Os resultados da genética em rebanhos comerciais e a qualidade da carne transformaram a raça angus na “mais querida” dos brasileiros
A raça angus é a mais utilizada na inseminação artificial no Brasil. As vantagens do Cruzamento Industrial, somados à tecnologia da IATF, são os
principais fatores que permitiram a massificação da genética no país. O casamento do angus com nelore é um sucesso, pois alia precocidade de produção,
qualidade de carne com a resistência e adaptação do zebu no clima tropical. “Quem procura cruzamento industrial, chega ao angus”, responde o gerente de Produto Corte Europeu da ABS, Marcelo Selistre, acrescentando que o aumento do uso de tecnologia e a confiabilidade da genética garantida pela avaliação de progênie (DEPs) realizada pela Associação Americana contribuem para o resultado. “Na Associação Americana de Angus, são mais de 8 mil associados informando dados de progênie as para as avaliações genéticas, gerando milhões de DEPs, o que dá muita confiança no produto”, completa.
O gerente de Mercado e Contas-Chave da ABS, o zootecnista Frederico Glaser comenta que o crescimento do uso da raça angus na inseminação está acontecendo de forma consistente em todos os estados importantes na produção de carne. “Podemos notar a grande ênfase que os principais frigoríficos do país estão colocando no uso desta raça e o motivo é o produto final: uma carcaça de maior qualidade, que produz cortes mais valorizados e procurados pelos consumidores. Este é um caminho sem volta”, garante. Com a garantia dos “frutos”, a raça antes conhecida pela presença dominante na região sul começa a invadir o restante do país. “Hoje já possuímos animais F1 (Angus x Nelore), que nascem adaptados, de norte a sul”, afirma Selistre. Em função dos investimentos nesse tipo de cruzamento, as perspectivas para a raça são ainda maiores, segundo Renato Paiva, técnico da Associação Brasileira Angus e Brangus. “Estamos investindo muito em genética para que o Brasil Central absorva toda ela”, ressalta.
O Brangus, como é conhecida a raça sintética que mistura o sangue europeu e o zebuíno, foi formado com a ajuda de pesquisadores como Joal Brazzale Leal, que está na EMBRAPA Pecuária Sul há quase 50 anos. “A raça custou a emplacar, porque havia uma certa resistência. Mas hoje estão consolidada. Com essa venda astronômica de sêmen Angus no país, hoje nasce no país 1 milhão de fêmeas brangus por ano. Imagine tirar uma única cria dessas vacas, o mercado é imenso”, comenta.
O Brangus tem um mercado potencial enorme, pois une características como rusticidade, resistência a parasitas e tolerância ao calor (herança do zebu), assim como qualidade de carne e precocidade sexual (vantagens do Angus).
DE ONDE VEM A GENÉTICA?
A ABS possui a bateria Corte Europeu mais completa do mercado e está em constante atualização para melhor atender as demandas dos produtores, tanto que inovou na disponibilização de sêmen do clone EXT na última edição do catálogo americano. (Veja mais nesta edição do ABS News) Para a formação da bateria, a empresa investe em parcerias fortes. A fazenda Cabanha do Posto, de Sérgio Tellechea, em Uruguaiana (RS), é uma referência para genética da raça angus e uma das fornecedoras de genética para a ABS. Foi de lá que vieram vários touros como Big Black e Big Mac, este que está entre os top 10 de vendas da central. A seleção tem mais de 100 anos e também utiliza a genética ABS há várias gerações. “Experimentamos muitos touros dos Estados Unidos. Nós sempre optamos por escolher os animais Tops, mais produtivos e com boa avaliação em pista. Então, essa genética ABS contribuiu muito para a formação nosso rebanho”, conta o pecuarista. Ultimamente, por exemplo, utilizaram produtos de Brilliance, Brave, Oles Oscar e Jackhammer.
Também em Uruguaiana está um dos grandes fornecedores de genética Brangus, a seleção Brangus Juquiri, onde o médico veterinário João Carlos Pinheiro, conhecido como Toco, trabalha há 15 anos. O grupo utiliza genética ABS de ponta, como Csonka e Tanque, da elite dos Estados Unidos, e ao mesmo tempo fornece grandes reprodutores para a bateria ABS, como os touros Faraó, Oscar e Minister. “O trabalho de genética é um trabalho contínuo. São como peças, que você tem que saber usar. E para isso, a gente tem uma parceria muito longa com a ABS, que, como líder do mercado, nos ajuda a
difundir essa boa genética”, comenta.
CARNE COM GARANTIA DE QUALIDADE
Só de pensar, dá água na boca. A carne bem suculenta e macia é marca forte do angus e conquista até mesmo os consumidores mais exigentes. Para valorizar ainda mais o produto, um dos pontos que favoreceu o avanço da raça no Brasil foi o programa Carne Angus Certificada, criado pela Associação Brasileira, que foi criado para valorizar a produção do pecuarista comercial, que utiliza a genética angus para produzir carne de qualidade. “Sem dúvida é um grande estímulo, porque valoriza toda a cadeia produtiva”, comenta Marcelo Selistre, gerente de Produto Corte Europeu da ABS. De acordo com o gerente do programa, Fábio Medeiros, hoje este é o maior programa de carne qualidade do país, já presente em sete estados brasileiros, incluindo o Rio Grande do Sul e o Mato Grosso. Além disso, são nove frigoríficos parceiros. Entre eles, Marfrig e JBS. “São grandes frigoríficos, com capacidade de
abate e com interesse de captar esses animais que os produtores em todos os estados. Justamente, para atender o nicho de mercado que é a carne de qualidade. Ao mesmo tempo, há a valorização do trabalho desses produtores, com uma bonificação de 6% para os machos e preço de macho mais 5% para as fêmeas. Que são bônus extremamente interessantes para quem produz a raça pura ou trabalha com cruzamento industrial”, explica Medeiros. Por falar em cruzamento, para aumentar o número de animais registrados nessa categoria, a Associação Brasileira de Angus criou o Programa de Fomento CCG (Cruzamento sob Controle de Genealogia). “Assim que o animal nasce, o técnico inspeciona e emite uma garantia de que o animal possui 50% de genética Angus e essa garantia ele terá pelo resto da vida, por todos os elos da cadeia, agregando valor a seu produto”, ressalta Fábio Medeiros, crescentando que o programa atende pecuaristas de todo o país e com custo extremamente baixo.
Fonte: ABS News, Março/2014
Foto: Divulgação/Assessoria
Foto: Divulgação/Assessoria
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