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Negocio Direto: fazendo em vez de esperar

Informação, Mercado | 14 de Fevereiro de 2020

Por Fernando Furtado Velloso
Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

A ação é melhor que a inércia. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé, e por aí vai. O propósito deste meu texto é compartilhar algumas informações sobre o Grupo de Produtores Negócio Direto, que, há pouco mais de um ano, reúne pecuaristas de corte no RS, especialmente preocupados com a comercialização.

O grupo se iniciou na primavera de 2018. Naquele momento, a pecuária gaúcha vivia o susto da interrupção das exportações de terneiros para a Turquia. Entre tantos problemas e preocupações com aquele mercado, um agravante era a desinformação sobre as causas da crise (política, econômica, quebra de contratos). Foi esse o pontapé inicial para que alguns produtores da região central do estado formassem um grupo para “negócios diretos”, buscando contornar as dificuldades das vendas de terneiros inteiros e para compartilhar mais informações sobre compra e venda de bovinos. O pecuarista Ricardo Giuliani (Estância da Formosa, de São Gabriel) foi o idealizador do grupo do qual é, hoje, um dos administradores.

Grupo Negócio Direto

O objetivo principal do Grupo Negócio Direto (ND) é tornar a compra e venda de gado de reposição mais eficiente para o produtor. Ágil e com menor custo. O objetivo secundário é a troca de informações mercadológicas e de técnicas da atividade pecuária. Um dos pressupostos do grupo é o negócio direto entre os pecuaristas, sem a participação e a remuneração de intermediários.

O Monitor de Preço é um produto palpável deste trabalho, pois, com as informações compartilhadas pelos participantes, é possível informar melhor os pecuaristas do grupo sobre o mercado de gado de reposição e, também, sobre o do gado gordo.

Os produtores informam ao grupo as suas compras e vendas. As informações são tabuladas e disponibilizadas de volta para eles. Para algumas negociações que fogem muito ao padrão do mercado, é solicitado romaneio ou nota fiscal para verificação, pois a credibilidade do monitor é muito importante para que a ferramenta seja usada  para tomadas de decisões. 

Os gráficos de evolução de preços do gado publicados neste texto são produtos do ND. É feito, também, um paralelo das médias publicadas pelo NESPro (UFRGS), Emater e Scot Consultoria. Atualmente (janeiro de 2020), o ND possui mais de 1.100 produtores no RS em diferentes regiões. As principais cidades são: São Gabriel, São Martinho da Serra, Herval, Bagé, Candelária, Quaraí, Uruguaiana, Alegrete, Arroio Grande, Pelotas, Canguçu, Caçapava, Cacequi, São Vicente do Sul, São Lourenço do Sul, Chiapetta, Julio de Castilhos, Santiago, Jaguarão, Livramento, Rosário, Candiota, São Sepé, Lavras do Sul, Dom Pedrito, Bom Jesus, Jaquirana, Santiago, Eldorado, Cachoeira, Santo Antônio, Santa Vitória do Palmar, Cacequi, Tupanciretã, entre outras.

Em função do grande número de participantes, o Grupo Negócio Direto está formado por cinco grupos de WhatsApp “regionalizados”, mas as informações (ofertas de gado) e o levantamento de negócios realizados são compartilhados entre todos. Estima-se que o grupo já ofertou mais de 60 mil reses. São ofertados, mensalmente, entre 4 mil e 5 mil animais. Para ingressar no grupo, é necessária a indicação de um produtor já participante.

Explicando um pouco o que o ND faz e por que faz, trago minhas breves reflexões, pois sou um dos tantos participantes. Mais do que algumas oportunidades de negócios, o grupo me trouxe muito boas informações e acesso a muitos produtores que não tinha ainda relacionamento. A moderação do grupo é “disciplinadora”, e postagens relacionadas a política, futebol e outros dispersores não são permitidas. Os participantes mais inconvenientes incomodam por pouco tempo e logo pegam a estrada. As mais diversas e úteis informações sobre os movimentos do mercado e outras (sementes, produtos veterinários, serviços, equipamentos, manejos etc.) são trocadas todos os dias. Logo, não temos tempo para dispersar neste espaço com política e fake news.

Observei que, no início do grupo, foi dado bastante foco nas vantagens do negócio sem intermediário, mas, nesse tema, sou voz dissonante, pois não visualizo este como o principal ganho do grupo. Tantas boas informações são compartilhadas, tantas oportunidades de negócios ofertadas (que poderiam ocorrer com ou sem a presença do intermediário), e tantos bons projetos do grupo fazem com que eu considere esse item como secundário. Mas entendo que é um dos preceitos do grupo e deve ser respeitado.

Novas frentes de trabalho estão sendo desenvolvidas, e o grupo já está preparando ferramentas para compras de insumos em conjunto, “pool de vendas”, eventos técnicos etc.

A informação sobre o mercado do gado gordo no RS, por consequência, da formação de preços do gado de reposição são muito limitadas. Infelizmente, ainda vivemos na fase das fontes enviesadas, na qual o comprador traz notícias de muita oferta, escalas curtas e retração no consumo. Ouvimos, ficamos em dúvida, não acreditamos muito e não temos muito como checar o que está ocorrendo. Muito pode ser feito pela pecuária gaúcha para termos melhores informações acerca do comércio do nosso produto (boi e carne), mas, por ora, tem sido pouco efetivo pedir que nossas entidades se dediquem verdadeiramente a essa missão. Então o jeito é arregaçar as mangas. Parabéns ao Grupo Negócio Direto por tentar fazer a sua parte.

*Texto redigido com informações recebidas de Ricardo Giuliani (ND) e opiniões pessoais do autor.
* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Fevereiro, 2020)




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