Cadastre-se no site

Cadastre-se e fique informado em primeira mão sobre os principais acontecimentos da Assessoria Agropecuária
Porto Alegre, 27/10/2026

Redes sociais

Agendade eventos

Últimasnotícias

Alerta no combate ao carrapato

Informação | 11 de Janeiro de 2016
Favorecido pelo clima e pelo controle inadequado, parasita ganha espaçoehojeéomaior pesadelo dos criadores

O maior temor dos pecuaristas gaúchos mede pouco mais de um centímetro, mas é capaz de fazer um estrago grande tanto na produção de carnes quanto na indústria coureiro-calçadista. O carrapato, principal agente transmissor da tristeza parasitária, doença que pode levar à morte, exige atenção redobrada no verão. No Rio Grande do Sul, onde predominam a s raças britânicas — consideradas menos resistentes do que os zebuínos —, produtores e veterinários afirmam que a incidência tem aumentado, embora não haja dados oficiais. A dificuldade no combate é acentuada pela oferta restrita de produtos veterinários e pela resistência crescente do parasita, que também pode se proliferar diante de controle inadequado e em situações climáticas específicas.

Favorecida pelo calor e pela umidade, características necessárias para que a biologia do carrapato se preserve, a incidência do parasita provocou alerta nos últimos meses. “Tivemos um aumento desse parasitismo também no inverno pela falta de frio, isso causou um transtorno na pecuária principalmente devido à transmissão da tristeza parasitária”, explica o veterinário Ivo Kohek Júnior, do Programa Estadual de Sanidade Ovina e Doenças Parasitárias da Secretaria de Agricultura. O parasita começa a aparecer em maior quantidade na primavera. As larvas, que estão nas pastagens, sobem nos bovinos e caem novamente no pasto para novas posturas. Assim, nasce uma “segunda geração”, que irá infestar os bovinos no verão, em janeiro e fevereiro. A terceira geração surge no outono.

Para o veterinário, um dos principais equívocos que o criador comete ao tentar controlar o parasita é comprar um produto que não esteja de acordo com a sua necessidade. O controle baseia-se principalmente em carrapaticidas aplicados por meio de banhos de imersão, aspersão, pour on (via dorsal) ou injeção. Inibidores de crescimento do parasita também podem ser encontrados no mercado. No entanto, Kohek adverte que o carrapato que está no animal representa uma parcela mínima da população do parasita, já que a maioria encontra-se no solo.

Especialista no tema, o pesquisador João Ricardo Martins, do Laboratório de Parasitologia do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), recomenda que o criador avalie a sensibilidade dos carrapatos em relação aos carrapaticidas. “Com base nisso, ele vai traçar as medidas de controle”, explica. O pesquisador aponta que a falta de novos ingredientes ativos no mercado é considerada um gargalo, ao mesmo tempo que o manejo incorreto favorece a presença do parasita. “Existe um aumento no índice de resistência e, consequentemente, o produtor tem que fazer mais tratamentos. Se ele utilizava cinco tratamentos, nesse período vai utilizar seis ou sete”, exemplifica. 

A preocupação crescente com o parasita levou o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RS) a organizar um seminário sobre o tema, previsto para ocorrer durante a próxima Expointer, em Esteio. Para o vice-presidente do órgão, José Arthur de Abreu Martins, um dos prováveis motivos para o aumento da incidência é o fato de que “o Estado não tem sido muito efetivo” nesta questão. Outro fator apontado por ele é que muitos produtores fazem uma subutilização dos produtos, o que pode levar a consequências desastrosas. “Um banho carrapaticida, com dosagem errada, a médio prazo vai levar a uma resistência (do carrapato). Muitas vezes o próprio produtor nem se dá conta disso”, adverte o veterinário. O prejuízo para o produtor é ainda mais significativo em tempos de valorização da carne bovina. As perdas, no entanto, não ficam restritas à carne. “O couro bovino de gado europeu é muito mais valorizado. No momento em que está todo picado, ele perde um valor absurdo”, acrescenta José Arthur.

Uma das esperanças do setor é que a indústria de medicamentos trabalhe no reconhecimento de novas moléculas, que possam levar a novas ferramentas de controle. O custo elevado, porém, é um entrave ao desenvolvimento desses produtos. O vice-presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Emílio Salani, admite que a indústria não tem conseguido aproveitar a molécula o tanto quanto gostaria, mas alega que o aparecimento da resistência do carrapato aos produtos devese “ao alto nível de utilização e à possibilidade de subdosagem”. Para Salani, nenhuma propriedade do país pode tratar qualquer parasita sem “tratar estrategicamente os animais, recisando ou não”. “O que nós entendemos é que temos que partir para uma nova ordem, que é utilizar moléculas, tentar não subdosá-las e trabalhar com um programa”, define.

Seleção genômica busca superação de gargalos
Associações também organizam programas decapacitação para enfrentar parasita cada vez mais resistente 

A alta incidência de carrapatos nos rebanhos gaúchos fez com que associações de raça buscassem alternativas para enfrentar o problema. Com treinamentos e seleções de genes, as entidades visam superar as dificuldades ocasionadas pela oferta restrita de produtos veterinários e a crescente resistência dos ectoparasitas.

Em parceria com uma empresa de produtos veterinários, a Associação Brasileira de Angus deu início, em novembro do ano passado, a um programa de capacitação de criadores e funcionários de cabanhas. Os primeiros treinamentos foram realizados no interior de São Paulo, mas a iniciativa deve chegar em fevereiro ao Rio Grande do Sul, em evento marcado para a Cabanha Umbu, em Uruguaiana. O objetivo é esclarecer os produtores sobre os principais equívocos que têm ocorrido no combate ao parasita. “Esse treinamento trata desde a etiologia do carrapato, como ele se desenvolve na natureza, o seu ciclo de vida, incluindo os programas de controle, além de explicar como funciona cada tipo de produto”, descreve o veterinário Rednilson Moreli Gois, técnico da associação. Ele aponta os três equívocos principais observados em muitas propriedades: falta de conhecimento sobre o ciclo do carrapato, falta de conhecimento sobre a ação de cada medicamento e erros no modo de aplicação. 

“Cada propriedade tem uma necessidade diferente, mas o principal método é o controle estratégico, ou seja, é montar um programa de controle”, explica o técnico. De origem europeia, o Angus não tem defesas naturais, segundo Gois, o que aumenta a necessidade de controle. Por isso, paralelamente aos cursos, a associação pesquisa o genoma da raça. “Estamos pegando os animais mais resistentes, fazemos a identificação do genee selecionamos animais com esse perfil genético”, enumera o veterinário. O trabalho é realizado há um ano em conjunto com a Unesp de Jaboticabal (SP). 

Iniciativa semelhante é desenvolvida pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), que, em conjunto com a Embrapa Pecuária Sul, deu início a uma seleção genômica que identifica os touros mais resistentes ao carrapato. A iniciativa visa “driblar” a restrição na oferta de novos produtos veterinários no mercado. “É um projeto de longo prazo, enquanto que os laboratórios vêm trabalhando vagarosamente dentro de novos produtos”, explica o CEO da ABHB, Fernando Lopa. Uma das bandeiras da entidade é o estímulo à utilização de sêmen proveniente do rebanho nacional. Acima do Trópico de Câncer e abaixo do Trópico de Capricórnio não há incidência do parasita. Consequentemente, o gado destas regiões é menos resistente ao carrapato. “A associação não é contra a importação, mas ela alerta o produtor para que verifique se o animal vem de locais suscetíveis, porque isso é uma informação importante”, ressalta Lopa. 

Segundo o pesquisador Fernando Cardoso, da Embrapa Pecuária Sul, a iniciativa deu origem a um painel de marcadores, que permite verificar a resistência sem expor o animal ao ectoparasita. “A genética é uma das ferramentas, mas ela tem que ser combinada com o bom uso da ferramenta química”, afirma. O especialista aponta, porém, que esta é uma das maiores dificuldades encontradas pelos criadores, uma vez que a maioria dos produtos tem um ciclo de mercado limitado devido à resistência do carrapato. “Se o uso não for correto, o ciclo é mais curto ainda.” 


Controle exige atenção aos detalhes
Entre as estratégias dos produtores para cortar ociclo do carrapato estão banhos e uso de medicamentos

Com 4,5 mil animais das raças Hereford e Braford, o produtor Paulo Fleck, de Alegrete, teve parte do seu rebanho acometida por um surto de carrapatos há cinco anos. Na época, perdeu cerca de 15 animais, número pequeno se considerado o total. “Mas a perda subclínica não tem como medir”, observa. De acordo com o produtor, o impacto no peso do animal é de 20 a 30 quilos. “Às vezes, não é que ele vai perder peso, mas ele não engorda”, explica Fleck, titular das cabanhas São Manoel e Sina-Sina.

Após o “susto”, o criador mudou a estratégia de combate ao parasita, a começar pelo princípio ativo do medicamento utilizado. Um banho estratégico é aplicado no final de agosto. Depois, entra o produto avançado, que pode ser uma avermectina. O controle tem continuidade com dois banhos, com intervalo de 21 dias, durante a primavera. “A tendência é cortar o ciclo (do carrapato). E quando chega o verão, sempre damos um banho ou outro”, relata. Hoje, não há incidência de tristeza parasitária no rebanho. 

A preocupação com o combate ao parasita fez com que Fleck fosse um dos produtores participantes da avaliação genômica realizada pela Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB). “Não que vamos erradicar, mas podemos ter famílias menos suscetíveis”, justifica. Desta forma, de acordo com ele, a resistência ao carrapato deve ser transmitida aos filhos desses animais, formando um rebanho menos suscetível a danos. 

O custo alto para manter o rebanho saudável, porém, é uma das reclamações dos produtores. O criador Gilberto Marques de Azevedo, de Cidreira, no Litoral Norte, calcula que tenha gastado cerca de R$ 12 mil em controle de carrapato na sua propriedade, que conta com 700 animais da raça Angus — o que representa uma média de R$ 17 por cabeça. Azevedo, no entanto, ressalta ser fundamental fazer o controle, especialmente após enfrentar problemas com o parasita em sua fazenda, em 2014. Hoje o produtor utiliza banho de imersão, pour on e produtos injetáveis. Ele atribui os problemas ocorridos no ano retrasado a erros de manejo. Até então, realizava apenas os banhos de imersão. “Tem que intercalar os métodos. Se fizer muitos banhos, no terceiro o carrapato já começa a ficar resistente”, relata o produtor, que administra a Fazenda Santa Izabel, com foco em gado de cria, ao lado do filho Humberto. 

 

Fonte: Jornal Correio do Povo, Caderno Correio do Povo Rural (10/01/2016) 

Maisnotícias

  • Remate Angus Quirí movimenta R$ 1,03 milhão e registra média de R$ 30,4 mil por reprodutor

    Leilões | 21 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    O 37º Remate Angus Quirí, realizado em 15 de outubro, em Dom Pedrito (RS), encerrou com faturamento de R$ 1.036.500 e média geral de R$ 30.485,29 por animal. Com a comercialização de 34 reprodutores, o evento foi marcado pela agilidade dos negócios e por valores que, segundo a proprietária da Agropecuária Quirí,...
  • Reserva Angus fatura mais de R$ 1 milhão em Santa Vitória do Palmar

    Leilões | 19 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    O leilão Reserva Angus comercializou 32 touros Angus em 18 de outubro, durante a Expofeira do Sindicato Rural de Santa Vitória do Palmar (RS), com média de R$ 30.187,50 por animal. O maior lance da noite foi de R$ 63 mil pelo animal da Passo Comprido, tatuagem 959, adquirido pela ABS Pecplan. Realizado com pavilhão l...
  • Touro Hereford tem metade arrematada em leilão na Farm Show e é valorizado em R$ 186 mil

    Leilões | 18 de Outubro de 2026
    Foto: Lucas Vieira
    Feira de 2026 bate seu próprio recorde anterior de R$ 132 mil com animal da Wolf Agricultura e Pecuária e com alta herdabilidade para resistência ao carrapato

    Um touro Hereford considerado um dos principais exemplares da Wolf Agricultura e Pecuária foi destaque no leilão realizado nesta sexta-feira (16), durante a ...
  • Remate Só Angus alcança média de R$ 22.916 na venda de touros Angus durante a 100ª Expofeira de Pelotas

    Leilões | 16 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Realizado no dia 11 de outubro, durante a programação da 100ª Expofeira de Pelotas, o Remate Só Angus registrou média de R$ 22.916 na comercialização de touros da raça Angus. O evento ofertou 90 animais, reunindo as propriedades Cabanha Albardão, Estância Santa Amélia, Santa Joana e Tradição.

    A edição foi...
  • Santa Thereza comercializa 100% da oferta na 25ª edição do leilão Angus e Ultrablack

    Leilões | 16 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    A Santa Thereza comercializou todos os 50 animais ofertados na 25ª edição do Leilão Santa Thereza Angus e Ultrablack, realizada na quarta-feira, 14 de outubro, em Dom Pedrito (RS). O remate integrou a programação da Expofeira de Dom Pedrito e do FarmShow, reunindo exemplares das duas raças e genética destinada a ...

Nossosparceiros

Nossosclientes

Redes sociais