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Pecuarista: responda aos guris

Informação | 15 de Agosto de 2024

Por: Fernando Furtado Velloso

Saudações a todos. Agradeço à DBO pela oportunidade desta coluna, onde apresentarei informações técnicas e ideias sobre pecuária, com o sotaque do Sul. Aos poucos,  nos conheceremos melhor. Eu saberei mais sobre o que vocês apreciam ler e vocês, sobre meu jeitão de pensar e escrever. Vai dar certo. Seguro que sim.

Pensando em trazer um tema “novo”, se é que existem realmente temas novos, apelei para a “ajuda dos universitários”, neste caso dos meus filhos Bento e Érico, 13 e 7 anos, e de minha esposa Carin. Sentados na casa da árvore aqui da fazenda (prefiro o nome estabelecimento), perguntei que assuntos eu deveria abordar na revista de pecuária que eu começaria a colaborar. Tipo essas dinâmicas de brainstorming que as empresas realizam e às vezes funciona. Anotei tudo o que ouvi num dos tantos cadernos que carrego. Dos guris, sugiram as seguintes perguntas:

  • Tu vinhas na fazenda quando eras criança? Passavas as férias aqui?
  • Qual a diferença entre a pecuária do Sul e a de outros lugares do Brasil?
  • Quais os diferentes tipos de gado criados nas várias regiões no País?
  • Como fazer o manejo dos pastos? É melhor ter mais divisões?
  • Como manter os animais bem alimentados no inverno?
  • Devemos dar apenas sal mineral aos animais ou suplementá-los mais?
  • Como evitar as brigas dos touros? (Ontem, movemos um lote aqui na fazenda e o tempo fechou)
  • A melhor carne é de pasto ou de confinamento? Pecuária “expansiva” ou de outro tipo, pai?
  • Qual é a melhor carne?
  • Quais são as fases da vida da vaca? (Entendi que era algo sobre as diferentes idades e categorias dos bovinos).
  • Como manter uma fazenda?
  • Qual a “sabedoria” que o produtor precisa ter para se manter no negócio? (Foi a pergunta que mais gostei. Meu filho é um filósofo...)


De minha esposa vieram menos temas. Adultos, em geral, têm menor adesão a essas dinâmicas.

  • Como era a infância rural no passado e como é hoje?
  • Esse período de parição do gado nos traz um olhar diferente sobre a pecuária, sobre fazendas.
    (Ela me ajudou na recorrida da parição e ficou bem tocada ao ver um terneiro molinho ainda, nascido faz poucas horas. O instinto de mãe se apresentou).


Já tenho uma boa lista de temas para desenvolver em meus textos nas próximas edições. O pecuarista e o técnico de campo devem ser especialistas em temas gerais da pecuária. Tudo está conectado: a genética, o pasto, a reprodução, o produto final, a “sabedoria” em equilibrar tudo isso e ainda ter resultado financeiro. Na pecuária, o ESG [Environmental, Social and Governance] está presente muito antes de criarem o termo. “Desde que o samba é samba é assim”, cantou meu parente distante, Caetano Veloso.

Aos leitores que chegaram até este parágrafo faço um desafio em forma de brincadeira: respondam tudo o que meus guris perguntaram. Os assuntos que eles trouxeram são fundamentos da produção animal: genética, cuidados com o pasto, nutrição, manejo, gestão do rebanho e da fazenda, e a relação com a qualidade do produto final.

A pergunta sobre qual a melhor carne, eu vou deixar para os próximos capítulos. De qual raça, à pasto ou confinamento, castrado ou inteiro. Se me perguntassem, no passado, eu teria a resposta bem clara. Hoje, não tenho mais. Com o tempo, as nossas certezas mudam.

Sobre as questões que minha esposa trouxe, fica a lembrança sobre algo que já sabemos: como é importante a sensibilidade feminina quando nos limitamos somente a questões práticas e produtivas. Se não fosse assim, quem se preocuparia com o cuidado e educação das crianças? Quem perceberia que cada terneiro que nasce é o milagre da vida bem em nossa frente?

Nota de rodapé: Batizei esta coluna de “É só olhar e ver” em função da música Eu Sou do Sul, de Elton Saldanha, premiada como a mais popular da 22ª Califórnia da Canção de Uruguaiana em 1993.

* Publicado na Coluna "É só olhar e ver", Revista DBO (Agosto/2024)

Pecuarista: responda aos guris

Foto: Portal DBO