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RS: Redução na idade do abate de novilhos

Informação | 28 de Novembro de 2020

Por Danton Júnior

Precocidade nos campo
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Estudo indica busca por uma carne mais macia e melhoria na nutrição animal

A busca por uma carne mais macia e a maior oferta de alimento para o gado provocaram uma transformação na pecuária gaúcha nos últimos dez anos. Levantamento feito pelo Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), aponta que a média de idade dos animais abatidos está em queda. A utilização de animais com até 24 meses nos frigoríficos vem aumentando, enquanto que a faixa etária dos 36 meses ou mais vem perdendo espaço - embora continue com a maior parcela. Em 2010, segundo o estudo, menos de um quarto dos animais (22,4%) eram abatidos com 24 meses ou menos. Para 2020, a projeção é de que esse percentual suba para 45%.

“Com toda essa onda gourmet, está havendo uma valorização dos animais que oferecem carne mais macia, e isso estimula esse aumento de produtividade e redução de idade de abate”, afirma o coordenador do NESPro/Ufrgs, Julio Barcellos. De acordo com ele, a tendência é que os bois com mais de 36 meses praticamente desapareçam do mercado em 2021.

A redução da idade de abate não cabe apenas a uma decisão do pecuarista. É necessário que o animal atenda aos requisitos do mercado, especialmente com relação ao peso. Segundo Barcellos, o peso mínimo ideal para que o animal seja enviado ao frigorífico aos 24 meses é 460kg. Antes das recentes mudanças implantadas na alimentação, o animal chegava a essa idade pesando cerca de 300kg. Além disso, o especialista ressalta que é necessário apresentar de 3 a 6 milímetros de gordura de cobertura, que é a capa de gordura por fora do animal que auxilia na conservação e na suculência da carne. A genética e a boa sanidade do rebanho também estão entre os principais fatores que podem acelerar o ganho de peso, segundo Barcellos.

A precocidade pode garantir ao pecuarista uma bonificação de cerca de 10%. Mas, por outro lado, a melhoria da alimentação dos animais requer investimentos. Segundo Barcellos, os animais acima de 36 meses ainda representam uma parcela considerável dos abates (cerca de um quarto) porque muitos produtores têm dificuldades em implantar essa adaptação, seja porque não contam com a agricultura, ou porque atuam com pequena escala, ou ainda por contar com campos mais difíceis para executar o sistema. No entanto, o coordenador do NESPro acredita que o abate de animais jovens possa ser favorecido pelo atual ciclo de valorização do boi, com o quilo vivo cotado a R$ 8,40 - bem diferente do que havia ocorrido nos últimos cinco anos. Um exemplo disso são os investimentos recentes feitos por pecuaristas em silagem, confinamentos e novas pastagens, o que faz com que o animal ganhe peso de forma mais rápida. “A valorização do produto estimula a investir em tecnologia”, resume Barcellos.

A terminação precoce dos bovinos depende de quanto peso o animal ganha por dia. Nos sistemas baseados nas pastagens naturais, o índice costuma crescer na primavera e no verão, perde intensidade no outono e diminui no inverno, pela menor disponibilidade de comida para o gado. Tudo mudou com a expansão da soja em áreas onde até então predominava a criação de gado.

“Com o advento da integração lavoura-pecuária, boa parte das propriedades passou a ter pastos cultivados de inverno de alta qualidade”, observa Barcellos. Isso permitiu que esses pecuaristas tivessem pastagens cultivadas a um custo menor do que se tivessem o cultivo de forma isolada. Tanto que o avanço no abate de animais jovens coincide com a expansão da soja em áreas de pecuária, que se intensificou a partir de 2010. Outros produtores passaram a complementar a dieta com rações no inverno, em sistemas de confinamento ou semiconfinamento. Houve ainda aqueles que optaram por fornecer suplementação imediatamente após o desmame.

Para os frigoríficos, que têm reclamado da escassez de matéria-prima, uma das vantagens é que a diminuição do prazo de terminação permite uma produtividade maior. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen, o crescimento do abate de animais jovens é atribuído à qualificação do produtor, o que tem permitido essa precocidade na terminação dos animais, e também ao fato de o produto ter caído no gosto do consumidor. Isso não significa que a carne de animais com mais de 36 meses tenha má qualidade.

“Mas, quanto mais precoce e mais jovem o animal, normalmente a carne tende a ser mais macia”, complementa o dirigente. A redução da idade de abate tem se mostrado uma tendência mundial. A China, principal comprador da carne bovina brasileira, só adquire produtos provenientes de animais abatidos até 30 meses. Porém, a indústria já solicitou que essa restrição seja retirada. “Por enquanto, não temos notícia de algum avanço neste sentido, mas isso abriria mais oportunidades ainda para a carne brasileira”, observa Lauxen.

Eficiência na nutrição

Dentro da porteira, um dos principais desafios para se alcançar a precocidade de novilhos é a alimentação animal. O planejamento que irá levar a um novilho precoce começa antes mesmo de o terneiro nascer, por meio da chamada nutrição uterina. “Quando a vaca está bem nutrida, com certeza o terneiro que está dentro dela também está. Ele já nasce mais forte e vai ter uma resposta melhor em ganho de peso”, explica o pecuarista Sergio Barbieri, da Fazenda Santa Prenda, de Bagé, que comercializa animais de 18 a 24 meses com o frigorífico. Os animais da raça Braford chegam aos dois anos de idade apresentando cerca de 540 kg de peso vivo e 260kg de carcaça.

Considerando que um terneiro nasce com cerca de 30kg, o ganho de peso deve ser de cerca de 1kg por dia para que seja abatido com até 24 meses. Para alcançar esses números, Barbieri conta que utiliza suplementação no cocho nos períodos de maior escassez forrageira. É o caso da época em que as pastagens de inverno chegam ao final do seu ciclo. A falta de chuvas, a exemplo do que tem ocorrido nos últimos dias, também contribui para reduzir a oferta de campo nativo. No verão, as opções do pecuarista são o sorgo pastejo ou o capim-sudão. Na fase final da terminação, há ainda o uso de suplementação energética, acelerando a deposição de gordura (mínimo de 3 milímetros) e contribuindo com o ganho de peso. O pecuarista faz questão de ressaltar, também, a importância do investimento em genética, com a utilização de animais avaliados em suas DEPs (diferença esperada na progênie) por meio das associações de criadores.

O resultado é uma bonificação de até 10% no valor pago pelo frigorífico por cada animal. Um animal de 24 meses, por exemplo, pode ser comercializado por cerca de R$ 5,5 mil. Segundo Barbieri, o investimento agregado em cima de genética e alimentação proporciona ganhos significativos, principalmente pela situação atual de valorização do gado. “Cada vez mais se torna inevitável o uso de genética, oferta de alimentação de qualidade, bem-estar animal e controle sanitário eficiente, pois o mercado consumidor e de exportação está cada vez mais exigente e, além de sermos remunerados por isso, temos um incremento na produtividade de quilo por hectare em todo o ciclo”, resume Barbieri.

Em Santiago, na Fazenda Santa Cecília, o criador e zootecnista Fernando Cardoso Gonçalves trabalha com foco na produção de novilhos precoces. O pecuarista observa que, para um boi abatido aos 36 meses, a criação representa três anos de investimentos. Porém, se o animal for abatido aos 18 meses, estes custos caem pela metade. “Basicamente, o que nos leva a migrar de um sistema para o outro é tentar ser mais eficiente no processo de produção”, resume. O potencial para animais de 18 meses, segundo ele, é de até 600kg de peso vivo. O grande desafio é que, assim como há fases em que o animal ganha peso, também há momentos com menor disponibilidade de comida, em que pode haver perdas. “É uma gaita que abre e fecha”, compara.

Por isso, a alimentação deve ser planejada desde o nascimento. Além das pastagens, Gonçalves disponibiliza silagem, pré-secado de azevém e palha de aveia aos animais nas fases de maior escassez. 

Mercado premia maciez da carne

A maciez é a principal qualidade da carne buscada pelo mercado. Essa característica está diretamente ligada à idade do animal. “Até 24 meses, todo animal tem carne macia”, explica Julio Barcellos, coordenador do NESPro/Ufrgs. Por isso, programas de carne certificada têm oferecido bonificação por uma carne diferenciada, tendo como principal critério a idade máxima do animal. A busca por uma carne macia é ainda mais importante em determinados cortes. “Um entrecot, para ser feito grelhado, precisa ser macio. É diferente de um patinho, que vai ser cozido”, observa o professor.

Quanto ao futuro, Barcellos acredita que a tendência é de que em cinco anos não haverá mais o abate de animais com mais de 36 meses. “Os animais de 24 meses serão o grande contingente, 70% vão ser abatidos com essa idade”, confia. Mesmo assim, o especialista observa que a carne de 36 meses tem boa qualidade, e ressalta que o país não tem um poder aquisitivo tão elevado para consumir apenas carne de altíssima qualidade.

Ciclo torna-se mais ágil

A carne proveniente de animais jovens tem atraído a atenção da indústria, que enxerga no produto uma boa oportunidade de negócio. Criado há 31 anos em São Lourenço do Sul, o frigorífico Coqueiro trabalha há duas décadas exclusivamente com animais de 12 até 28 meses. “Animais de 30 meses, para nós, já são considerados velhos”, afirma o sócio-proprietário Luiz Roberto Saalfeld. O empreendimento abate 400 a 500 animais por semana, número que aumenta próximo a datas comemorativas. A carne é comercializada principalmente no Rio Grande do Sul, mas também chega a outros estados - o mais distante é o Tocantins.

No começo, segundo Saalfeld, as grandes indústrias não queriam os animais mais jovens. A empresa, então, começou a desbravar um novo nicho de mercado. “O Rio Grande do Sul não tem volume para trabalhar (a carne como uma) commodity”, resume o empresário. A empreitada foi beneficiada pelo avanço da agricultura, que permitiu que os animais fossem criados em solos mais férteis. Além disso, há a suplementação com grãos, oferecida aos animais pelos cerca de 20 produtores que fornecem matéria-prima para o frigorífico. Para que o investimento feito na propriedade seja compensado, os pecuaristas recebem um bônus de cerca de 10% pelo animal jovem.

Entre os animais abatidos dos 18 aos 24 meses, o peso varia em torno dos 280kg de carcaça. O principal requisito, segundo Saalfeld, é o acabamento de gordura. “Isso vai ser determinante para ele ser abatido jovem”, explica. Para que o animal acumule mais gordura, é necessária uma dieta balanceada entre energia e proteína. A questão nutricional, de acordo com o empresário, é o grande desafio da pecuária gaúcha na atualidade. “As células de marmoreio se definem ainda na gestação, do quinto ao oitavo mês. Se essa mãe passou fome, já compromete o desenvolvimento do animal”, observa.

Um estímulo importante para o abate de animais jovens vem dos programas de carne certificada, que classificam o gado por idade e bonificam o produtor. Segundo o presidente do Conselho Técnico da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Aldo Tavares dos Santos, o movimento de busca por maior precocidade teve início há mas de 20 anos e representa uma evolução natural da pecuária, de modo que todas as raças se alinharam a esse objetivo. Aliado a isso, um dos fatores que impulsionaram essa transformação foi o reconhecimento do mercado consumidor. Outro ponto importante, segundo Santos, é o crescimento do mercado internacional, principalmente as exportações feitas pela China, que adquire animais jovens, com boa terminação e peso. “Aquilo que se iniciou há mais de 20 anos, buscando funcionalidade e produtividade, está agora sendo brindado também por preço”, resume Santos.

Sistemas intensivos
A velocidade de terminação é uma característica das raças de origem britânica e suas cruzas. Dependendo do tipo de alimentação, os novilhos da raça Braford, por exemplo, podem ser abatidos dos 14 aos 18 meses, com peso entre 380 e 480kg, segundo a ABHB. Em regime de confinamento, o animal pode alcançar 420 a 520kg com um ano e meio da idade. “Quanto melhor a alimentação e a adequação do manejo, eles têm uma velocidade de acabamento de carcaça impressionante”, afirma Santos. De acordo com Santos, o alto preço da terra na atualidade faz com que a pecuária tenha que se “justificar”, sob pena de ser espremida pela agricultura. “Isso por um lado estimula os melhores produtores a botar a melhor mercadoria no mercado. Hoje a soja espreme a pecuária, mas ao mesmo tempo ela deixa uma herança verde no intervalo e sobra de grãos”, observa.

O programa Carne Angus, por sua vez, utiliza prioritariamente animais com até quatro dentes (em torno dos 36 meses). No ano passado, o número total de abates foi de 452 mil. Segundo a gerente nacional do programa, Ana Doralina Menezes, o volume de animais jovens aumentou de forma significativa nos últimos dez anos. “Isso está muito vinculado à origem desse animal, ou seja, o sistema produtivo. Quando temos sistemas mais intensivos, conseguimos chegar com mais facilidade a esse animal mais jovem, com peso, acabamento e demais características de acordo”, observa. Com relação ao peso de carcaça, o tabelamento é feito pelas próprias indústrias, com o objetivo de padronizar o produto.

A demanda pelas carnes mais macias encontra espaço junto a um consumidor que “aprendeu a comer bem”, segundo Ana Doralina. “Hoje o consumidor brasileiro consegue ter acesso a essa carne de alta qualidade de uma forma mais fácil”, afirma. Neste sentido, o público sabe identificar a diferença entre raças, o marmoreio e também a maciez proporcionada por uma carne precoce. “No animal mais velho, além de ele ter um pouco mais de colágeno, as ligações do colágeno são mais firmes. Para tornar essa carne mais macia, eu preciso, por exemplo, cozinhar, botar na panela de pressão”, explica. No caso do animal jovem, as ligações de colágeno são mais fáceis de serem desmanchadas. “Hoje em dia come-se parte do dianteiro na parrilha, com fogo alto”, exemplifica. Ao mesmo tempo, a gerente do programa Carne Angus afirma que as propriedades estão muito mais organizadas “para dentro da porteira”. Com mais pessoas especializadas na cria, recria e engorda, o processo tem se tornado mais ágil, de modo a produzir mais quilos por hectare.

Fonte: Correio do Povo Rural, 29/11/2020 (Por Danton Júnior) 

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