Exportações de carne bovina em 2015 não devem crescer, apesar de abertura de novos mercados
Mercado | 26 de Agosto de 2015
Exportações de carne bovina em 2015 não devem crescer
Foto: CarneTec
As aberturas de mercado e fim de embargos à carne bovina brasileira neste ano não deverão ser suficientes para elevar as exportações do produto na comparação com o ano passado. Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Fernando Sampaio, a indústria está trabalhando para manter a estabilidade nos embarques no ano, após a queda registrada até julho.
“A gente espera, pelo menos, recuperar o que foi perdido no primeiro semestre, ou seja, ter uma exportação equiparada à do ano passado”, disse Sampaio à CarneTec na terça-feira (25).
De janeiro a julho, as exportações de carne bovina brasileira caíram 15% em volume, para 770 mil toneladas.
Sampaio diz ser difícil mensurar o impacto que a desaceleração econômica na China poderá ter nas importações de carne brasileira, já que os embarques foram apenas recentemente retomados, em meados de junho.
“Por enquanto, está indo bem. Agora a gente vai acompanhar para ver se mantém os mesmos volumes. A média que a gente está esperando é de pelo menos 10 mil toneladas por mês”, disse ele.
Em julho, a China importou 11 mil toneladas do produto, gerando faturamento de US$ 57,3 milhões, e foi o quarto país entre os principais importadores de carne bovina brasileira.
Atualmente, oito plantas de carne bovina estão habilitadas a exportar para a China, que em menos de dois meses de compras de carne brasileira já figura como um dos principais importadores do produto.
A Abiec espera que, em setembro, a China entregue relatório ao governo brasileiro sobre a visita realizada a frigoríficos em junho e que poderá habilitar novas plantas para exportação para o país asiático.
“A dúvida é se habilitariam por amostragem, ou seja, se o que viram seria o suficiente para habilitar outras plantas que pediram (aprovação) mas não foram visitadas. Isso precisa ser esclarecido”, disse Sampaio.
Além da China, a abertura de mercado à carne bovina in natura brasileira pelos Estados Unidos também foi acertada neste ano, mas ainda depende de aprovações e enfrenta oposição de produtores norte-americanos para que as vendas sejam iniciadas.
Sampaio disse que também é esperada para setembro uma auditoria de autoridades dos EUA no Brasil para definir a equivalência de inspeção, necessária para dar andamento ao processo de abertura de mercado. A visita ainda não está confirmada.
Grandes processadores de carne bovina mencionaram, recentemente, que não veem os embarques de carne bovina brasileira para os EUA sendo iniciados antes de 2016, diante das aprovações ainda necessárias e da forte oposição de produtores norte-americanos.
Nesta semana, o governo brasileiro também anunciou a retirada do embargo à carne bovina in natura paranaense pelo Irã. Mas Sampaio explica que, em volume, as exportações de carne bovina do Paraná para o Irã não eram tão significativas antes do embargo iniciado no fim de 2012. “O importante é retirar uma restrição que não tinha nenhum fundamento científico para continuar”, disse.
O Brasil é considerado país com risco “insignificante” para a doença da vaca louca pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Um caso atípico da doença motivou o embargo pelo Irã e outros países em 2012. Sampaio acrescentou que as negociações com Arábia Saudita e Japão para fim dos embargos destes países à carne brasileira também estão nos estágios finais.
Técnicos sanitários da Arábia Saudita vieram ao Brasil em junho para visitas a alguns frigoríficos e a expectativa é de que o país do Oriente Médio dê uma resposta em breve agora que terminou o feriado do Ramadã.
Já no caso do Japão, a expectativa é de que uma visita de técnicos sanitários ocorra ainda neste ano para retirada do embargo.
Fonte: CarneTec