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Nutrição fetal e a qualidade do bezerro (por Pedro Veigas)

Informação | 04 de Fevereiro de 2016

Pedro Veigas (Cargill)

Foto: Divulgação/Assessoria

Ninguém come a picanha de um bezerro que não nasceu! A vaca deve produzir um bezerro por ano. Esses são apenas alguns jargões da pecuária de corte que denotam a importância de se obter eficiência reprodutiva na atividade. Assim, manter as matrizes em boa condição corporal é essencial para atingir bons índices de natalidade. Mas, a picanha de um bezerro que nasceu de uma vaca mal nutrida pode significar também falta de eficiência do sistema. O manejo nutricional do rebanho de cria é imprescindível para que se obtenha níveis reprodutivos condizentes com uma pecuária eficiente e lucrativa. Entretanto, por incrível que pareça, não é tão simples assim, mesmo porque a atividade de cria, dentro da pecuária de corte, é a menos privilegiada.

Para piorar a situação, durante anos foi dada muita ênfase e importância para um conceito, hoje já ultrapassado, de que as exigências nutricionais de vacas de corte gestantes só aumentam de forma mais intensa durante o terceiro e último trimestre da gestação, ou seja, na fase final, e que até esse ponto a vaca prenha pode ser deixada em qualquer pasto sem maiores cuidados. Isso se deve ao fato de que 75% do crescimento fetal é observado nesse período, ou seja, o bezerro aumenta em peso de forma bastante considerável na fase final da gestação. Contudo, quão importante é a nutrição da vaca durante os outros meses da gestação, ou seja, aqueles que antecedem esse crescimento mais intenso do feto? É necessário atender as exigências de energia e proteína durante toda a gestação ou isso seria economicamente inviável? Essa é uma pergunta que muitos pecuaristas se deparam no momento do planejamento nutricional do rebanho de matrizes.

A nutrição materna durante a gestação tem sido reportada como sendo um dos principais fatores que afetam o crescimento e desenvolvimento muscular fetal, com efeitos que persistem por toda vida do animal, mesmo quando não é verificada alteração no peso ao nascimento. A capacidade de crescimento e de ganho de peso de um bezerro é determinada pelo número de fibras musculares presentes no seu corpo, ou seja, da quantidade de células musculares, que após o nascimento irão aumentar de tamanho (hipertrofia). A formação dessas fibras, que irão originar os músculos, processo denominado miogênese, ocorre durante a fase embrionária, ou seja, dentro do útero da vaca. A formação das fibras musculares ocorre a partir de dois eventos distintos temporalmente. Inicialmente, ocorre a formação das fibras musculares (miofibras) primárias durante o desenvolvimento embrionário. Essas miofibras são utilizadas como suporte para posterior formação das miofibras secundárias, que ocorre durante o segundo trimestre da gestação e que contribuem de forma majoritária para o aumento da massa muscular na fase pré-natal.

A restrição de nutrientes no terço médio de gestação resulta, portanto, em redução do número total de fibras musculares. Portanto, o período crítico para a correta formação do músculo é justamente o período compreendido entre o segundo e o sétimo mês de prenhes da vaca. Dessa forma, a nutrição materna deve ser bem delineada não somente no terço final, mas principalmente no médio.

 

Na região Centro-Oeste do Brasil, onde está concentrado o rebanho de corte nacional, a estação de monta, geralmente, ocorre de meados de dezembro a fevereiro, podendo variar de ano a ano em função das circunstâncias climáticas. Assim, as vacas que emprenham no meio da estação de monta para frente, ou seja, por volta do mês de janeiro/fevereiro, irão atravessar o terço médio de gestação em uma condição nutricional não das melhores, pois os meses de abril – agosto representam o auge do período seco, em que há deficiência quantitativa e qualitativa de pasto. Assim, torna-se necessário fornecer suplementação aos animais de forma a garantir formação muscular do bezerro sem comprometimento. Essa suplementação pode ser na forma de um sal proteinado contendo de 30 a 40 % de PB, fornecido na quantidade de 0,5 kg por animal/dia.

Em resumo, estudos recentes demonstram que a obtenção de melhores resultados em termos de desempenho e qualidade de carne bovina está não apenas relacionada com o plano nutricional ao qual o animal é submetido durante a sua fase de crescimento e terminação. A nutrição materna durante os diferentes estágios da gestação afeta não somente o desenvolvimento fetal, mas também o desempenho do animal ao longo de sua vida bem como a qualidade da carne pro ele produzida.

Assista a entrevista completa aqui. 

Fonte: Sindicato Paulista de Zooctenistas 


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