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Tecnologia à frente: Inseminação Artificial avança no primeiro trimestre

Informação, Mercado | 18 de Junho de 2020

Por Fernando Furtado Velloso
Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

A ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial), entidade que participo da atual gestão, divulgou publicamente, no início de maio, o relatório INDEX ASBIA 1º Trimestre/2020. Os dados são recebidos de todas centrais afiliadas e representam, aproximadamente, mais de 90% do mercado de inseminação do Brasil. O recebimento e a compilação de todas as informações são realizados pela CEPEA/ USP, garantindo, assim, total confidencialidade e transparência nos resultados. Os relatórios da ASBIA vêm sendo importante ferramenta de trabalho para as empresas do setor e as associações de raça, pois demonstram os movimentos do mercado, que tipo de genética (raças e cruzamentos) está sendo mais buscada pelos pecuaristas e, também, que regiões ou estados utilizam mais ou menos a tecnologia da inseminação artificial em seus rebanhos de corte e leite. 


Para as associações de raças, os relatórios apresentam as participações das diferentes raças zebuínas e europeias no mercado, permitindo, assim, monitorar o crescimento ou a perda de espaço de diferentes grupos raciais. As informações de importação e exportação de genética também permitem que os criadores interpretem e compreendam o fluxo comercial do produto.

Em 2020, a ASBIA trouxe mais um avanço em seus relatórios e apresentou, pela primeira vez, as informações municipalizadas, possibilitando ainda maior compreensão do uso da inseminação artificial em diferente locais do Brasil. Poderemos, agora, acompanhar o fluxo do produto desde a sua produção até o seu destino final. Em relação a dados municipais, a ASBIA recebeu, apenas no 1º trimestre de 2020, os dados de 3.230 municípios, representando uma abrangência de 57% dos municípios do Brasil. Nesse período do ano, historicamente, apresenta menor movimentação de doses do que os demais trimestres.

Podemos resumir alguns bons resultados do mercado de inseminação de janeiro a março de 2020 em relação ao mesmo período em 2019:

  • Importação de sêmen: crescimento de 27%, de 1,62 milhões para 2,0 milhões de doses;
  • Produção de sêmen: crescimento de 20%, de 1,97 milhões para 2,37 milhões de doses;
  • Corte – venda: crescimento de 32%, de 1,56 milhões para 2,37 milhões de doses;
  • Leite – venda: crescimento de 4%, de 1,09 milhões para 1,13 milhões de doses;
  • Exportação: crescimento de mais de 100%, de 34 mil doses para 82 mil doses;


Em relação à área de produção de sêmen, atividade que atuo mais proximamente, posso comentar que o relatório demonstra um comportamento que vemos em nosso dia a dia, especialmente nas raças de corte. Está ocorrendo, em 2020, clara tendência da ampliação da produção de touros nacionais, em função de todas as dificuldades e indefinições da economia global com relação ao novo coronavírus. Neste momento, está mais cara e mais complicada a importação de produtos em função do câmbio, da logística etc. De outra parte, a dita genética nacional (touros produzidos no Brasil) vem avançando em qualidade ano a ano, podendo, na atualidade, concorrer no mercado com os produtos importados. Os criadores brasileiros vêm incorporando cada vez mais tecnologia na produção e na seleção dos reprodutores (avaliação genética, ultrassonografia de carcaça, genômica etc.), tornando-os mais próximos e competitivos em relação ao produto importado. Na pecuária leiteira, na qual há grande predomínio de genética importada, passamos, também, a ter mais touros em produção no Brasil (importados vivos ou nacionais), especialmente em função do avanço da genômica na seleção de touros jovens. São os tais “touros genômicos”, que estão povoando os centros de coleta mundo afora e por aqui também.

Os resultados desse primeiro trimestre e o crescimento do mercado de inseminação nos últimos 15 anos vêm sendo monitorados e demonstrados pela ASBIA através de seus relatórios. A adoção dessa tecnologia no campo demonstra claramente a busca dos pecuaristas por melhoramento genético de seus rebanhos e também a busca de melhor eficiência reprodutiva com o uso mais intensivo de biotécnicas da reprodução (inseminação convencional, IATF, transferência de embriões etc.). A IATF passou a ser a forma predominante de inseminação em vacas de corte, e o pecuarista já percebeu que, em muitas situações, a técnica vai além do melhoramento genético, mas passou a ser uma ferramenta para gestão da reprodução dos rebanhos e também uma forma de ampliar a eficiência reprodutiva com custos menores em comparação à monta natural.

O setor de inseminação artificial no Brasil vem trabalhando há muitos anos para levar tecnologia ao campo e faz parte dos bons resultados obtidos pela pecuária de nosso País. Buscando reforçar essa mensagem, a ASBIA lançou a campanha “Tecnologia à Frente”, através do depoimento de diversos técnicos e pesquisadores muito respeitados no País. Conheça esses depoimentos e fique orgulhoso também com o bom trabalho que estamos fazendo no campo no canal do YouTube da ASBIA. Não é hora de retroceder, mas sim de avançar com mais tecnologia. Assim, estamos construindo a pecuária vencedora de nosso País. Vem conosco: tecnologia à frente.

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Junho, 2020)

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