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Como ler a prova americana e o que priorizar na escolha de um touro (CRI Genética)

Técnico | 06 de Abril de 2015
A escolha do touro para utilizar em um rebanho está entre as decisões mais importantes que os produtores tomam em suas atividades. Isto é justificável, pois a descendência deixada por um único animal influirá diretamente no resultado econômico da atividade. Quando falamos em touros de IA provados com Diferenças Esperadas nas Progênies (DEP’s), baseamos a seleção nos descendentes comparados em vários rebanhos e ambientes distintos. Uma escolha por determinada genética é permanente e ficará no rebanho por várias gerações através de suas filhas até que se introduza um novo touro neste rebanho. Fala-se muito de gestão e tecnologia e, dentro deste raciocínio, as provas de touros com informações de DEP´s e de DNA aumentam a complexidade nos processos de seleção, mas nos dão mais chances de acertar. Espera-se que, ao escolher touros melhoradores, os produtores possam aumentar a performance de seus animais com maiores pesos a desmama e abate com animais mais precoces e adaptados. A grande questão é como fazer isto e que ferramentas podemos nos valer para tentar minimizar os erros quando da eleição de determinado reprodutor. Assim sendo, vamos tentar entender as provas americanas: Como somos da equipe CRI Genética Brasil Ltda., usaremos exemplos de touros que esta empresa comercializa no Brasil. À primeira vista, as provas de touro realmente assustam. Trata-se de um um aglomerado de números, sem referência de unidade de medida e, para complicar mais, vêm precedidos de siglas. Aí o produtor, que tem que saber do manejo, do mercado, do clima, dos insumos, dos funcionários e também se obriga a saber que a “DEP” de “PN” de 0,3 do touro Bando 9074 é um ótimo número ainda mais com uma “AC” de 0,95!

Tamanha é a confusão que muitos criadores acabam por levar em conta somente o número que eles entendem bem: o preço. E o curioso é que é para os dois lados: alguns querem o sêmen mais barato, outros querem o mais caro, supondo que este seja o melhor. Mas, acontece que, até aí, o mercado de genética é confuso. Muitas vezes, touros excepcionais podem ser comercializados a preços baixos, pois também são ótimos produtores de sêmen. Ou seja, seu preço fica menor se ele tiver mais esta virtude genética, enquanto outro pode ser mais apreciado se tiver esta limitação de fertilidade. Coisas do mercado e a velha lei de oferta e procura. A prova de touro é o resultado estatístico do desempenho dos touros e seus familiares, principalmente dos filhos. Através da avaliação destes animais, se “espera” tal resultado para esta ou aquela característica. Um touro com uma boa prova para ganho de peso será aquele animal cuja família teve bons resultados de Peso ao Desmame (PD) e ao Ano (P Ano). Desta forma, se “espera” que as vacas inseminadas com esta genética produzam filhos com uma “diferença” positiva para ganho de peso.

Mas, “diferença” de quem? Dos filhos de outros touros. Por isso, chamamos de DEP (Diferença Esperada de Progênie). É o quanto esperamos que a Progênie (filhos) de um touro seja de diferente dos outros. Por exemplo, o touro Stout tem DEP de peso ao ano de +128 Libras (58kg) enquanto o Traveler 004 tem +103 libras (46kg). Simplificando, se espera que os filhos do Stout tenham, em média, algo em torno de 12 kg a mais que os do Traveler. A medida em libra é porque os estadunidenses gostam de complicar mesmo: medem peso em libra, altura em pés e temperatura em Fahrenheit. Pronto, agora você já entende o princípio básico da prova. Só nos resta decifrar a prova em si. As legendas das siglas devem aparecer em algum local do catálogo. Normalmente, no começo ou no fim.
 
A prova de touro é apresentada da esquerda para a direita como se fosse uma linha de tempo na vida do animal. Começa ao nascimento com Facilidade de Parto Direta (FPD) e o Peso ao Nascer (PN). Quanto mais baixo o peso ao nascer, melhor, pois haverá menor chance de problemas ao parto. Normalmente, animais de baixo PN terão alta FPD; mas não obrigatoriamente. O FPD é o quanto o touro gera de distocia, partos assistidos. Posteriormente, vêm as características de Peso ao Desmame (PD) e ao Ano (P ANO), seguidas de altura ao ano e circunferência escrotal. Como os animais que permanecem na fazenda são as fêmeas, as características que seguem ao ano são as maternais. Começamos com Facilidade de Parto de Fêmeas (FPF). Não confunda com a facilidade de parto direta! Na FPF, avaliamos a chance das FILHAS do touro ter partos fáceis, não assistidos. No mesmo grupo de características maternais temos leite. Mas, como medir o leite de uma vaca de corte? Se não as ordenhamos, só podemos estimar sua produção pelo peso dos seus filhos ao desmame. Quanto mais pesados os bezerros, logicamente, mais leite... Mas, cuidado! Alguns produtores procuram sempre touros que aumentem leite! Vacas que produzem muito leite têm mais dificuldade de repetir prenhês, pois são mais exigentes em alimentação justamente pela quantidade de nutrientes consumidos pelo úbere.

Em seguida, temos Peso Adulto (PA) e Altura Adulta (AA), que são as medições da progênie desses touros ao atingir a maturidade. Animais com maiores PAs e AAs tem maior capacidade de produzir carcaças pesadas, contudo, tendem a ser mais tardios em acabamento. Animais grandes tendem a crescer por mais tempo, o que pode não ser positivo economicamente, pois demoram demais para serem terminados. Como selecionamos animais pelo ganho de peso, a tendência é a seleção de animais grandes, por isso são fundamentais estas DEP´s. Muita gente avalia o “frame” (tamanho relativo à idade) do touro, porém os dados do animal são bem menos representativos do que as DEP´s em relação à sua genética. O frame, assim como as outras características do animal, devem ser avaliadas em animais jovens que ainda não tenham boa acurácia nas DEP´s. E o que diabos é Acurácia (AC)? Precisão. A precisão ou a confiabilidade de uma DEP é determinada pela quantidade de filhos e fazendas em que a genética de um animal foi testada. Quanto mais filhos testados em diferentes ambientes um touro tiver, maior a acurácia dos seus dados será. Lógico, se um touro é provado em várias condições gerando vários filhos, podemos confiar muito mais do que outroque tenha dois ou três filhos. Por isso, cuidado ao utilizar touros jovens! Temos também as características de carcaça: Peso de Carcaça (PC), Marmoreio (gordura intramuscular), Área a Olho de Lombo (AOL) e gordura. Embora ainda estejamos longe das premiações do mercado americano por carcaça, é interessante observar estas DEP´s, pois nelas estão realmente o rendimento e a qualidade do produto final.


Por fim, na figura, temos índices que são um combinado de outras característica para facilitar a interpretação e correlação dos diferentes dados. E, como saber quando um touro é bom para uma característica? Você já viu que o Matrix, por exemplo, tem 106 libras de Peso ao Ano. Isso é bom? Um recurso muito prático e rápido é o “TOP”. Ele é TOP 5% para peso ao ano. Isto significa que ele é superior a 95% dos touros Angus americanos para esta característica. Para Peso ao Desmame ele é TOP 4%, ou seja, superior a 96% da população. Estas comparações são feitas anualmente e, em algum lugar do catálogo, devem aparecer os resultados gerais da raça Angus na última primavera. Assim, você sabe a posição do animal em relação à média da raça.
 

IMPORTANTE

Não compare dados de raças diferentes nem de Angus Vermelho e Preto no catálogo americano! Nos EUA, Red Angus e Aberdeen Angus são avaliados por associações diferentes como se fossem raças diferentes, portanto um número não pode ser diretamente comparado ao outro! O catálogo deve ser uma ferramenta utilizada pelo produtor juntamente com o seu controle de rebanho. Saber o que se precisa melhorar e qual estratégia utilizar já facilita bastante a escolha de um reprodutor. Converse com seu representante para saber que genética utilizar para atingir seus objetivos. A utilização de programas internos de controle e programas estatísticos como o PROMEBO (Programa de Melhoramento Bovino) também ajudam a focar nos pontos específicos. Quanto mais dados o produtor conseguir interpretar e correlacionar, maior a chance de obter um rebanho adaptado ao seu ambiente e/ou mercado. Desta forma, ele pode utilizar a genética para melhorar seu lucro e a compra de sêmen deve ser encarada como investimento de longo prazo em seu rebanho.

Fonte: CRI Genética, por Marcelo Maronna Dias e Marcos Fernandes da Silveira 



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