

A busca por eficiência e melhor produtividade deverá reduzir a presença de cabanhas na pecuária de corte do Rio Grande do Sul. A projeção é feita pelo
professor Júlio Barcellos, do Nespro. Segundo ele, a atividade gera um resultado econômico “muito questionável”, ao mesmo tempo em que muitos pecuaristas não tem condições de serem cabanheiros. “Como a pecuária e a expansão de algumas raças foi intensa nos últimos anos, estimulou a entrada de neófitos no setor. Mas isso acabará levando de volta à realidade”, argumenta. Ressalta que o custo do touro é muito alto e requer “escala e profissionalismo”.
A tendência de redução já havia sido percebida pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), segundo seu presidente Fernando Lopa — especialmente as que trabalham com animais a galpão. “Realmente está havendo uma redução a associação tem trabalhado numa substituição, em buscar novos expositores e na formação de novas cabanhas”, afirma Lopa. De acordo com ele, a Expointer deste ano deverá ter uma redução do número de animais, porém, com aumento de expositores, especialmente da raça Braford. O presidente da ABHB acredita que a melhoria dos índices de produtividade depende mais de mudança de cultura. “Temos de trabalhar com pivô, para produzir comida, e com melhoramento genético, para que o animal continue comendo a mesma coisa, mas ganhe mais peso”, acredita Lopa. “Não tem milagre.”
O 1˚ vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, afirma que as cabanhas são responsáveis pela reserva genética existente na pecuária de corte do Rio Grande do Sul. “Uma redução das cabanhas iria afetar a qualidade genética dos animais”, acredita. Segundo Pereira, cerca de 70% do gado do Rio Grande do Sul é britanizado. “O Brasil não consegue ter isso porque é um país tropical. O principal gado brasileiro é o Nelore”, acrescenta.
» Pecuária no RS
■ Estoque bovino: 13,738 milhões (dez/2013)
■ Taxa de desfrute: 23%
■ Taxa de desmame: 68%
■ Região Sudoeste detém aproximadamente 70% do rebanho de corte
■ Taxa de natalidade: 79% (em 2013)
■ 60% dos abates ocorrem em 20 frigoríficos
■ Produção de carne no RS: 400 mil toneladas, absorvida em quase a totalidade no mercado interno
■ 48% dos pecuaristas gaúchos têm entre 36 e 50 anos
■ 19% têm smartphone e 40% acessam a Internet a cada 30 dias
Fontes: Nespro e Seapa
Publicado no Correio do Povo (03/08/2014)