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Profissionalismo na sucessão chega às grandes propriedades

Informação | 13 de Setembro de 2015

Profissionalismo na sucessão chega às grandes propriedades

Foto: Divulgação/Assessoria

Agricultores do MS aprenderam a lidar com os conflitos internos da família. 
Com muito diálogo, agricultores conseguem decidir o futuro das fazendas

O profissionalismo na sucessão rural está chegando às fazendas de Mato Grosso do Sul. Conhecemos alguns agricultores que souberam lidar com os atritos internos da família, sem colocar em risco o futuro dos negócios. Essa equação é quase sempre complicada, mas os resultados compensam.

Empresas familiares sempre tiveram um papel importante no mundo dos negócios, seja no setor hoteleiro, bancário, na fabricação de carros... Na zona rural, essa transição de pai para filho também é algo de longa data. Só que agora ela vem sendo feita de forma mais profissional e, ao invés de herdeiros, estão surgindo os sucessores.

Quem vê toda a movimentação na Fazenda Laudejá, no município de Bonito, em Mato Grosso do Sul, não imagina quanta água rolou até que a família chegasse a um consenso de onde, quando e como investir. “A gente está conseguindo fortalecer os laços familiares naquela velha máxima de os bons negócios fazem os bons amigos. O resultado disso é proveitoso para o ambiente familiar e para o caixa da empresa”, comemora o agricultor Leôncio Brito Filho.

O bom humor do seu Leôncio tem a ver com o sucesso que é hoje a propriedade depois da escolha do novo gestor. O eleito para assumir o posto foi filho Leôncio Brito Neto, o Leo, que lembra de um início bem complicado. “Eram brigas diárias. Várias vezes eu pensei em sair da fazenda porque estava perdendo essa relação de pai e filho”, lembra Leo.

O ajuste na relação profissional veio com o tempo. “Ele mesmo fala que a mudança só vem depois da compreensão, né? Eu precisei entender isso daí para que eu conseguisse ter uma relação mais profissional, sem deixar esse sentimento de pai e filho interferir no negócio”, diz o filho.

A história que seu Leôncio e dona Lizete Brito propuseram para os seus três filhos é bem diferente da que eles vivenciaram quando receberam a propriedade em um sorteio de família, depois que os bens foram divididos.

“Quem fez esse sorteio foi a minha mãe, 13 anos depois do falecimento do meu pai. E eu vi a dificuldade que é de você fazer uma sucessão familiar com o pai ausente, a mãe ausente, no meu caso foi o pai. Então nós achamos em conversa, nós dois, que o sensato seria que a gente ajudasse nessa transição junto com os nossos filhos. E nós dois somos usufrutuários. Enquanto um de nós dois viver, estaremos participando da sociedade”, explica o pai.

Dessa vez, a propriedade vai seguir inteira para a próxima geração. “A não divisão foi a pergunta feita a cada um dos filhos, se eles tinham interesse em continuar com o negócio. E os três disseram que gostariam de continuar no negócio”, conta dona Lizete.

Depois de definida a sucessão, a fazenda ganhou em tecnologia, produtividade e ampliou o leque das suas atividades com a integração lavoura-pecuária. Um negócio mais sólido facilita, por exemplo, a aquisição de empréstimos bancários.

A agitação que tomou conta da propriedade é compartilhada com quem está a mais de mil, mais de três mil quilômetros de distância. Laís Brito Rocha mora em Fortaleza. Beatriz Brito, em São Paulo. Leo e as irmãs se reúnem a cada 15 dias pela internet. “Os resultados são nossos. Ele está na operação, mas as decisões são compartilhadas. Os riscos precisam ser compartilhados, a gente tem que se apoiar. Acho que essa é a chave do sucesso”, acredita Beatriz.

"Pai rico, filho nobre, neto pobre”. Esse vem sendo um dos provérbios mais repetidos quando se fala em sucessão familiar. E não é à toa, porque grande parte do legado construído em uma geração se desfaz até a terceira. E assim as famílias veem evaporar fortunas, ideais, perspectivas e sonhos.

A experiência da Fazenda Laudejá mostra que é preciso muito esforço para remar contra essa maré. A estrutura de armazenagem para o milho e para a soja foi uma das últimas conquistas desde que a transição dos negócios começou por ali.

Saímos de Bonito para encontrar um dos maiores incentivadores da sucessão familiar em Mato Grosso do Sul. O agricultor Eduardo Riedel estimulou a discussão quando foi presidente do Sindicato Rural do município de Maracaju e também quando liderou a Famasul, a Federação de Agricultura e Pecuária do estado.

“É muito importante que esse processo seja discutido dentro da casa. Fazer com que as pessoas reflitam e tragam para dentro das suas famílias, na mesa do jantar, do almoço, esse tipo de discussão, que naturalmente sempre tem”, defende Eduardo.

A desenvoltura dele em abordar a sucessão tem a ver não só com a experiência que carrega como um dos líderes do setor agropecuário em Mato Grosso do Sul. A fazenda da sua família, no município de Maracaju, se tornou um exemplo de inspiração para outros agricultores.

Em 18 anos, desde que assumiu como sucessor, o faturamento da propriedade aumentou mais de 10 mil por cento. Hoje, ao lado da mãe, Seila Correa, ele relembra que por 15 anos ninguém da família mexeu nos lucros para fazer uso próprio. Fora isso, seu Eduardo trocou o doutorado que faria na Bélgica para se dedicar exclusivamente aos negócios da fazenda. E isso logo depois de se casar.

O sucesso da Fazenda Sapé está diretamente relacionado à introdução da agricultura nas suas atividades. A criação de gado continua, só que com animais melhorados, resultado de decisões profissionais.

Um processo de sucessão bem realizado interfere diretamente na qualidade de vida dos funcionários, seja com o uso de equipamentos mais modernos, seja na melhoria da remuneração. Um programa de gerenciamento de cargos e salários tem distribuído anualmente 8% do lucro líquido da fazenda para os peões, tratoristas e cozinheiras. O bônus do operador de máquinas Ramon Corma chegou perto dos R$ 8 mil no último ano, mais que o triplo do seu salário.

Para que a propriedade siga como o melhor negócio para a família e os funcionários, muitos agricultores contratam consultores para ajudar na sucessão. E todos são unânimes em afirmar: nada substitui o diálogo.

“A felicidade do pai é quando ele percebe que os filhos estão mais preparados do que ele para assumir aquilo que ele deixou”, declara o agrônomo e agricultor Leôncio Brito Filho.

Confira matéria completa aqui. 

Fonte: Globo Rural 

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