


Os maiores especialistas do país conversaram com o ABS News sobre o desempenho crescente dessas genéticas no mercado.
Já são 280 mil matrizes registradas na Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB). Em média, a instituição contabiliza 50 mil novos registros genealógicos por ano. Adaptabilidade, eficiência e sustentabilidade são algumas das características que levam a esse avanço acelerado das raças europeias pelo país. Vantagens cada vez mais exploradas em cruzamentos industriais, por isso, a estimativa é que só no Rio Grande do Sul o rebanho não controlado ultrapasse três milhões de cabeças.
“Sem dúvida nenhuma a gente observa o crescimento de venda de sêmen das raças taurinas, onde o Braford e o Hereford são raças muito importantes, representando um percentual muito forte”, comenta Marcelo Selistre, gerente de Produto Corte Europeu da ABS. Segundo o presidente da ABHB, Fernando Lopa, o avanço das raças pelo Brasil e por outros países da América Latina, como Bolívia e Colômbia, foi conquistado pelos resultados que elas apresentam em termos de produção a pasto.
“São raças para produzir carne, muita carne a campo. Então a Associação tem trabalhado nos últimos 10 anos tanto em programas de avaliação genética, quanto em provas de desempenho a campo, para mostrar todo esse potencial que é possível oferecer ao mercado. O Hereford é conhecido mundialmente por comer menos e produzir mais, o que também passou para esse nosso composto que é o Braford”, explica.
Por isso, em busca do aumento da eficiência nos pastos brasileiros, cada vez mais pecuaristas procuram esse material genético. “Estamos trabalhando voltados ao cruzamento industrial, muito no sentido no que as nossas raças podem contribuir para uma pecuária mais eficiente. Temos que buscar animais que possam produzir um volume maior de carne em um menor tempo. Isso é eficiência e é isso que a gente acredita”, explica Alfredo Drissen, superintendente técnico da ABHB. No caso da raça hereford, a tendência é que ela seja cada vez mais explorada em cruzamentos com animais zebuínos na região do Brasil Central. “As pessoas estão usando e repitindo o uso. Para mim, essa é a mensuração do sucesso”, afirma Alfredo.
Segundo a ABHB, o Programa Carne Pampa, que certifica as carcaças oriundas do Hereford, já abateu 130.000 animais. Além disso, houve o crescimento de 10% de animais participantes em feiras ranqueadas pela Associação. Quanto aos animais braford, raça que potencializa as melhores qualidades do Zebuíno e do Hereford, o foco do mercado são vacas meio sangue Angus. “É preciso fomentar o resultado que o braford nessa fêmea meio sangue vai produzir Um animal extremamente produtor de carne e com rendimento de carcaça”, avalia.
Joal Brazzale Leal, pesquisador com 50 anos de trabalho na Embrapa Pecuária Sul, foi um dos responsáveis para a formação da raça Braford no Brasil e aposta em um futuro ainda mais promissor. “A mágica de uma raça sintética é você trabalhar como se fosse uma raça definida, ou pura, como preferir dizer. E por ela deter biotipos que trabalham os mais variados meio ambientes. Então a tendência é que cada vez mais se consolide”, afirma.
MAIS INVESTIMENTO, MAIS LUCRO
Em 2014, houve um aumento de 10% no preço médio da venda de touros das raças Hereford e Braford em remates contabilizados somente até o mês de outubro. A alta valorização foi sentida pela Celina Albornoz, que é proprietária de um dos criatórios mais antigos do Rio Grande do Sul, a Estância Bela Vista. Este ano, por exemplo, o touro Gran Hermano (da bateria ABS), o animal foi comercializado por R$123.000,00, valor recorde da raça Braford da temporada. Os resultados conquistados pela Bela Vista são traduzidos em muito investimento. Desde a década de 60, segundo a pecuarista, são utilizados programas de inseminação. “Fomos uma das pioneiras a utilizar. E há alguns anos usamos a técnica IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo), procurando com isso uma grande padronização da nossa produção de animais, utilizando muita genética produzida por nós, avaliamos a progênie de nossos touros através da IATF”, explica.
Hoje, a seleção Bela Vista de Braford é a com maior número de animais em centrais de inseminação no país. Ao todo, são 21. O pecuarista Ricardo Amaral Furtado, que também é presidente do Conselho Técnico da ABHB, é a quinta geração de criação de Polled Hereford. São 108 anos de seleção da Reculuta Agropastoril. “Fundamentalmente o que nos deixa muito satisfeitos é o comportamento da progênie e temos a grata satisfação de termos os touros líderes em quatro de cinco sumários de avaliação genética do Pampa Plus”, comenta, reforçando que 90% dos clientes são fidelizados. Genética que está disponível na bateria ABS, através do touro Patriota. “É um animal completo, que tem todas as características que nós buscamos”, afirma.
Já na Estância Rio Negro, o médico veterinário Gustavo Camponogara, já comemora os resultados dos investimentos com apenas oito anos de seleção. “Antes eu tinha um gado comercial, comecei a usar boa base, bons touros da ABS. E o que eu busquei como primeiro critério de seleção foi fertilidade. É isso que paga a conta na pecuária. Além disso, consegui utilizando material genético ABS a capa vermelha do braford, a padronização, o que possibilitou a conquista do grande campeonato de Esteio/RS. E hoje nosso braford vem ganhando Brasil a fora”, conta.
Fonte: ABS News (Dez/2014)