Nos dias 23 e 24 de julho o Mosaico do Agronegócio, organizado pela SIA (Serviço de Inteligência em Agronegócio), levou ao Park Hotel Morotin, em Santa Maria, cerca de 400 pessoas dos estados de RS, SC e PR, entre produtores rurais, empresários e profissionais do ramo, para transmitir uma ideia do atual agronegócio gaúcho e discutir aspectos a serem melhorados e explorados para otimizar a produção pecuária, agrícola e florestal do estado.
No dia 23 (quarta-feira), o propósito era transmitir conhecimentos básicos e gerais para o público que prestigiava, servindo como base para assuntos mais específicos conforme o andamento do evento. O evento teve início às 16 horas com a chegada e credenciamento dos participantes, a solenidade de abertura estava prevista para as 17:30 horas e logo as 18 horas já ocorria a primeira palestra, ministrada pelo Dr. Alexandre Mendonça de Barros, falando um pouco sobre as “Oportunidades e desafios para o agronegócio brasileiro”. Na sequência, foi a vez do Dr. José Luiz Tejon Megido, que discutiu sobre um paradigma, “Do agronegócio para a agrossociedade”. Dando encerramento aos trabalhos do dia, houve uma interação com os palestrantes, abrindo a oportunidade para o público fazer perguntas e discutir com os mesmos e por fim um Mosaico Agrocultural.
No dia 24 (quinta-feira), o evento teve início às 8 horas com a palestra do Dr. Ibanor Anghinoni, falando sobre o “Mosaico da evolução territorial e tecnológica da agricultura no Rio Grande do Sul”, neste tema foi tratado sobre a evolução territorial, tecnológica e também sobre a ocupação dos solos do Rio Grande do Sul com o passar dos anos, criando uma relação de cada um com a produtividade que era obtida. Na sequência, foi a vez do Dr. José Fernando Piva Lobato, levando em pauta o tema da “Evolução territorial e tecnológica da pecuária no Rio Grande do Sul”. A palestra teve início falando um pouco sobre a pecuária leiteira e a ovinocultura, demonstrando a evolução da produção nestas atividades, porém, na maior parte do tempo foi tratado sobre a pecuária de corte, levando ao público um panorama desta atividade no Rio Grande do Sul e também a evolução dos índices zootécnicos com o passar do tempo. Foi possível ver que a pecuária obteve melhorias de alguns anos para os dias de hoje, mas muito abaixo do que pode e deve alcançar. Foi também tratado sobre a importância de um correto manejo forrageiro e por fim foram traçadas metas que devem ser alcançadas para a pecuária gaúcha se tornar mais rentável e competir melhor com outras atividades.
Na terceira palestra do dia, o Dr. Alexandre C. Varella, da Embrapa Pecuária Sul, falou sobre a “Inserção de plantios florestais em sistemas agrícolas e pecuários no Rio Grande do Sul”. Foi tratado sobre a evolução territorial e tecnológica das áreas de florestas no estado e também foi falado sobre o zoneamento das áreas de risco. Outros assuntos interessantes da palestra foram as citações de alguns itens de interesse coletivo e os diversos sistemas de integração, com seus benefícios e malefícios, suas perspectivas, oportunidades e desafios.
Na última atividade da manhã, foram convidados para subir ao palco os palestrantes e alguns convidados, para realizar um “Mosaico da Sustentabilidade”, onde foi feita uma plenária sobre impactos econômicos, ambientais e sociais do uso da terra com agricultura, pecuária e floresta no Rio Grande do Sul, mediado pelo Dr. Carlos Nabinger. O primeiro convidado a falar foi o Sr. Ivo Mello, do IRGA, que perguntou sobre as políticas de sustentabilidade, licenciamento, entre outros. Se estas ferramentas tem dado resultado, se tem uma forma de medir a melhoria. Com a resposta, o Dr. Ibanor Anghinoni respondeu que o primeiro e principal indicador é as condições do solo e os indicadores químicos, obtidos através de análise do solo. Outro fator que deve-se levar em conta é o balanço de carbono da atividade que se está praticando. Porém, o Dr. Ibarnor finalizou dizendo que “Qualidade do solo é muito mais do que fertilidade do solo”.
Na sequência foi convidado a falar o Sr. Danilo de Menezes Santana (Embrapa Sul), que falou bastante sobre a soja nas áreas de pecuária e questionou de que forma podemos diversificar produtos sem desarticular atividades e como corrigir os problemas e baixa eficiência da pecuária. Com a palavra o Dr. José Fernando Piva Lobato respondeu que o principal problema da pecuária é a baixa eficiência do rebanho de cria, que é alvo do “mal estar” animal, sendo estas fêmeas alojadas em áreas de baixa fertilidade e com carga muito elevada, se alimentando apenas de pasto nativo, que varia durante todo ano quanto à quantidade e qualidade, o que influencia diretamente na eficiência produtiva desta categoria e a renda do produtor. Exemplificou esta falta de eficiência com a taxa de desmame média do estado, que produz 56 terneiros para cada 100 vacas por ano.
Na última pergunta do Mosaico foi passada a palavra para o Sr. Paulo Cezar Azevedo que questionou sobre como dar sequência a projetos florestais e ressaltou que não é preciso entrar com a atividade florestal em áreas agricultáveis, pode-se produzir em áreas desfavoráveis a produção agrícola e pecuária, como áreas marginais. Disse ainda que a atividade florestal não é como a atividade agrícola ou pecuária, é uma atividade que ao não dar certo, deixa consequências muito graves no ambiente. Respondendo ao Sr. Paulo Azevedo, o Dr. Alexandre C. Varella disse, que realmente a atividade florestal viveu um momento de grande euforia e que faltaram ferramentas mais adequadas para ver onde as atividades florestais realmente podiam chegar. Disse ainda que os modelos de integração eram muito curtos e decepcionaram o produtor e esteve de acordo quanto que o plantio em áreas marginais é mais adequado.
Dando término ao Mosaico da Sustentabilidade, o Dr. Carlos Nabinger passou a palavra ao economista Antônio da Luz, que disse que não existe economia sem o meio ambiente, assim como o meio ambiente não existe sem a economia. Ele disse que ter uma sociedade rica é importante para a sustentabilidade ambiental, países que atingem um determinado patamar econômico poluem menos e demonstrou que existe uma grande relação entre renda per capita e poluição ambiental. Entre os diversos exemplos citados pelo economista, um deles foi os smartphones, que além de ligar e mandar mensagens, como faziam os telefones mais antigos, eles também mandam e-mail, scaneiam e muitas outras ferramentas, ou seja, é um objeto que serve como vários e que desta forma, inibe o uso de outros objetos e isso reduz a produção dos mesmos, reduzindo a poluição.
No final desta etapa, Roberto Grecellé, do Sebrae, tomou a palavra e administrou uma conversa coletiva, permitindo ao público o acesso ao microfone para levantar mais desafios do agronegócio que ainda não foram citados. Desta forma, além dos desafios já citados durante o evento, o público levantou outros pontos, como:
- Investimento para o controle do Annoni;
- Retirar gado das estradas;
- Ações para destravar o licenciamento ambiental;
- Conservação do solo;
- Carga tributária, gestão e burocracia;
- Incorporar uso de áreas agrícolas para pecuária no inverno;
- Sucessão do homem no campo;
- Fomentar ações no ensino fundamental e médio – Ensino da economia;
- Investir em transferência de tecnologias;
- Controle de abigeato;
Neste momento, Davi Teixeira tomou a palavra para falar um pouco sobre Sistemas Integrados de Produção Agropecuária (SIPA). Foi citado que é preciso ter um plano de produção integrado, buscando uma maior conservação do ambiente sem abrir mão de boas produtividades, além de reduzir problemas como incidência de doenças, entre outros. Foi falado também sobre as oportunidades deste sistema e a possibilidade de incrementar a renda e melhorar o ambiente com a Integração Lavoura Pecuária (ILP).
Na penúltima parte do evento foi solicitado ao público que fizesse uma votação quanto aos principais desafios da região norte e sul do estado, com base nos desafios citados pelo evento e incrementados pelo público. Na região norte do estado foi eleito pelo público como principais desafios:
1 - Infraestrutura e transporte competitiva (12,7%);
2 – Paradoxo: evolução cultural x realidade de curto prazo (9,8%);
3 – Desafio produção x conservação do meio ambiente (8,8%);
4 – Sucessão do homem no campo (6,9%);
5 – Incluir a pecuária familiar na produção com qualidade e produtividade (5,6%).
Na região sul, foram considerados como principais desafios:
1 – Aumentar índices produtivos e reprodutivos (9,4%);
2 – Desafio produção x conservação do meio ambiente (8,2%);
3 – Infraestrutura de transporte competitiva (7,0%);
4 – Incluir a pecuária familiar na produção com qualidade e produtividade (6,4%);
5 – Paradoxo: Evolução cultural x resultado de curto prazo (5,6%).
Finalizando o evento, foi dada a palavra ao Dr. Paulo Carvalho, que realizou uma palestra quanto ao SIPA (Sistemas Integrados de Produção Agropecuária). Ele relatou que este sistema melhora a conservação do recursos naturais, aumenta a eficiência de uso dos insumos, incorpora mais carbono no sistema e se trata de uma atividade com sustentabilidade e intensificação. Foi possível ver que o SIPA é um sistema que está no meio termo entre os sistemas que visam apenas a lucratividade e os sistemas que visam apenas a conservação do ambiente. Foi enfatizado também a importância da diversificação – “Quanto mais você diversifica, mais aumenta sua produtividade” ... “Sistemas de integração pastoreio-produção de grãos tem maior produtividade com menor emissão de carbono” (Dr. Paulo Carvalho).
O evento apresentou uma estrutura das atividades bastante interessante, iniciando com conhecimentos gerais que serviram como base para aprofundar cada vez mais no assunto conforme o evento se aproximava do seu final, permitindo uma discussão coletiva, com a participação do público, sobre os assuntos do agronegócio gaúcho.