aplicada em tantas áreas. Para  conhecer um pouco mais sobre o assunto, sugiro um livro que aborda estudos sobre os hábitos chamado O poder do hábito (Charles Duhhig, Editora Objetiva). É um livro grande e um pouco cansativo em alguns capítulos, mas a regra é velha: “no pain, no gain” (sem dor, sem ganho).

Trago aqui uma abordagem simples, mas na qual acredito fortemente, pois tenho convicção da importância dos “hábitos” na pecuária de corte. Pode ser lido também como uma rotina, uma execução do planejamento no momento certo do ano ou até mesmo uma das diferentes ferramentas que nos ajudam na realização dos procedimentos por todos envolvidos na fazenda, como o usos de POPs (Procedimento Operacionais Padronizados), por exemplo, e a presença desses “manuais” em locais acessíveis e próximos de onde são realizadas as tarefas. A primeira vez que observei na prática o
uso de POPs foi em meu estágio curricular na Fazenda Colorado, em Araras/SP, desde à época considerada fazenda modelo na produção leiteira. As principais rotinas da fazenda estavam bem descritas e acessíveis para todos saberem a forma certa de fazer as coisas, havendo procedimentos padronizados para ordenha, limpeza da sala de ordenha e ordenhadeiras, pós-parto imediato etc.

Na pecuária de corte não é nada diferente, e, talvez, até mais importante, pois o “hábito” não aplicado devidamente e no momento correto talvez seja corrigido somente na próxima estação reprodutiva, na próxima parição, no próximo desmame etc. Logo, aplica-se a fala do campeiro gaúcho: “pro ano”, fazemos diferente. 

Na reprodução são várias tarefas que devem ser atendidas anualmente e com grande implicação no calendário reprodutivo e produtivo, por  consequência. São muitas, são simples, são anuais e não perdoam atrasos: exames andrológicos (e reposição de touros), preparação de lotes
de inseminação, vacinação e reforço das vacinas reprodutivas, atenção aos touros na temporada, definição e aquisição do sêmen para a temporada etc.

Na sanidade, o planejamento e a execução do controle de doenças e parasitas é o dia a dia de qualquer fazenda, independentemente do porte e do sistema de produção. Para os que trabalham com raças europeias e seus cruzamentos, o carrapato é um assunto permanente. Se os procedimentos não forem realizados devidamente – e no momento certo – em todas as categorias animais, a conta logo chegará. Não teremos mais planejamento
para realizar, mas sim fogo para apagar. 

Para a nutrição dos animais, as rotinas são várias e também repetem-se anualmente: áreas para vedar, pastagens para semear, campos para roçar, carga animal para ajustar em diferentes potreiros ou retiros, controle de invasoras etc. Se atrasadas ou não realizadas, deixarão prejuízos em produção de curto a longo prazo. 

Nos controles de estoque e produção, somente teremos boas informações com o convencimento dos envolvidos da importância deste hábito. Sejam informações simples de pesagens, taxas de prenhez, mortalidade, quantidades e pesos de venda, valor etc. Sem essas informações, não faremos minimamente bem à avaliação de resultados da fazenda e as áreas que requerem ajustes, investimentos etc.

Meu texto parece demasiadamente simples e sem novidades. De acordo! Na atividade de assistência técnica e de pecuarista (de fim de semana), vivo e percebo que, apesar de tantas novas tecnologias e possibilidades para a pecuária, ainda temos um grande percentual de produtores com dificuldades de alcançar bons níveis de produtividade e rentabilidade. Não é uma crítica, é uma constatação. O produtor, especialmente o de pequeno e médio
portes, precisa ser um pouco agrônomo, veterinário, mecânico, carpinteiro, contador e administrador. Não deve ser fácil, mesmo. Se me resta espaço para reforçar uma recomendação é que busquem bons hábitos, boas rotinas, que compreendam a importância da realização de tantas tarefas
de forma correta e no momento correto do ano. Já visitei muitos pecuaristas que são taxados de “metódicos” e, com certo deboche, até de “sistemáticos”. Pois bem, esses costumam ser, também, os mais produtivos e prósperos. Devem estar fazendo algo certo. 

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Dezembro, 2018)





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