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Aftosa: Uma medida com efeitos incertos (Moacir Sgarioni, presidente da Sociedade Rural do Paraná)

Informação | 09 de Junho de 2015

Moacir Sgarioni, presidente da Sociedade Rural do Paraná

Foto: Divulgação/Assessoria

 
Por Moacir Sgarioni, presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP)


A Sociedade Rural do Paraná (SRP) vem discutindo o Paraná como área livre de aftosa sem Vacinação, desde 2012. Já naquela época, tínhamos a posição, a favor, desde que ocorresse de forma simultânea com os estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul

Nos últimos meses, o governo do estado retomou as discussões sobre o assunto e a SRP ratificou a posição já aprovada em reuniões com os associados. Durante a ExpoLondrina 2015 , ouvimos outras Sociedades Rurais, Associações, Núcleos de Raças, Criadores, entidades representativas da indústria de carnes e elas concordam em manter o atual status de estado livre de aftosa com vacinação ou sem vacinação se for em bloco.

Todos se preocupam com o alto risco que podemos correr com o surgimento de focos da aftosa no Paraná, dada a complexidade no controle das nossas fronteiras. Apesar de se admitir que o estado possa montar estrutura de fiscalização em seus atuais 23 postos, a fim de coibir entradas de animais ou carne não- legalizada, nossas fronteiras são extensas. Podemos ficar vulneráveis e sujeitos ao risco de contaminação também através de outros veículos, como trânsito de pessoas e ou animais silvestres, que podem comprometer o status sanitário, uma vez que, sem a vacinação, a defesa imunológica dos animais fica reduzida.

O governo vai gastar milhões de reais anualmente para tentar controlar nossas barreiras. Questionamos se o alto custo que o Paraná vai ter que investir para montar e manter a referida estrutura necessária para uma eficaz fiscalização compensa possíveis benefícios para algum segmento da carne, já que o estado reduziu seu apoio para as exposições agropecuárias do Paraná.

Em maio o Ministério da Agricultura divulgou o relatório de Monitoramento Sorológico com a avaliação da eficiência da vacinação realizada em 2014 na zona livre da doença com vacinação. O relatório mostrou que o Paraná encontra-se com taxa inferior a 80% de imunidade, um índice inadequado , principalmente em regiões próximas das fronteiras.

Recebemos informações de Santa Catarina de que o resultado econômico aos criadores de gado de corte não justificou o status livre de aftosa sem vacinação e fontes ouvidas afirmaram que existe suspeita de entrada de reprodutores bovinos ilegalmente no estado. A inseminação artificial no rebanho de corte no Brasil ainda não passou dos 10%, portanto 90% das matrizes dependem de reprodutores de alto valor genético, muitas vezes produzidos em outros estados.

Pelo que temos conhecimento também, o Rio Grande do Sul já conquistou o mesmo status, mas recuou após a doença reaparecer em 2002, na cidade de Jóia. Falamos com destacados criadores, associações e técnicos a respeito, o que se confirmou.

Os efeitos comerciais desta mudança também são relativos. O Paraná não é autossuficiente em pecuária de corte e não vai ser. A nossa preocupação é restringir o comércio pensando só e exclusivamente na exportação. Um consultor de mercado internacional nos informou que o fato da Rússia ou outros países estarem dando preferência na compra de carnes suína do Brasil no momento, não garante mercado futuro, já que eles poderão se tornar mais independentes de importações e o Brasil não conquistará permanentemente esta garantia de mercado, de nenhuma carne.

Participamos de duas audiências públicas na Assembleia Legislativa do estado e expusemos nossa posição e documentamos com o apoio de 26 entidades representativas do setor no estado. Nenhum segmento deverá prosperar em detrimento de outros, com isto propomos a formação de um grupo de trabalho com entidades governamentais em conjunto com a iniciativa privada para melhor avaliar os prós e contras da mudança de status.

Fonte: AgroNegócio, Gazeta do Povo (08 Junho 2015) 

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