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PR: Pecuaristas veem riscos em "livre de aftosa sem vacinação"

Informação | 26 de Maio de 2015

Pecuaristas veem riscos se PR for livre de aftosa sem vacinação

Foto: Divulgação/Assessoria

Pecuaristas resistem à medida, pois dependem dos bezerros criados em Mato Grosso do Sul

Nos próximos meses, técnicos do Ministério da Agricultura, vão passar um “pente fino” no sistema sanitário paranaense e decidir se autorizam ou não a suspensão da imunização. “Queremos oportunidade e o título [da OIE> abre oportunidade. Vamos buscar mercados que não temos acesso por força do conceito [de área livre com vacinas]”, diz Norberto Ortigara, secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná.

A conquista de um novo cliente externo é uma tarefa que exige tempo e muito trabalho. No caso de Santa Catarina, levou sete anos. “A primeira visita que fizemos ao Japão foi em 2006. Comentamos na época com o governo que no ano seguinte receberíamos a certificação da OIE. Eles pediram para que voltássemos a conversar mais tarde. No final de 2007, mandaram uma missão para cá e em 2008 veio outra. Até que em 2013 começamos a exportar carne suína”, afirma Roani Barbosa, diretor de defesa agropecuária da Secretaria da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina em relação que participou de todo o processo de transformação no sistema sanitário do Estado.

No primeiro ano de acordo comercial com o país asiático, os catarinenses embarcaram 162 toneladas de carne. Já em 2014, o volume saltou para 3,2 mil toneladas. “Foi difícil o Japão aceitar carga de Santa Catarina, que está num pais que vacina o rebanho contra a doença”.

Apesar da abertura do mercado, Santa Catarina tem competitividade limitada em relação a outros países fornecedores dos japoneses, conforme Barbosa. O frete marítimo é que pesa na conta dos compradores. Do Brasil ao Japão, são 42 dias de viagem de navio, o que acaba viabilizando somente as exportações de congelados. Estados Unidos e Canadá colocam o produto no destino final em no máximo 14 dias. A indústria catarinense mira agora na Coréia do Sul. Esse mercado importa de 300 mil a 400 mil toneladas somente de carne suína congelada.

Segundo o diretor Barbosa, a suinocultura catarinense foi a que mais se beneficiou do status da OIE. Apesar de a febre aftosa atacar principalmente o gado, pode também ser transmitida aos suínos, por isso toda a cadeia ganha com a certificação, diz. Santa Catarina, que não tem vocação na pecuária de corte e precisa importar boa parte da carne bovina de Mato Grosso, Rio Grande do Sul e até de Rondônia para suprir o consumo interno, é o maior produtor e exportador brasileiro de suínos e busca ganhar cada vez mais espaço na pecuária de leite. 

 

Estresse


Diferentemente do que ocorreu em Santa Catarina, o Paraná encontra resistência na própria cadeia produtiva de carne para suspensão da vacinação. Para Ortigara, isso se deve à dependência do Estado na criação de bovinos em terras sul-matogrossenses. “Existe uma relação umbilical na produção de gado com o Mato Grosso do Sul. O custo menor do bezerro lá viabiliza a terminação aqui. Acredito que entram 75 mil cabeças ao ano no Paraná”, diz o secretário.


O Paraná pressiona Mato Grosso do Sul e o Rio Grande do Sul a comprar a ideia da suspensão da vacinação para buscar o reconhecimento na OIE em bloco. Procurados pela reportagem, os representantes dos dois Estados preferiram não se manifestar. Gaúchos e sul-matogrossenses possuem campos em fronteiras com países vizinhos como o Uruguai, Argentina, Bolívia e Paraguai. Parte dos rebanhos boliviano e argentino também é considerado livre da doença, sem a obrigatoriedade da vacinação.


“Tivemos autorização do governador para contratar 169 profissionais, que devem começar a trabalhar na defesa agropecuária até julho. Também estamos investindo em ampliação e modernização da vigilância em 23 das 33 barreiras que temos. Serão mais de R$ 100 milhões. Ou fazemos isso agora ou esperamos mais 10 ou 15 anos”, diz Ortigara, em relação ao prazo para entrada de protocolos na OIE, que tende a mudar este ano.


Fonte: Globo Rural, por Cassiano Ribeiro

 

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