Cadastre-se no site

Cadastre-se e fique informado em primeira mão sobre os principais acontecimentos da Assessoria Agropecuária
Porto Alegre, 25/10/2026

Redes sociais

Agendade eventos

Últimasnotícias

Mais cuidado e menos força na lida para priorizar o bem-estar animal

Informação | 30 de Junho de 2014

Estância Querência (Lavras do Sul)

Foto: Nina Boeira

Tratar o gado com técnicas que evitem lesões e que reduzam o estresse do rebanho melhora a rentabilidade e ajuda a abrir mercados

Bandeirolas no lugar de varas ou chicotes para conduzir o gado, chocalhos em vez de gritos e latidos de cachorro e mangueiras de manejo para reduzir as laçadas. A regra é ter o cuidado acima da força. São técnicas simples, mas que se mostram cada vez mais eficientes na produção de alimentos. As práticas voltadas ao bem-estar convergem com a qualidade da carne desejada pelos consumidores e com a preocupação de reduzir o sofrimento durante o trato e o abate.

Característica marcante no homem do campo, o uso da força fica de lado em propriedades que preconizam a lida não agressiva como estratégia para obter melhores resultados. Estudos dão conta de que práticas de bem-estar reduzem de 5% a 10% as perdas ocasionadas por lesões e hematomas nos animais.

— O bom manejo influencia na qualidade da carne, do aspecto até a maciez e o sabor. Sem contar que a sociedade não admite mais que os animais sofram maus-tratos — ressalta Júlio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte (Nespro) da UFRGS.

A universidade está fazendo pesquisas na Espanha e na Escócia, em instituições de referência na área, sobre os efeitos de práticas que provocam dor nos bovinos de corte. A ideia é levantar subsídios para auxiliar criadores. O estresse no manejo pré-abate, por exemplo, faz os músculos se contraírem com mais frequência, resultando em carne mais dura e cor escura, diz Barcellos. A sanidade e o bem-estar têm reflexo também na taxa de conversão, acelerando o ganho de peso e, consequentemente, o tempo de abate.

No caso de ferimentos causados no campo ou no transporte até os frigoríficos, os prejuízos são contabilizados quando o pagamento é feito pela carcaça dos animais. Partes machucadas da carne são descartadas pelo frigoríficos, reduzindo o rendimento e o valor pago aos criadores.

— Boas práticas devem ir do início da produção ao final do abate, com a organização do setor como um todo — defende Carlos Simm, presidente do conselho técnico operacional de pecuária de corte do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa).

Laçadas eliminadas e menos bovinos feridos

Na Estância Querência, em Lavras do Sul, os investimentos em bem-estar animal estão concentrados no treinamento da mão de obra que atua na lida do campo. Administrada por Yara Suñé, 38 anos, a propriedade adotou práticas para melhorar a produção de hereford e braford.

— Antigamente, era tudo no grito e com cachorros nas mangueiras — diz Yara, engenheira agrônoma que chegou a ver um funcionário matar um terneiro a pauladas na cabeça para fazê-lo andar no brete.

Há quase 10 anos, a pecuarista passou a usar bandeirolas e chocalhos para conduzir animais, evitando ferimentos causados por varas pontiagudas e estresse por gritaria. Com mangueiras de manejo, reduziu o uso de laço em terneiros e afastou os cachorros do rebanho:

— Tínhamos de 2% a 3% dos animais machucados em razão do laço. Treinamos os funcionários para que entendessem que o bom campeiro não é aquele que usa a força.

Ao criar animais mais mansos, Yara consegue preços maiores na venda para criadores e mais rentabilidade nas carcaças negociados com frigoríficos.

Colchão amplia conforto e aumenta a produção

Deitadas em colchões importados da Suécia, as 125 vacas da raça holandesa que estão em lactação na propriedade Giliotto produzem uma média de 37 litros de leite por dia — 30% a mais do que quando descansavam em camas de areia. O investimento feito pela família de Serafina Corrêa para aumentar o conforto das vacas teve retorno na ordenha, que antes não passava de 28 litros por dia.

— Investimos em nutrição balanceada, mas grande parte do aumento é resultado do conforto. As vacas conseguem se acomodar melhor nessa estrutura macia — diz Guilherme Giliotto, 25 anos.

Ao lado de outros dois irmãos e do pai, Lidenor, 70 anos, o jovem foi um dos pioneiros no país a investir nesse tipo de tecnologia, que substitui camas feitas com areia ou feno. O colchão, de espuma e com cobertura de borracha, foi importado na época ao custo de R$ 800 cada um. No total, a família investiu R$ 500 mil para modernizar a estrutura do galpão — incluindo piso e sala de ordenha novos. Toda a produção leiteira, de 130 mil litros por mês, é vendida à Cooperativa de Suinocultores de Encantado (Cosuel).

Para as vacas prenhas, a família inaugurou neste ano um galpão pré-parto climatizado, onde os animais são colocados um mês antes de dar cria.

— Nesse período, é importante que não sofram nem com o frio, nem com o calor, e que sintam o maior conforto possível — explica Guilherme, acrescentando que os animais também parecem gostar de ouvir música sertaneja.

Transporte cansativo e estressante

Parte das perdas geradas pela ausência de práticas de bem-estar animal se concentra no percurso do rebanho até os frigoríficos. Transportada em caminhões, a carga fica exposta a estresse e sujeita a lesões em rotas rodoviárias longas e cansativas. Embora o Brasil ainda não tenha exigências de certificações de boas práticas no transporte, a expectativa de aprovação de uma nova instrução normativa pela União Europeia deverá fazer com que as indústrias exportadoras estabeleçam regras nesse sentido.

— As exigências internacionais tendem a aumentar, tanto de mercados que já acessamos quanto daqueles em que queremos entrar. É uma demanda dos consumidores — analisa Ronei Lauxen, presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado (Sicadergs).

Entre os cuidados, o desembarque e descanso dos animais ao percorrer uma distância máxima estabelecida. A certificação que se estuda exigir para o transporte pode ser comparada ao que é feito pelo Programa de Boas Práticas Agropecuárias da Embrapa. Em projeto piloto no Estado, foram certificadas sete propriedades na região dos Campos de Cima da Serra que cumpriram um conjunto de 120 normas e procedimentos em 12 áreas, entre as quais a do bem-estar animal.

— Esse reconhecimento é um diferencial no mercado e faz com que produtores tenham rendimentos superiores nos pesos de carcaças e preços maiores na venda — diz Sérgio Gonzaga, coordenador do programa da Embrapa na Região Sul.

Algumas boas práticas recomendadas

Nas propriedades:

- Treinamento dos funcionários para uso de ferramentas menos agressivas, como bandeirolas e chocalhos, em vez de varas de madeira, gritos e choque elétrico.
- Instalação de estruturas adequadas de mangueiras e bretes (sem cantos pontiagudos que machuquem os animais).
- Afastamento dos cachorros próximos às mangueiras, para evitar estresse dos animais causado pelo medo.

No transporte:

- Embarque dos animais com cuidado, sem forçar o fechamento da porta traseira no lombo dos animais.
- Respeito à capacidade máxima de animais na carroceria dos caminhões.
- Cuidado com a carga transportada viva: freadas podem resultar em ferimentos.

Nos frigoríficos:

- Instalação de currais de espera com condições adequadas para os animais descansarem antes de ser abatidos.
- Uso de técnicas que diminuam o sofrimento, como pistola pneumática em vez de golpes de marreta. O equipamento reduz o sofrimento do animal.
- Orientação para que os transportadores tenham cuidados no deslocamento dos animais. As longas distâncias percorridas em rodovias, entre a propriedade e indústria, estressam e cansam os animais.

Fonte: Zero Hora, Campo & Lavoura, por Joana Colussi (30/06/2014)

Maisnotícias

  • Remate Angus Quirí movimenta R$ 1,03 milhão e registra média de R$ 30,4 mil por reprodutor

    Leilões | 21 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    O 37º Remate Angus Quirí, realizado em 15 de outubro, em Dom Pedrito (RS), encerrou com faturamento de R$ 1.036.500 e média geral de R$ 30.485,29 por animal. Com a comercialização de 34 reprodutores, o evento foi marcado pela agilidade dos negócios e por valores que, segundo a proprietária da Agropecuária Quirí,...
  • Reserva Angus fatura mais de R$ 1 milhão em Santa Vitória do Palmar

    Leilões | 19 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    O leilão Reserva Angus comercializou 32 touros Angus em 18 de outubro, durante a Expofeira do Sindicato Rural de Santa Vitória do Palmar (RS), com média de R$ 30.187,50 por animal. O maior lance da noite foi de R$ 63 mil pelo animal da Passo Comprido, tatuagem 959, adquirido pela ABS Pecplan. Realizado com pavilhão l...
  • Touro Hereford tem metade arrematada em leilão na Farm Show e é valorizado em R$ 186 mil

    Leilões | 18 de Outubro de 2026
    Foto: Lucas Vieira
    Feira de 2026 bate seu próprio recorde anterior de R$ 132 mil com animal da Wolf Agricultura e Pecuária e com alta herdabilidade para resistência ao carrapato

    Um touro Hereford considerado um dos principais exemplares da Wolf Agricultura e Pecuária foi destaque no leilão realizado nesta sexta-feira (16), durante a ...
  • Remate Só Angus alcança média de R$ 22.916 na venda de touros Angus durante a 100ª Expofeira de Pelotas

    Leilões | 16 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Realizado no dia 11 de outubro, durante a programação da 100ª Expofeira de Pelotas, o Remate Só Angus registrou média de R$ 22.916 na comercialização de touros da raça Angus. O evento ofertou 90 animais, reunindo as propriedades Cabanha Albardão, Estância Santa Amélia, Santa Joana e Tradição.

    A edição foi...
  • Santa Thereza comercializa 100% da oferta na 25ª edição do leilão Angus e Ultrablack

    Leilões | 16 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    A Santa Thereza comercializou todos os 50 animais ofertados na 25ª edição do Leilão Santa Thereza Angus e Ultrablack, realizada na quarta-feira, 14 de outubro, em Dom Pedrito (RS). O remate integrou a programação da Expofeira de Dom Pedrito e do FarmShow, reunindo exemplares das duas raças e genética destinada a ...

Nossosparceiros

Nossosclientes

Redes sociais