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EXPOINTER: Custo reduz inscrições de animais

Exposição | 19 de Agosto de 2013
Despesa maior com transporte e manutenção faz criadores optarem por exposição na Expointer e vendas em suas propriedades

Expor um animal na principal vitrine agropecuária do Estado, que começa a receber seus potenciais campeões a partir de hoje, requer bem além da disposição de seus criadores. Com custos que vão do frete para transportar os exemplares até a mão de obra de tratadores, o investimento tem se justificado cada vez mais para exposição do que para negócios.

As despesas fixas para trazer um animal à feira são uma das explicações para a redução de 10% do número de animais de argola inscritos na Expointer deste ano.

– O custo para deslocar um animal para feiras tem aumentado ano a ano, reforçando uma tendência verificada não apenas aqui no Estado, mas também em eventos importantes como Feicorte (em São Paulo) e Expo Londrina – compara Honório de Azevedo Franco, chefe do Serviço de Exposições e Feiras da Secretaria da Agricultura.

Conforme Franco, se a perspectiva se consolidar nos próximos anos, cada vez mais os criadores irão optar por vender seus animais em remates regionais ou nas propriedades, e levar à feira somente animais selecionados. Entre as raças bovinas, a redução dos animais foi de 18%, com destaque ao hereford, que terá volume 50% menor de exemplares neste ano. Conforme o presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford, Fernando Lopa, a redução deveu-se também ao atraso nas pastagens em razão do clima rigoroso do inverno. Para Lopa, a escolha dos criadores em participar de feiras que exigem despesas maiores é feita de acordo com o momento do mercado e a expectativa de negócios:

A redução de animais inscritos verificou-se também entre os ovinos, com texel registrando queda de 27%.

– Nosso período de maior comercialização é no verão, por isso alguns produtores preferem esperar para vender até para conseguir um preço melhor – explica Paulo Schwab, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco).

QUANTO CUSTA LEVAR UM ANIMAL A ESTEIO
Despesas envolvidas no transporte e na manutenção de um bovino
- Inscrições: variam de R$ 150 a R$ 250 por animal
- Frete: R$ 3 a R$ 5,50 por quilômetro rodado. (Para cada 500 quilômetros, cobra-se em média R$ 1,5 mil para transportar até 20 animais)
- Tratador de animais: diárias custam de R$ 100 a R$ 150, sem contar horas extras e alimentação
- Se o animal permanecer no parque nos nove dias da feira, são mais de R$ 1 mil para um tratador, sendo que são necessárias no mínimo duas pessoas para cobrir todos os turnos
- Alimentação: por estarem longe do ambiente habitual, muitos animais precisam de alimentação adicional à ração e feno, com alguma suplementação
- Custos extra financeiros: perda de peso dos animais e estresse em bretes. Alguns bovinos rústicos chegam a perder 20 quilos no deslocamento e nos dias que permanecem no parque, por estranhar a água e o ambiente.

Fonte: Fonte: Associação Brasileira de Hereford e Braford

Mais negócios nas fazendas
Valorizar a Expointer como exposição e deixar os negócios para dentro da fazenda foi a estratégia adotada pela Gap Genética, de Uruguaiana. O remate de cavalos crioulos realizado no ano passado em Esteio, responsável por um dos maiores faturamentos da feira (R$ 3 milhões), será promovido no fim de setembro, na sede da propriedade. Para a Expointer, a cabanha irá levar apenas um cavalo crioulo para disputar o Freio de Ouro, além de outros dois para exposição e oito bovinos da raça brangus premiados.

– Decidimos unificar os remates de crioulos e bovinos em um só evento, dando oportunidade para os compradores conhecerem onde os animais são criados – explica Márcia Linhares, uma das administradoras da Gap.

Para o consultor agropecuário Fernando Furtado Velloso, a importância de feiras agropecuárias para seleção de animais passou a dividir espaço com a incorporação de novas tecnologias nos processos de seleção e melhoramento.

– Antigamente, ser campeão de uma feira era a principal forma de valorizar os animais. Hoje, há análises técnicas complementares à exposição para selecionar exemplares mais eficientes geneticamente – explica Velloso.

Zero Hora, 19 agosto 13
joana.colussi@zerohora.com.br
JOANA COLUSSI


Menos animais, mais qualidade
Expointer se mantém como grande vitrine do agronegócio gaúcho apesar da redução de 2% no número de inscritos em 2013. 

Aredução geral das inscrições para a 36ª Expointer, de 24 de agosto a 1˚ de setembro, tornou transparente a tendência nacional de exposições com menos bovinos. O movimento silencioso das cabanhas se verificou na Feicorte (SP), na Expolondrina (PR) e chegou à mais tradicional mostra agropecuária da América Latina, que tem suas raízes justamente nos animais, considerados as estrelas do evento. São inúmeros os fatores para o fenômeno, que ninguém arrisca dizer quanto tempo irá durar. Mas há uma unanimidade: nunca o conceito de vitrine será tão verdadeiro em Esteio. É consenso que a decisão de trazer times menores carrega uma maior seleção nas pistas de julgamentos e remates. O custo de preparação dos animais e as despesas para a permanência nas exposições estão no topo da lista de argumentos que provocaram a pisada no freio tanto entre gado de argola quanto rústico, diz Raul Torrente, presidente da Associação Brasileira de Brangus. Para apresentar dez bovinos, uma cabanha
mediana tem custo aproximado de R$ 15 mil em transporte, inscrições, estada e despesas com funcionários pelo período de quase duas semanas. E para que cada
um destes animais possa vencer lá se vão de R$ 300,00 a R$ 500,00 ao mês. A escassez de cabanheiros de ofício, pela saída de jovens do campo e alta demanda com a proliferação de cabanhas de investidores de outros setores, colabora. Para completar o quadro, os resultados de julgamentos, verdadeiros cartões de visita dos animais,
têm sido desmerecidos em detrimento da seleção por ferramentas como a Diferença Esperada de Progênie (DEPs). “Este é um movimento muito forte, liderado por centrais de inseminação”, critica um pecuarista.
No caso dos bovinos rústicos, cujo principal objetivo em exposições é a venda, o recuo tem um componente adicional: o fraco desempenho comercial em Esteio nos últimos tempos. De acordo com o presidente da Comissão de Feiras e Eventos da Farsul, Francisco Schardong, nos últimos dois anos os preços no parque foram inferiores aos obtidos nas feiras oficiais, que estão vendendo cada vez mais rústicos, e aos dos remates particulares. Para o leiloeiro Marcelo Silva, a maior prova disso é que 85% do faturamento com animais na feira tem sido puxado por apenas três raças dentre mais de 30 presentes no parque: os cavalos Crioulos, os bovinos Angus e os
ovinos Texel. Leiloeiros acrescentam que, no caso da Expointer, dificuldades logísticas como acesso ao parque e pistas e pavilhões em condições longe do ideal afugentam investidores.
Então por que, apesar de todos os obstáculos, o expositor ainda participa da Expointer? À frente de uma das cabanhas de ponta do Estado, a Rincon del Sarandy,
de Uruguaiana, Ignácio Silva Tellechea, responde de pronto: “É muito conveniente ir a Esteio, a gente faz uma propaganda muito forte que irá gerar negócios, além disso, é o momento de verificarmos se estamos fazendo direito nosso trabalho de seleção”. Apesar de ninguém imaginar a Expointer sem suas estrelas, o gerente executivo da Associação dos Criadores de Zebu, Nathã Silva de Carvalho, teme perda ainda maior do protagonismo que já ocorreu desde o avanço da presença da indústria de máquinas no parque Assis Brasil. Por isso, pediu uma reunião das associações de raça para depois da Expointer. “Precisamos alternativas comerciais, Esteio é
uma vitrine e tem que ser fortalecida”, pontuou.

Correio do Povo, 19 agosto 2013
Patrícia Meira




Expointer 2013

Foto: Divulgação/Assessoria