Brasil exportando "peso" de carne bovina!
Carne, Mercado | 19 de Julho de 2014
O primeiro semestre fechou com muito boas notícias da Abiec: novamente o Brasil ampliou as suas exportações de carne bovina e as perspectivas, a médio e longo prazo, são muito boas para os pecuaristas. A posição internacional de nosso país é de liderança e alcançamos a marca recorde de US$ 3,4 bilhões em faturamento e 762 mil toneladas de carne vermelha exportadas. Esse é o maior faturamento em nossa história para o primeiro semestre e representa um crescimento de 13% em relação a 2013.
Como já adiantei em outra coluna aqui na FOLHA do SUL, as perspectivas para a carne bovina são muito positivas, tanto em curto ou longo prazo. Os resultados das exportações brasileiras no primeiro semestre de 2014 vêm para confirmar essa situação e nos dar mais confiança em investir na pecuária, seja com intensificação ou ampliação de áreas e rebanho.
Devemos observar que o destino de nossa carne é, principalmente, para mercados poucos exigentes em qualidade (em todos os sentidos), e com exceção da União Europeia, os demais nove principais importadores valorizam mais preço do que qualidade e, assim, não se configuram como mercados superiores ou de valor agregado. Se somarmos esses nove países (menos UE) chegaremos à conclusão de que mais de 70% de nossa carne vai para destinos de baixa exigência em qualidade e os "Outros" que correspondem a mais 10% seguem perfil muito parecido. Ou seja, hoje, exportamos mais "peso" do que alta qualidade. Essa situação não pode ser vista somente pelo lado ruim, pois nos permite exportar grandes volumes e de carne produzida com baixo custo.
No Rio Grande do Sul, onde buscamos valorizar a carne gaúcha e as marcas das carnes Angus e Hereford, fica claro que o grande mercado é o doméstico (interno) e que, neste momento, grandes investidas no mercado internacional tendem a ser pouca exitosas, pois praticamente não acessamos esses mercados, seja por questões sanitárias ou puramente comerciais.
Temos bastante a comemorar pela posição de liderança no mercado internacional e muito trabalho pela frente para acessar mercados mais exigentes (e remuneradores): qualidade e padrão do produto, sanidade e bem-estar animal, rastreabilidade (?), Carne Gaúcha etc, etc. O cavalo está encilhado e estamos montados. Agora é só não facilitar (pode ser caborteiro).