Resultado comprovou bom momento da pecuária e aumento da procura por raças europeias e sintéticas
Os números da temporada de remates da primavera, divulgados ontem pelo Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Rio Grande do Sul (Sindiler), confirmam que a bovinocultura de corte vive um bom momento, apesar do cenário econômico no país. O faturamento total nos remates chegou a R$ 75,124 milhões, o que representa alta de 36,6% em relação aos R$ 54,955 milhões doano passado. A quantidade de 12,1 mil animais vendidos é 33,11% superior à de 9,1 mil exemplares da temporada passada. Nos valores atingidos, a média geral foi de R$ 9,74 mil para touros e R$ 3,36 mil para fêmeas, com acréscimos médios de 14,7% e 13,7%, respectivamente.
Nas quatro principais raças (Angus, Brangus, Braford e Hereford), a média geral dos touros chegou a R$ 9,76 mil, O presidente do Sindiler/RS, Jarbas Knorr, considera o resultado surpreendente. “O produtor rural está capitalizado”, constata. “O financiamento bancário ajuda e muito, mas se não tem, ele (o produtor) tem como financiar”, afirma, ressaltando que a baixa oferta de crédito pelos bancos nesta temporada não impediu o resultado positivo nas pistas. O dirigente destaca o grande interesse de pecuaristas do Centro-Oeste pelas raças britânicas e sintéticas, utilizadas no cruzamento com zebuínos. “Este ano tivemos compradores novos, que nunca tinham vindo”, relata. Knorr destacou a grande quantidade de fêmeas arrematadas - mais de 6,8 mil. Isso está diretamente relacionado à valorização do terneiro, que ainda não teve levantamento de vendas concluído, mas que tem mé- dia preliminar de R$ 5,25 o kg/ vv, valor considerado superior ao dos padrões recentes.
O consultor Fernando Velloso, da FF Velloso & Dimas Rocha, diz que, com a intensifica- ção da pecuária, o touro passa a ser mais valorizado — o que justifica a alta registrada na maioria dos remates. “Se esse insumo não for bom, seus filhos não vão desempenhar bem e o produto final não vai atingir as especifica- ções do frigorífico”, explica. Leiloeiro há 30 anos, Fábio Crespo ressalta que o fato de muitos frigoríficos estarem bonificando a carne de qualidade, das raças europeias e sintéticas, fortalece a demanda de estados, onde não há grande oferta desses animais, como Mato Grosso, Goiás, Tocantins e São Paulo.
Fonte: Correio do Povo
Foto: Divulgação/Assessoria