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O negócio Touro de Central: Ano 3

Genética, Informação | 15 de Outubro de 2021
Eu gostaria de ler mais sobre touros de central. Não me refiro à genética dos animais e ao processo de congelamento de sêmen, pois, nessas áreas, temos bastante informação disponível. Mas falo sobre o negócio envolvido na comercialização e no investimento em doadores e de seus desdobramentos. Como encontro muito pouco - ou quase nada -, publicado sobre o tema, tenho escrito como forma de reunir informações sobre o assunto e de gerar novas discussões, com o compartilhamento dos conteúdos na internet. Tentando aprender mais sobre a área - que me interessa muito -, escrevo para ensinar (sobre o que nem sei muito bem). Já não é novidade que uma das melhores maneiras de aprender algo é ensinar os outros.

Em outubro de 2018, escrevi o meu primeiro texto sobre o assunto, “Touros de Central ou Ações da Petrobras”, abordando os aspectos básicos do investimento e as dúvidas mais frequentes que recebia: como estimar ganhos, quais os riscos envolvidos, como reduzir ou controlar riscos e se o tema era um bom negócio ao produtor de genética. Tentei mostrar algumas possibilidades e oportunidades tanto para vendedor como para investidor. O mundo gira tão rápido que os escândalos nacionais expiram rapidamente. Não falamos mais da Petrobras nem, tampouco, de Pasadena (EUA). Os mais jovens nem sabem o que foi o “Petrolão” e o “Mensalão”. Logo, logo, haverá versões até positivas sobre esses fatos, indicando que, novamente, foi uma construção da mídia.

Em novembro de 2020, redigi mais um texto como parte 2 desse assunto, “Na batida do martelo: touros de central em pista”, onde trouxe algumas informações sobre a presença crescente de touros de central nos leilões. Comentei sobre as ótimas vendas na temporada de primavera, onde alguns touros europeus ou sintéticos, especialmente Angus e Brangus, já andavam superando a marca dos R$ 100 mil para venda de 50% ou 100%. Essa questão da venda de uma cota (50%) ou da totalidade do animal é um bom tema para conversar também, pois os valores não respeitam muito a lógica esperada. Um lote vendido 50% não é comercializado pela metade do valor esperado para 100%. Um lote vendido 100% não é também vendido pelo dobro do valor esperado para 50%. Não compreendemos bem a cabeça do comprador ou não sabemos estimar minimamente bem o valor esperado pelo produto. Nesse texto, abordei mais questões ou preocupações que o vendedor deveria estar atento para ter melhores chances na venda de um touro de central por bom valor. Listei algumas questões em relação ao produto (dados, genealogia, homozigoto preto, informações g e n ô m i c a s , touros Jovens dos programas de melhoramento, imagens) e em relação à comercialização (touro já dentro da central, touros contratados, cota de 50%, etc.).

Já estamos em 2021. Nem podemos comparar como avançamos em relação há um ano. Na primavera passada, estávamos chuleando que as vacinas contra a Covid-19 fossem reais, boas, testadas e aprovadas. Hoje, estamos na fila de espera pela terceira dose. De tantas coisas inacreditáveis e negativas que o ser humano apresentou na pandemia, é até um alento ver a capacidade da nossa sociedade e da nossa humanidade em resolver problemas. Quando me falaram, em março de 2020, que somente sairíamos desta com a vacina, fui bem descrente. Pensei quieto: isso vai levar uma vida. Por sorte, eu estava errado e fizeram o trabalho no laboratório na mesma velocidade com que fazem estradas e pontes na China.

Chegamos aqui na terceira publicação da série sobre o negócio touro de central. Tivemos avanços? Sim, muitos. Ofertam-se cada vez mais animais em diferentes leilões. O produto deixou de ser eventual e passou a ser um item quase permanente nos principais remates. Não é mais incomum criadores que oferecem mais de cinco touros contratados. O velho normal seria oferecer somente um touro nessa situação. Já, mais ou menos, sabemos que os lotes um, dois e três dos catálogos deverão trazer os touros contratados ou já em centrais de inseminação. Avançamos nossa compreensão sobre o negócio e já queremos saber mais. Queremos detalhes sobre o volume de doses garantidas nos contratos, discutimos com mais naturalidade os percentuais de participação pagos pelas empresas.

As boas vendas de touros de central ocorridas já nesta temporada são muitas. Cito algumas de clientes ou empresas que estou mais próximo para trazer um pouco de cifras à nossa conversa. Em setembro, a Fazenda Angus Rio da Paz vendeu sete touros de central pela média de R$ 67 mil (para cotas de 50%). Destaque para Valente Easy da Rio da Paz, touro contratado pela central Semex, vendido 50% por R$ 114 mil. Na raça Braford, o touro Mãe Rainha X44 “Sniper” foi comprado pela central ABS por R$ 169,6 mil, sendo provavelmente um dos maiores valores alcançados pela raça recentemente. E, na raça Brangus, no recente remate da Brangus HP (Fazenda Anamélia), foram vendidos cinco touros contratados por diferentes centrais. O lote que gerou mais disputa foi um touro com garantia de contratação de três centrais (Alta, CRV e Semex), o lote 39 – Anamélia N305, vendido 100% por R$ 183 mil. Para muitos, o animal não era o mais “bonito” da oferta, mas tinha os melhores dados para facilidade de parto, de carcaça, e as maiores possibilidades comerciais.

Então, Velloso, vender touros de central virou um grande filão para os selecionadores? Além de vender pelo valor de três, cinco ou dez touros comerciais, é possível vender dois, quatro, seis ou mais touros por ano? Sim para ambas as perguntas. Porém, a tarefa não é fácil, não se dá mais somente com faixas de campeões ou com boas fotos. O mercado vem se refinando cada vez mais e exigindo incorporação de tecnologia no processo seletivo e nas informações disponíveis acerca do produto.

Então, Velloso, agora é a nossa vez? As centrais vão ter que pagar bem pelo nosso produto ou buscar investidores capitalizados para adquirir os touros que precisam? A resposta é sim, mas não sabemos por quanto tempo. O momento para desfrutar dessa oportunidade de mercado é agora, pois novas tecnologias e possibilidades estão batendo à porta. Recentemente, li e traduzi uma notícia sobre o primeiro touro Red Angus produto de edição gênica nos Estados Unidos. Esse touro recebeu o gene homozigoto vermelho dominante e irá gerar produtos vermelhos quando usado em vacas pretas. Exatamente o contrário do esperado normalmente. As grandes empresas de genética do mundo estão trabalhando na seleção de linhagens ou genética própria de bovinos de corte, independente de raças. Então, será o fim do fornecedor de touros para central? Talvez. E talvez seja mais rápido que o desenvolvimento de uma vacina.

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Outubro, 2021)
 
 

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