as vendas de primavera, as atenções do pecuarista gaúcho voltam-se à “safra” do próximo ano. O manejo correto durante a estação de monta é essencial para obter bons índices reprodutivos, principalmente em um Estado onde 90% do gado é entourado. Com índice de prenhez de 60%, embora algumas propriedades cheguem a 80%, o RS tem potencial para ampliar a produção de terneiros.
Em época de valorização do produto, a antecipação da estação de monta e a redução do ciclo, adotadas por alguns produtores, tornam-se alternativas para aumentar a produtividade. Segundo o veterinário Silvio Menegassi, do Nespro da Ufrgs, a mudança deve ocorrer paulatinamente, realizando o ciclo 15 dias mais cedo a cada ano. “Quanto mais cedo nós entourarmos, melhor será, pois não vamos entrar na área mais estressante, janeiro e fevereiro”, explica. A medida, no entanto, exige a disponibilidade de alimentação às vacas.
A estratégia de aumentar a produção ampara-se na valorização do terneiro, com preço superior a R$ 5,00 o kg/vv. “O Estado tem 6 milhões de vacas, mas temos a metade parindo”, diz ele. “Se aumentarmos mais 10%, vamos ter mais 500 mil vacas parindo, o que representa mais 800 mil terneiros”, completa.
O pecuarista Luiz Fernando Dorneles, de São Luiz Gonzaga, adotou a antecipação pela primeira vez nesta temporada. O entoure das novilhas, que antes se iniciava em 1˚ de novembro ocorreu em 15 de outubro. O período da estação de monta caiu de 120 para 90 dias. A meta é chegar a 75. Para Dorneles, a grande vantagem é a padronização de idade dos terneiros, o que facilita na hora da comercialização. Além disso, ele evitou o calor de janeiro e fevereiro. “Na nossa região a temperatura é extrema”, afirma. Ele ressalta que conseguiu antecipar porque trabalha com pastagens cultivadas.
Com um índice de prenhez top — 80% —, a GAP Genética, de Uruguaiana, planeja mais para a próxima temporada. Na atual safra, o clima favorável, sem estiagem, permitiu à empresa colocar em prática a antecipação da monta. “Podemos antecipar um pouco o entoure ou a inseminação fazendo com que também antecipemos a colheita da nossa lavoura”, resume o diretor comercial, João Paulo Schneider. “Isso é bom. Os animais nascendo mais cedo, mais cedo podemos sair vendendo.”
Uma das técnicas utilizadas para antecipar a prenhez é a inseminação a tempo fixo (IATF). Segundo o consultor Fernando Velloso, da Assessoria Agropecuaária FF Velloso & Dimas Rocha, a tecnologia ganhou espaço por estar mais barata. Em uma década, o preço caiu para um terço ou menos por vaca. “Hoje, alguns protocolos podem ser feitos com menos de R$ 15, sem o sêmen”, calcula.
A técnica está baseada no uso de hormônios reprodutivos, como a progesterona — que não devem ser confundidos com hormônios anabólicos. “O pecuarista consegue nduzir e sincronizar o cio. Com isso, consegue inseminar um grande número de vacas com tempo fixo, ou seja, no mesmo dia, e promover a antecipação do serviço e, por consequência, dos partos”, observa. A medida colabora para uma maior padronização da produção e uma estação de monta mais curta, por exemplo, de 60 dias.
As dicas para uma estação de sucesso
Para uma estação de monta bem-sucedida, os cuidados se iniciam antes do período de reprodução. Segundo Menegassi, o manejo principal é examinar o touro para verificar se ele está apto a cobrir vacas. É necessário realizar o exame físico e de sêmen, para observar as condições do animal para a temporada. O touro tem de apresentar libido e capacidade de identificar fêmeas no cio.
O criador deve ter cuidado com a distribuição dos touros no rodeio de cria, observando o comportamento dos animais, em especial os mais jovens. Touro aspado e touro mocho não devem ser colocados no mesmo lote de vacas. Menegassi recomenda a proporção de um touro para cada 30 a 40 vacas, dependendo do tamanho da invernada, da idade do macho e da ciclicidade da fêmea.
Passado o período de monta, a atenção permanece. Segundo o especialista, é importante reexaminar os reprodutores após a estação e fazer uma seleção entre os ventres para a escolha dos campos a que eles serão destinados. “As novilhas jovens que já estão prenhes devem ir para os melhores campos. As vacas que já estão na terceira ou quarta cria devem ocupar os campos de condição não tão boa”, explica.
Reexaminar o reprodutor é importante principalmente para estar atento aos aspectos físicos. Os touros que trabalham mais estão mais suscetíveis a problemas de casco, lombo e testículos, entre outros. “Se isso for identificado tão logo termine a temporada de monta, poderão ser tomadas atitudes que são de descartar os touros que têm que ser realmente descartados, ou tratar aqueles
que podem ser tratados.”
Fonte: Correio do Povo / Danton Júnior (24/11/2104)
Foto: Divulgação/Assessoria