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Pecuária de corte: uma opinião para o novo governo

Informação | 13 de Janeiro de 2019

Júlio Barcellos, Prof. Titular, Fac. de Agronomia – NESPro/UFRGS

Foto: Divulgação/Assessoria

Por Júlio Barcellos, Prof. Titular, Fac. de Agronomia – NESPro/UFRGS

Numa análise mais crítica, é preciso entender que desde que surgiu a palavra agronegócio em nosso vocabulário, é afirmado que em todas as suas dimensões só ocorrem “maravilhas”. O que é um profundo equívoco, quase viciado, de quem defende a atividade como quem torce pelo seu time de futebol.

Na realidade, é bom senso olhar como se fosse uma balança, primeiro buscando o equílibrio entre seus pratos, depois, o superávit no lado que representa os ganhos econômicos do setor, a geração de riquezas, de empregos, os avanços científicos e tecnológicos, a necessária renda aos produtores rurais. Segundo, deveremos olhar para o outro lado, dos custos, do uso dos recursos naturais e do atendimento às normas vigentes. Assim, poderemos, na maioria das vezes, manter hasteada a bandeira do complexo agro, sendo inclusive defendida por aqueles que até jogam pedras. Portanto, é preciso um certo cuidado com defensores ou acusadores com camisetas sem compromissos com a sociedade.

Dessa forma, o governo que a partir de 1º. de janeiro toma as rédeas do Estado, precisa ter olhos de medusa sobre os dois pratos da balança. Em um deles, precisa compreender as questões da produtividade da pecuária e as reais necessidades de melhorias na cadeia produtiva da carne bovina, produto que pode alavancar vários segmentos para a retomada do crescimento econômico. Não pode descuidar do fenômeno “agriculturização” da metade sul, em particular da Zona Sul e Campanha. Aqui, a palavra euforia, deve ser substituída pelas palavras “cautela, risco e estratégia”.

O pampa não é mais o mesmo. Portanto, a complexidade da sua matriz de negócios também não pode seguir seus velhos modelos. Ganhar mercado na carne bovina é imperioso e a exportação é vital para isso. No entanto, é necessária uma política de Estado de médio e longo prazos para remeter ao reconhecimento internacional da sanidade dos rebanhos e confirmar, por meio da rastreabilidade do gado, às garantias do que é dito lá fora. Um olhar para a entrada de carne de outros estados, mesmo mantendo uma política econômica liberal, precisa ser avaliada.

Por fim, senhor governador, para alcançar tudo isso, é vital a presença do conhecimento, da inovação, do desenvolvimento tecnológico e das condições necessárias e, até mesmo facilitadas, para internalizá-las dentro da porteira. Para isto, é preciso criar o ambiente institucional que catalize as principais instituições que geram o conhecimento e a inovação à pecuária de corte. O exemplo do governante, certamente arrastará todos aqueles que tem compromissos com a modernização do agronegócio. A inteligência estratégica reunida, construirá um novo cenário de crescimento com desenvolvimento. Não abdique da palavra conhecimento; para o Estado que desejamos não há outro caminho sem ela!

* Publicado no jornal Correio do Povo (13/01/2019) 

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