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TOUROS: Com boi valorizado, pecuaristas projetam negócios 20% maiores durante os remates de primavera

Informação | 22 de Setembro de 2015

SINDILER: desempenho na últimas temporadas

Foto: Divulgação/Assessoria

Temporada de leilões começa nesta semana embalada pelos bons resultados obtidos pelo setor na Expointer

Com o país em recessão, diversas atividades econômicas atravessam um período de forte turbulência, mas esse não é o caso da pecuária, que navega em céu de brigadeiro. A abertura de novos mercados para a carne brasileira, como a China e os Estados Unidos, e o preço do boi gordo valorizado são alguns dos fatores que contribuem para o momento favorável, contrapondo o recuo nas exportações e no consumo interno.

Às vésperas da largada nos remates de primavera no Estado, o atual cenário leva criadores e leiloeiros a projetarem uma temporada de liquidez, com aumento nos negócios.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Estado (Sindler), Jarbas Knorr, devido ao avanço da soja em áreas de pecuária, o número de animais colocados em pista deve ser 15% menor do que no ano passado. Assim, com o produtor disposto a investir, a expectativa é de que as médias possam ser até 20% superiores às praticadas em 2014, acrescenta Knorr.

Presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Federação daAgricultura do Estado (Farsul), Francisco Schardong também está otimista, mas discorda da queda na oferta:

– Nossa expectativa para a temporada é altamente positiva. É um momento em que pecuária vem despontando, e os compradores de fora do Estado, principalmente do Centro-Oeste, estão bastante ansiosos para investir na genética produzida aqui, para fazer cruzamento.

Segundo Schardong, os remates de primavera deverão acompanhar a tendência de alta já registrada na Expointer, onde a receita obtida com a venda de animais fechou com incremento de 23,8% em relação ao ano passado. Outra razão para a atividade estar driblando a crise, conforme ele, é o fato de não depender tanto de insumos e, desta forma, escapar do aumento dos custos de produção provocado pela desvalorização do real frente ao dólar.

FATORES PARA A BOA FASE DA PECUÁRIA

DEVIDO À CRISE, PRODUTORES OPTAM POR INVESTIR EM ATIVIDADES CONSIDERADAS MAIS SEGURAS.
APESAR DO RECUO NAS EXPORTAÇÕES, A ABERTURA DE NOVOS MERCADOS SINALIZA ALTA NA DEMANDA A MÉDIO PRAZO.
A ATIVIDADE NÃO FOI TÃO AFETADA PELA ALTA NOS CUSTOS DE PRODUÇÃO, PROVOCADA PELA DESVALORIZAÇÃO DO REAL FRENTE AO DÓLAR.
COTAÇÃO DO BOI GORDO EM ALTA NO ESTADO E NO PAÍS, COM CRESCIMENTO ACIMA DA INFLAÇÃO.
OFERTA REDUZIDA DE ANIMAIS DEVIDO AO ABATE

Compradores paranaenses na mira

O leiloeiro Marcelo Silva, da Trajano Silva Remates, calcula que as médias deverão girar em torno de R$ 4 mil e R$ 6 mil para as fêmeas e de R$ 8 mil a R$ 10 mil para os machos. Na temporada passada, esses valores foram R$ 2,96 mil e R$ 8,49 mil, respectivamente, segundo o Sindiler-RS. Silva acredita que haverá manutenção na oferta de touros e recuo de 10% na quantidade de ventres, de olho na produção de machos, em função do preço valorizado.

Há, ainda, a expectativa de que os leilões em solo gaúcho atraiam, neste ano, um número maior de pecuaristas do Paraná, que trabalha para ser o segundo Estado a conquistar o status de área livre de aftosa sem vacinação, conferido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

A imunização do rebanho pode ser suspensa a partir do ano que vem. Presidente da Associação Brasileira de Angus (ABA), José Roberto Pires Weber afirma que a tendência é de os produtores paranaenses se precaverem para um eventual fechamento de fronteiras.

Mas a confiança do setor está embasada, principalmente, na curva ascendente da cotação do boi gordo. Dados da Emater indicam que a média do preço pago pelo quilo vivo na primeira semana deste mês foi de R$ 4,87 – alta de 14,3% em relação ao mesmo período de 2014. Em agosto, esse valor chegou a R$ 5,28.

– O momento da pecuária é relativamente bom para se trabalhar, e o produtor tem de aproveitar. O preço deve seguir firme, com tendência de aumento para o final do ano, o que deixa os produtores mais tranquilos para investir – afirma Fernando Lopa, CEO da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB).

Apesar da queda nas exportações e no consumo interno, a pecuária deve encerrar 2015 com uma alta real nos preços, pelo terceiro ano consecutivo, conforme o zootecnista Gustavo Aguiar, da Scot Consultoria.

– O que vem colaborando para este cenário de firmeza é a fase do ciclo em que a pecuária está, com oferta bastante restrita, reflexo de um abate crescente de fêmeas a partir de 2010. Até o ano passado, presenciamos um abate significativo de fêmeas como consequência de desestímulos, e o que vem ocorrendo desde 2014 é um processo de recomposição do rebanho.


Desconto à vista e prêmio são trunfos

Os dois remates de primavera que movimentaram as maiores cifras da temporada passada adotaram estratégias para atrair clientes e estimular pecuaristas a investir. Com o maior faturamento em 2014, chegando a R$ 4,05 milhões, o leilão da GAP Genética, de Uruguaiana, vai ampliar a oferta em 20% neste ano, além de premiar com animais os maiores compradores de touros e ventres.

Já as cabanhas que promovem o Selo Racial, que obteve receita de R$ 2,93 milhões na edição passada, optaram por fazer dois leilões de reprodutores em 2015: um no outono, em abril, e outro na primavera. Com isso, a quantidade de animais colocados em pista mais que dobrou em relação ao ano passado.

Segundo João Paulo Schneider da Silva, o Kaju, diretor-comercial da GAP, como a oferta será maior, a preocupação não é com a média dos animais, mas com a liquidez. Se o resultado for de pista limpa, a expectativa é de bater o total em vendas do ano passado. Ele evita, no entanto, fazer projeções e pondera que a valorização do preço do boi gordo não costuma ser repassada automaticamente para os reprodutores.

– Estamos apostando que, no nosso negócio, não tem crise. É o momento de investir em qualidade. Temos de ter uma pecuária mais produtiva, e isso passa pela genética. Aumentamos a oferta para atrair mais clientes, pois, em um momento desses, a gente tem de intervir positivamente, para que as pessoas se sintam seguras.

Já Reynaldo Salvador, diretor-comercial da Cia Azul, uma das cinco promotoras do Selo Racial, espera alta de 5% na média dos animais, que, em 2014, foi de R$ 6,22 mil. As condições de frete e pagamento diferenciadas, com financiamento próprio, em até 15 vezes, e desconto de 10% à vista, também são apostas:

– Em um ano de recessão e falta de crédito, aumentar o faturamento em 5% vai ser um grande desafio.

Os diretores concordam que características da pecuária, como o baixo risco, contribuem para o cenário favorável. Segundo Kaju, em meio à turbulência, o capital é direcionado para onde há segurança e liquidez.

– A pecuária de corte, embora tenha baixa rentabilidade, é segura e com ganhos constantes. Você ganha pouco, mas ganha sempre – resume Salvador.

Fonte: Notícias CNA

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