Estudo do NESPRO avalia indicadores técnicos e resultados econômicos na pecuária de corte gaúcha
Informação | 26 de Janeiro de 2015
NESPRO
Foto: Divulgação/Assessoria
Pesquisa com pecuaristas da Fronteira Oeste do RS revela que produtores de média eficiência biológica apresentam melhores resultados econômicos em relação aos de alta eficiência.
O resultado provém do trabalho “Desenvolvimento de um método para avaliação da eficiência bioeconômica em sistemas de produção de bovinos de corte na Fronteira Oeste do RS”, que o Médico Veterinário Pedro Rocha Marques apresentou recentemente para obter o grau de Doutor em Zootecnia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob a orientação do Prof. Júlio Barcellos. Marques é integrante do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPRO) e conduziu sua pesquisa com pecuaristas da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
O estudo mostrou que os produtores classificados como medianamente eficientes obtiveram melhores resultados econômicos do que os altamente eficientes, em função do menor custo de produção por hectare. O estudo foi realizado em nove municípios da Fronteira Oeste, de julho a dezembro de 2013. Ao todo, foram entrevistados 46 pecuaristas, cujo sistema de produção está baseado em ciclo completo e com área maior ou igual a 900 hectares. O objetivo foi desenvolver um método para avaliar a eficiência bioeconômica das fazendas de bovinos de corte. “O desenvolvimento do método justifica-se pela ausência de clareza por parte dos pecuaristas sobre a avaliação do seu próprio sistema de produção”, afirma Marques. “O pecuarista apresenta dificuldades em afirmar se ele está sendo eficiente na utilização dos recursos produtivos e econômicos do sistema de produção”, acrescenta.
A maior eficiência dos pecuaristas pertencentes ao grupo classificado como "médio" é explicada pelo menor custo de produção para gerar a mesma produtividade em relação aos pecuaristas pertencentes ao altamente eficiente. “O cluster médio apresentou um custo 45% inferior em relação ao cluster alto e apresentou uma diferença na produtividade de 17% para a mesma comparação”, destaca o médico veterinário.
O resultado da pesquisa mostra a importância de os pecuaristas utilizarem as tecnologias de forma específica e nas categorias e situações onde ela mais responde. “Por exemplo, não fazer Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) em todas as vacas, mas somente nas paridas no início da estação de parição e com condição corporal maior ou igual a 2,7 em uma escala de 1-5, onde 1 é para vaca muito magra e 5 para vaca muito gorda”, explica Marques.
A utilização de tecnologia incrementa a eficiência bioeconômica do sistema de produção desde que as tecnologias utilizadas sejam as necessárias e específicas para determinada fazenda. Cada propriedade deve avaliar quais devem ser as demandas de melhorias necessárias para a sua situação e identificar as tecnologias que gerarão estas melhorias.
“A tomada de decisão sobre a tecnologia a ser utilizada também deve considerar o custo para implementá-la, pois em pecuária de corte existem tecnologias de processos - ajuste de carga, estabelecer estação de monta, categorização do rebanho, exame andrológico - com menor custo e tecnologias de insumo, como IATF, adubação de pastagens ou desmame precoce, onde a utilização da tecnologia depende da compra de insumos”, completa.
Fonte: NESPRO