Garantia que conquista
Leilões | 27 de Outubro de 2013
Cuidados no pós-venda
Foto: Divulgação/Assessoria
Não apenas a qualidade genética e o pedigree ofertados pelas cabanhas gaúchas fazem a clientela retornar para novas compras ano após ano em busca de animais. Como em todo negócio, o bom atendimento no pós-venda tem sido valorizado na decisão de escolher onde comprar, já que boa parte dos criatórios oferece hoje condições semelhantes de transporte, pagamento e descontos progressivos para clientes de carteirinha.
O atendimento pode conquistar ou perder um cliente para sempre. Para garantir um casamento firme, o suporte cresceu nos últimos cinco anos no Estado, mas ainda tem hectares a galgar já que esta não é uma filosofia geral e o consumidor está cada vez mais exigente. De acordo com Fernando Velloso, sócio da Assessoria Agropecuária FF Velloso & Dimas Rocha , quem oferece segurança está um passo à frente da concorrência. Não que seja tarefa fácil. O consultor lembra que, diferentemente de outros produtos, o tempo de garantia de um touro ou de ma fêmea se estende por até seis meses devido à complexidade, embora o período crucial sejam os primeiros 120 dias. “O dinamismo e a prontidão em resolver os problemas contam muito. Hoje quem tem pós-venda diferenciado mantém sua clientela”, afirma Velloso. Frente à gama de riscos é preciso um time que garanta assistência ampla, capaz de orientar ou resolver desde papelada até problemas reprodutivos ou de saúde animal. Esse trabalho é desempenhado por profissionais das áreas técnica e administrativa das propriedades ou por empresas de assessoria contratadas para dar suporte às cabanhas. Em casos extremos, de morte, o ideal é que o vendedor faça a reposição o mais rapidamente possível. “Ações para repor imediatamente as condições de produção são o ideal.”
Como normalmente a relação comercial na genética é curta, com os donos nas duas pontas, os imbróglios costumam ser resolvidos entre as partes. Mas, caso isso não ocorra, diferentemente do consumidor comum, o comprador deve buscar a reparação de danos junto a um especialista em Direito Civil. Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), o Código de Defesa do Consumidor se aplica somente a casos em que o comprador não utiliza o produto para a sua atividade fim, caso contrário não será uma relação de consumo. Essa é exatamente a situação da pecuária. Quem compra utilizará o boi e a vaca com finalidade comercial, por isso não pode ser comparado a um consumidor comum.
Confiança não tem preço
Por confiança, o comprador está disposto a vir de longe e até a pagar mais caro. A segurança na marca Gap foi um dos fatores que fez a família Paim, da cabanha Quatro Amigos, se deslocar de Vacaria. Criadores de Angus, gado comercial, ovinos Ile de France e cavalos Crioulos, a cabanha valoriza tranquilidade como item do negócio. “O pós-venda da Gap tem fama. Para nós isso é tão importante quanto a genética tradicional que nos trouxe aqui”, justifica Rafael Paim. O pecuarista Dalcirio Copa Filho, da Estância Santa Maria, de Itaqui, também foi fisgado pelo bom atendimento no dia em que teve um problemão. Em 2009, dois touros comprados da cabanha morrerem de Tristeza Parasitária. Com a solução rápida,
desde então, volta todo ano a Umbu, em Uruguaiana. Na época, além de ser orientado para evitar que esse tipo de problema ocorresse no futuro, ele não teve de pagar o que restava do parcelamento, que ia longe. “Eles não tinham obrigação de me reembolsar, mas fizeram isso e ganharam a minha confiança.” Jorge Sturza, gerente da Chácara Fazenda do Egito, é cliente cativo do Selo Racial há sete anos. A animada caravana de São Vicente do Sul, com 36 pequenos e médios produtores que ele integra, também. Para eles, a tranquilidade
de comprar das cabanhas promotoras vale os 420 quilômetros rodados entre a ida e a volta para participar do remate.
Cuidados no pós-venda
■ Um dos pontos críticos é o transporte. Ninguém está livre de um acidente no carregamento ou descarregamento dos bovinos e, muito menos, de atrasar a entrega por problemas em estradas;
■ No caso de morte de um animal, o criador irá precisar de orientação para saber qual o passo a passo para acionar o seguro e quais as informações a serem prestadas para garantir a reposição rápida;
■ Documentação vencida para o trânsito também é comum devido a sua curta validade. Nestes casos, a assessoria administrativa é importante para resolve a emissão da guia junto à inspetoria veterinária;
■ É preciso estar de prontidão para resolução de problemas de registro de animais comprados na barriga da vaca já que eles não podem ser deslocados sem isso;
■ Toda cabanha deve ter condições de enviar ao seu cliente um veterinário caso existam problemas do animal após a chegada na nova propriedade. Um exemplo é quando o touro recém chegado entra em confronto com um já estabelecido e acaba se machucando.
■ O ideal é que haja assistência técnica in loco também em casos relacionados à reprodução, como terneiras que não emprenham ou vacas compradas prenhes e que, por algum motivo, abortam.
Fonte: Correio do Povo (27 out 2013)