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"Debreia" nas DEPs

Genética, Informação, Mercado | 15 de Fevereiro de 2019

"Debreia" nas DEPs

Foto: Divulgação/Assessoria

Por Fernando Furtado Velloso
Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

Não se assustem, pois não venho aqui questionar ou criticar o uso dos dados dos programas de melhoramento de bovinos, pois participo desta igreja e também sou um pregador da seleção objetiva. Talvez eu faça mais esta pregação que muitos pastores bem mais graduados que eu nesta religião. Comprei a ideia ainda nos bancos da faculdade, graças às firmes e boas argumentações de professores de meu curso de veterinária, com destaque nesta área para os professores José Fernando Piva Lobato (mais conhecido por Lobato) e Júlio Otávio Jardim Barcellos. Ambos faziam – e seguem fazendo – muito boa catequese pró-seleção objetiva nos cursos de Agronomia e Veterinária da UFRGS.

Não tenho dúvidas de que os métodos objetivos para a seleção de bovinos seguem sendo a melhor opção disponível para selecionarmos os nossos animais ou para adquirirmos reprodutores ou sêmen. As exposições e as competições entre animais já foram uma ferramenta muito importante e popular, mas perderam muito espaço (e até sentido), quando temos disponíveis tantas tecnologias que nos aproximam muito mais do acerto na escolha dos animais.

Nem se comente (já comentando) quando julgamos e premiamos animais maduros (de três ou quatro anos), pois o fenótipo (visual) desses animais nos diz muito pouco de sua genética para o desempenho nas idades dos animais que interessam aos produtores (até o desmame e ganho pós-desmame). Não desconsidero a apropriada apreciação visual dos animais no processo de seleção, especialmente para retirar animais ou genes que podem deixar problemas na fazenda, no entanto, usar o visual como característica número um está bem longe das minhas crenças.

Mas por que “debrear”?
Os programas de melhoramento, as avaliações genéticas e a valorização das DEPs, Índices e CEIPs vêm em uma crescente muito positiva, e devemos aplaudir esse processo. A pregação de tanta gente boa por tanto tempo está gerando resultados na aplicação do melhoramento genético e no mercado de reprodutores. Assim, a nossa pecuária vem usando mais tecnologia e se aproxima de alguns conceitos da agricultura de precisão. A tecnologia embarcada em diferentes sementes e cultivares de tantas culturas, como a soja, o milho e o arroz, já está disponível para reprodutores, e, hoje, é possível identificar o touro “customizado” para o seu negócio.

Mas, então, por que “debrear”? Porque, no meio deste parque de diversões, de tantas DEPs, características, índices, genômica, números, percentis, Decas e Tops, estamos carecendo de melhor entendimento do básico das características genéticas e suas relações com a produção. Dedicar um pouco de tempo e atenção em entendê-las é uma boa ideia no meio de tanta tecnologia (boa) disponível, mas que pode nos confundir também.

Provavelmente, a compreensão do básico na área de seleção de bovinos irá nos ajudar muito nas nossas decisões em nível de campo e também na aquisição de reprodutores. Que características têm mais impacto e importância em seu rebanho, sistema de produção e mercado? Peso ao Nascer, Facilidade de Parto, Peso ao Desmame, Ganho Pós-Desmame, Espessura de Gordura, Precocidade, Tamanho Adulto e Temperamento possuem qual importância na produtividade de seu rebanho? Compreender melhor quais são as deficiências produtivas e genéticas de seu rebanho pode orientar muito mais a sua bússola na definição do touro certo do que simplesmente seguir a manada na busca da batida perfeita, ou seja, do famoso Top 0,1% do sumário tal ou da central “X”.

Existem característica inegociáveis?
Provavelmente, cada fazenda ou cada rebanho tem algumas características que são tão importantes que se tornam inegociáveis.

Não há sentido reter e multiplicar animais de mau temperamento, assim como não há sentido em multiplicar e ofertar reprodutores ao mercado que sejam muito negativos para Peso ao Desmame e Perímetro Escrotal, como exemplo de alguns atributos inegociáveis. Nas raças europeias, a Adaptação vem se tornando cada vez mais uma qualidade inegociável em algumas regiões. Essas afirmações aparentemente um pouco desconexas do tema deste texto tentam lembrar do básico que, muitas vezes, fica esquecido, e, assim, “debrear” nas DEPs tem essa lógica.

A aplicação crescente de tecnologia na pecuária de corte é tentadora. O mesmo ocorre em genética e reprodutores. Como em tantas outras situações, o equilíbrio na tomada das decisões parece ser o caminho do meio mais adequado. Exemplo: o uso de touros positivos nos programas de melhoramento, mas não tão extremos ou tão “top” para algumas características (como Peso ao Desma - me ou Peso Final) ou índices, mas que atendam a outras necessidades do seu gado, pode ser uma escolha na qual “debreou-se” nas DEPs, mas optou-se por genética mais útil à sua necessidade, considerando outras questões que não somente as constantes na formação dos Índices Genéticos dos diferentes programas e sumários.

Pense nelas (nas características inegociáveis) antes de considerar o touro A ou B tão badalado pelos programas de melhoramento ou pelas centrais de inseminação. Essa bala de prata talvez não seja para seu revólver.

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Fevereiro, 2019)

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