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Novas pistas abrem disputa por qualidade e Escolhas balizadas por especialistas

Correio do Povo | 24 de Outubro de 2010
CORREIO DO POVO - ANO 116 Nº 24 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 24 DE OUTUBRO DE 2010
Novas pistas abrem disputa por qualidade
Proliferação de remates cria concorrência salutar entre cabanhas. Ganha o criador

Nos últimos dez anos, o Rio Grande do Sul assistiu a um boom dos leilões de gado. Não há estatísticas oficiais sobre o crescimento, mas o fato é unanimidade entre os que fazem a roda girar. Num só dia, chega a acontecer uma dezena desses eventos de venda de reprodutores. A proliferação de remates, como os que ocorrem nesta Primavera, alimenta uma saudável concorrência entre as cabanhas, preocupadas em conservar ou ampliar a clientela.

Além de oferecer chamarizes como serviços vinculados à atividade (transporte gratuito, transmissão e programas de fidelidade), a multiplicação teve como efeito direto a qualificação de touros e fêmeas em pista. A pressão do mercado exigiu animais com mais peso na mesma idade, maior padronização e disponibilidade de informações técnicas como indicações de uso. "Com certeza, houve uma melhoria importante na qualidade média dos touros ofertados", opina o veterinário Fernando Furtado Velloso, sócio da FFVelloso & Dimas Rocha Assessoria Agropecuária. Velloso acrescenta que os criatórios tradicionais ainda estão entre os preferidos por terem processos de seleção de longo prazo, reconhecidos no mercado. Por outro lado, os novatos, se empenham de forma redobrada na qualificação do produto final para ganhar terreno.

Nesta disputa, as informações técnicas ganham peso e status. Ano a ano, os catálogos trazem mais dados sobre uso, performance e potencial reprodutivo dos touros, indicadores importantes para interessados em elevar a produtividade. E não somente para o retorno do investimento, mas para a sustentabilidade da atividade no futuro, opina Pedro Rocha Marques, do Nespro da Ufrgs. Marques alerta que, com a previsão de expansão da agricultura no Brasil nos próximos 20 anos, compradores de gado comercial serão obrigados a produzir mais animais em menos espaço, o que significa maior eficiência. Números da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) mostram que, no período, dos 15 milhões de hectares previstos de expansão de lavouras, 10 milhões de ha serão sobre áreas de pecuária. 

Apesar do crescimento no número de eventos, o mercado gaúcho de leilões está longe da saturação. Isso se deve à oferta de touros inferior à real necessidade. Considerando o rebanho de 13 milhões de bovinos e bubalinos no Estado e uma reposição teórica de 20%, seria preciso produzir 340 mil reprodutores por ano. Contudo, Marques chama atenção: 80% dos pecuaristas gaúchos não repõe os touros anualmente, mas a cada quatro anos.

Escolhas balizadas por especialistas

Afora a qualificação da oferta, o crescimento do número de leilões provoca um outro efeito positivo indireto: mais gente está negociando com a orientação de especialistas, o que profissionaliza a compra. Com a disputa acirrada entre cabanhas e a simultaneidade de pregões, especialistas das fazendas, empresas e veterinários têm sido acionados com maior frequência para indicar a escolha adequada em pista ou mesmo decidir o negócio no lugar do proprietário. Parte destes profissionais está na arquibancada, subsidiando investidores, desde empresários de outros segmentos econômicos e que pouco ou nada entendem do metiê, até criadores com dificuldade em analisar as informações técnicas dos catálogos. Outros, são contratados por cabanhas para esclarecer as dúvidas e dar segurança ao negócio. 

Consultor eventual, o professor José Fernando Piva Lobato, da Faculdade de Agronomia da Ufrgs, considera acertada a decisão de repassar a interpretação de dados do catálogo a pessoas habilitadas, em condições de indicar o touro com características fundamentais para incorporar ao gado e ao ambiente na fazenda. Assessorando nove remates nesta Primavera no Estado, Fernando Velloso (foto) avalia que o mercado está em ascensão, embora ainda num ritmo lento.

* Publicado no jornal Correido Povo de 24/10/2010 (Porto Alegre, RS) - Jornalista Patrícia Meira.

Matéria Correio do Povo - 24/10/2010