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Exigências dificultam combate ao abigeato

Informação | 02 de Janeiro de 2015
Dificuldade da falta de exames de que carne é imprópria ao consumo

Uma estratégia desenvolvida há dois anos por um delegado de Bagé para intimidar o elo receptador da carne abatida clandestinamente não vem apresentando os resultados que poderia. O motivo são as exigências do Judiciário que não estão sendo atendidas. 

De acordo com o delegado Cristiano Ritta, que realiza operações
regulares no comércio de Bagé sempre na companhia de fiscais tributários e de agentes da Vigilância Sanitária e da Inspetoria Veterinária, os proprietários dos estabelecimentos detidos por crimes contra a lei de consumo são absolvidos dias ou mesmo horas mais tarde por conta da inexistência de exames microbiológicos que comprovem que a carne está imprópria para o consumo. “O que nos conforta, pelo menos parcialmente, é o sentimento de que temos feito a nossa parte. Ele é liberado, sim, mas o constrangimento e o desconforto são coisas que ficam”, disse. E acrescenta: “Seguramente, esse sujeito vai pensar duas vezes antes de aceitar a carne ilegal de novo”. Apesar da confiança de Cristiano, números da Secretaria Estadual da Segurança Pública apontam que o mercado de compra e venda de carne irregular continua em alta na cidade. Com 123 roubos registrados só no primeiro semestre de 2014, Bagé liderou o ranking das dez cidades gaúchas onde o abigeato é mais frequente. Sobre a exigência do Judiciário para condenar empresários flagrados comercializando carne sem procedência e em desacordo com as normas sanitárias vigentes, o coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público, João Pedro Xavier, disse se tratar de preciosismo. “Acreditamos que
uma carne com pelos, pedaços de grama, pegajosa, com manchas esverdeadas e manipuladas sem as condições de higiene adequadas dispensa exames microscópicos para atestar a sua condição imprópria ao consumo”, disse. “Para virar esse jogo, estamos orientando os agentes da Vigilância Sanitária e os veterinários da Secretaria da Agricultura a descreverem detalhadamente o estado da carne nos laudos e a tirarem fotos para reforçarmos as denúncias.”

Segundo o chefe da Inspetoria Geral de Bagé, Getúlio Antônio de Campos, as inspeções já somam R$ 100 mil em multas. Coordenador do Ações Integradas
de Segurança Rural, Reni Dorneles afirmou que, em 2014, 1.526 quilos de carne sem procedência e condições adequadas de consumo já foram apreendidas
na cidade. O secretário da Agricultura, Ernani Polo, disse que, por se tratar de uma questão de saúde pública, irá buscar atender a exigência judicial, “seja 
através de parceiros ou de investimentos no Lacen”.

Fonte: Correio do Povo, 02/01/2015