Temporada turbinada
Leilões | 17 de Setembro de 2012
Temporada de leilões
Foto: Divulgação/Assessoria
Preço dos bovinos deve ter alta de 10% a 15%
Com o cenário atual do agronegócio, que engloba bom preço do boi gordo e commodities nas alturas, especialistas acreditam em uma primavera com liquidez garantida e médias de 10% a 15% mais altas do que em 2011. Apesar do bom momento, a perspectiva é um pouco menor do que os 17,30% de alta nos valores obtidos no ano passado em relação a 2010.
Fêmeas devem ultrapassar os R$3 mil de médias. Já os machos devem girar entre R$ 7 mil e R$ 7,5 mil. Quem crava a perspectiva é o leiloeiro Marcelo Silva, destacando que duas características devem garantir o sucesso dos remates este ano: qualidade e apresentação.
O gado que tiver essa dupla qualificação sairá da porteira da cabanha para o caminhão de entrega. Silva explica que, além do cenário econômico melhor que em mesmo período de 2011, a seca acarretou dois desdobramentos para temporada. O primeiro é uma oferta cerca de 20% menor que no ano passado, devido à falta de alimento natural nos campos para preparar os animais para leilão. O segundo é que, se o plantio de arroz começasse agora, os produtores teriam água para apenas 40% de suas áreas. Como a previsão não indica uma mudança muito significativa neste cenário, os arrozeiros devem diminuir suas lavouras.
"E a tendência é colocar gado em cima. Vai ser muita procura e oferta reduzida", reflete. O presidente do Sindicatos dos Leiloeiros Rurais do RS, Jarbas Knorr, é taxativo quanto ao bom momento, apesar das expectativas de aquecimento serem mais modestas. Ele comenta que observou nos últimos dias que o os compradores estão prevendo preços altos dos touros nos remates e alguns tentam negociar direto na fazenda. "Mas não é para tanto. O pessoal quer gado de recomposição e acredito numa oferta 15% menor. Isso sempre aquece os preços. Acredito em médias 10% mais altas". Conforme o Sidiler, em 2011, as médias dos machos ficaram em R$ 6,56 mil e das fêmeas em R$ 2,11 mil.
Afora a euforia que permeia o mercado de gado de elite, o pesquisador do Nespro/Ufrgs Pedro Marques, doutorando em produção animal, acredita em cautela. "O produtor tem que se dar conta que os custos para manter o
gado aumentaram e colocar na ponta do lápis. No máximo 10% a mais deve ser pago pelos touros", indica.
Fonte: Correio do Povo, 16 de Setembro de 2012