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GENÉTICA NACIONAL: touros Angus e Brangus em centrais de IA em 2020

Genética, Informação, Mercado | 15 de Fevereiro de 2021

Por Fernando Furtado Velloso
Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha

A Assessoria Agropecuária FFVelloso & Dimas Rocha realiza, pelo terceiro ano consecutivo, um levantamento dos touros Angus e Brangus ativos nas centrais de inseminação, ou seja, dos touros que estão em coleta para comercialização de sêmen. Dessa forma, conseguimos ter uma visão panorâmica do tamanho do mercado para touros nacionais como doadores de sêmen. Este trabalho, somado ao “Top 100 – Os Maiores Vendedores de Touros de Brasil” (que já chegou à sua quinta edição) está alinhado ao nosso propósito de compreender mais profundamente o mercado de reprodutores taurinos e de produzir informações não disponíveis no setor de touros.

Vamos, então, para alguns esclarecimentos sobre este trabalho e algumas conclusões que podemos já chegar em relação aos números de 2019. O levantamento foi realizado por meio da consulta direta com as centrais de inseminação no Brasil a partir da solicitação da relação dos touros Angus e Brangus nacionais em coleta (ativos) no País em 2020. Existem reprodutores importados e em coleta no Brasil, mas esses animais não foram incluídos neste trabalho. A importação de doadores vivos (especialmente dos EUA) teve bastante importância, e foram noticiadas chegadas de animais para as empresas Alta Genetics, CRV Lagoa e Select Sires – somente elas devem ter importado mais de 25 touros Angus em 2019 e 2020.

Por que o levantamento considera somente touros Angus e Brangus? No momento da redação deste texto, ainda não estavam disponíveis os dados finais do mercado da inseminação artificial no Brasil em 2020, mas é esperado um importante crescimento em relação a 2019, na casa de 35% para as raças de corte. O Relatório ASBIA 2020 é aguardado para fevereiro e deverá confirmar a expectativa ou trazer até números superiores. Com base nas informações do Relatório ASBIA 2019, podemos verificar que o mercado de inseminação em bovinos de corte está altamente concentrado nos grupos Angus, Brangus e Nelore. Essas três raças ou grupos representaram 96% do número de doses vendidas em 2019, totalizando 10,9 milhões de doses do total de 11,8 milhões de doses de todas as raças de corte. O grupo Angus e Brangus somou 6,5 milhões de doses, representando 88% das vendas das taurinas (raças europeias e sintéticas). Sendo assim, entendemos que, mapeando a participação das raças Angus e Brangus, estamos mapeando a fatia mais representativa de raças taurinas.

Levantamento Touros Angus e Brangus Nacionais em Centrais 2020

O quadro a seguir traz um resumo das informações finais do levantamento, indicando a empresa e as quantidades de touros Angus e Brangus. O levantamento possui informações muito mais detalhadas com a relação completa de touros, idade, pai etc. Publicaremos, em breve, para a consulta na internet.

  Central Angus Brangus TOTAL
1 ALTA GENETICS 36 27 63
2 CRV LAGOA 39 8 47
3 SELECT SIRES DO BRASIL 21 12 33
4 GENEX 13 11 24
5 CORT 15 8 23
6 ABS 10 10 20
7 RENASCER BIOTECNOLOGIA 10 10 20
8 PREMIUM GEN 13 5 18
9 ACCELERATED GENETICS  11 5 16
10 SEMEX 8 0 8
11 SOLUÇÃO GENÉTICA  0 5 5
12 ARAUCARIA 0 2 2
13 ST REPRO 0 2 2
14 DNA GENÉTICA  1 0 1
15 EVOLUTION 1 0 1
    178 105 283



Algumas considerações em relação ao levantamento de 2019:

1. O total de touros cresceu de 202 para 283 touros Angus e Brangus em coleta – um salto de 40%;

2. A raça Angus cresceu de 118 para 178 touros em coleta – ampliação de 51%;

3. A raça Brangus cresceu de 84 para 105 touros em coleta – ampliação de 25%;

4. Em 2019, havia maior concentração de touros em duas empresas (Alta Genetics e CRV Lagoa), e, em 2020, pode-se observar a maior distribuição em outras empresas;

5. O total de 283 touros Angus e Brangus em coleta nos permite pensar que “touro de central” já não é um nicho tão restrito de mercado aos produtores de touros.

Pelo terceiro ano, este simples levantamento nos permite visualizar com clareza que é promissor o mercado para a genética nacional. Para os produtores de touros, mirar com mais atenção para as necessidades das centrais de inseminação pode ser uma estratégia interessante para comercializar animais por maiores valores e para diferenciar a sua marca de produtor de genética.

Desde 2020, o Ministério da Agricultura passou a exigir a confirmação de paternidade dos doadores de sêmen por meio de testes de DNA. Essa exigência tem gerado mais morosidade na aprovação de alguns touros e até eventual reprovação de alguns animais. Dessa forma, é importante que os produtores de genética (cabanheiros) estejam atentos a essa nova situação, podendo antecipar-se na realização desses testes previamente à venda ou à contratação de seus touros superiores. Seguramente, será mais um item a diferenciar o seu produto na lista de possíveis escolhas das centrais.

Um novo produto está ingressando neste mercado de genética, o Ultrablack, raça resultante do cruzamento de animais Angus e Brangus. Esses reprodutores já estão presentes em algumas centrais de inseminação e, logo, poderemos medir a sua aceitação por meio dos dados de venda de sêmen. Ainda não incluímos o UB neste levantamento, mas, se percebermos a ampliação de sua importância no mercado, abriremos a sua coluna neste quadro.

Esperamos que as informações coletadas e publicadas neste levantamento sejam úteis aos envolvidos no segmento de touros. Mais dados poderão ser analisados na publicação completa, e novas conclusões ou insights poderão surgir também com essas informações. Em época de tantos navegadores disponíveis, não há mais sentido em voo cego. E vamos por mais doses. E por mais doses de genética nacional.

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Fevereiro, 2020)

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