

A raça sintética invade os campos brasileiros de norte a sul do país
“A alucinante venda de sêmen Angus levou a esse crescimento extraordinário do Brangus”. A fala é de uma das maiores autoridades da raça sintética no Brasil: Dr. Joal Brazzale Leal, pesquisador da Embrapa Sul e presidente do conselho técnico da Associação de Brangus, que completa: “É um caminho sem volta”. Segundo estimativa do estudioso, nascem por ano um milhão de fêmeas Brangus só no Brasil Central. “O futuro da raça depende da percepção dos criadores em utilizarem em parte dessas fêmeas touros 3/8
ou 5/8 Brangus, claro, com uma boa genética”, ressalta Brazzale, destacando que os bezerros são criados com 100% de heterose e com características superiores: mais pesados, com melhor rendimento de carcaça e qualidade de carne.
A boa adaptação da raça sintética, que reúne as melhores características dos zebuínos e do Angus, tem conquistado cada vez mais o mercado. Segundo dados oficiais da Associação Brasileira de Brangus (ABB), o número de registros tem aumentado em média 10% ao ano, sendo que só em 2015 foram mais de 12 mil animais. “Como a procura pela raça tem
crescido, automaticamente, vai existir uma maior valorização, novos criadores têm ingressado e, com isso, cresce a procura por matrizes e reprodutores”, avalia Renata Pereira, Superintendente de Serviços de Registro Genealógico da ABB.
Ainda de acordo com a Superintendente, o Brangus tem sido muito utilizado no cruzamento industrial, principalmente, por sua rusticidade, adaptabilidade, precocidade e qualidade de carne. “E como a procura por reprodutores tem crescido bastante nos últimos anos, os criadores tem aumentado o plantel para tentar suprir a demanda”, justifica. É o caso de Carlos Eduardo Ribeiro do Valle, proprietário da Fazenda Mutirão, que fica em Paragominas (Pará), onde o plantel de 260 cabeças tem como foco a comercialização de touros Brangus. O trabalho começou em 2014 e desde então a demanda é crescente. “Já tivemos procura até mesmo de produtores do Piauí”, comemora o pecuarista. O técnico em zootecnia José Eduardo de Araújo Barros é o gerente da Fazenda Mutirão. Ele lembra que, no começo, a base utilizada para os animais foi 1/2 Angus x Nelore e 3/4 oriundos do rebanho. “Em 2016, nasceram nossos primeiros tourinhos 3/8 Brangus. Sem dúvida, é a melhor raça sintética, que alia qualidade de carne e adaptabilidade às altas temperaturas e umidade, bem como precocidade sexual”, destaca.
Tudo isso em qualquer lugar do país. “É possível investir em Brangus da baixada maranhense ao pantanal mato-grossense”, garante o médico veterinário Mário Pompeo, representante da ABS no Mato Grosso do Sul, um entusiasta da raça, defendendo o Brangus pela boa qualidade da carne, fruto de uma carcaça pesada e muito marmoreio. Além disso, a boa habilidade materna das fêmeas é um grande atrativo para a produção de bezerros.
ABS investe na bateria Brangus para atender crescimento do mercado
O gerente de Produto Corte Europeu da ABS Pecplan, Marcelo Selistre, comenta que os criadores têm percebido o potencial da fêmea 1/2 sangue Angus x Nelore. “É a categoria animal mais lucrativa para quem trabalha com cruzamento industrial. Afinal, ela consegue emprenhar em até um ano, desmama um ótimo terneiro e engorda até os 30 meses de idade, com a possibilidade de receber preço de macho com bonificação do programa Carne Angus ”, explica ressaltando que ao utilizar a genética Brangus nessa matriz, o criador ainda também pode conseguir a bonificação do programa de qualidade Angus para seus produtos.
Para atender esse mercado, a ABS Pecplan teminvestido forte na bateria. Recentemente, a empresa comprou dois touros: MSX BEEF (da Fazenda São Geraldo) e Broncos (da Fazenda San Lopes). “O MSX BEEF vem de um criatório tradicional que seleciona com um foco em qualidade de carcaça e produção de carne de qualidade. Já BRONCOS, filho de um touro australiano com linhagem americana,se destaca por uma avaliação genética muito forte: top 1% peso ao desmame, top 2% no peso ao sobreano e 2% no IQG (Índice de Qualificação Genética)”, descreve o gerente.
Dentre os touros Brangus, a grande aposta atual da empresa é o Artilheiro, considerado o melhor touro produzido pela GAP em todos os tempos. Além de apresentar uma excelente conformação – muito comprido e musculoso -, o reprodutor se destaca pela docilidade, qualidade do sêmen e a incrível avaliação genética. “Vem de uma linhagem de pedigree consagrada, e é de geração avançada, o que é muito importante para evitar a segregação genética, mantendo as características selecionadas”, afirma Selistre.
Ainda na bateria ABS, estão três reprodutores com linhagem Argentina: ABS Compartido, ABS Tsunami e Yunke. “São touros precoces, com boa avaliação genética, TOP 5% para peso ao desmame e peso ao ano. São opções para o mercado que procura um biótipo europeu”, destaca Marcelo Selistre. Ainda segundo o gerente, a ABS aposta tanto no
Brangus que está em andamento a importação de sêmen de vários touros de elite dos Estados Unidos. “Em breve, teremos mais novidades”, afirma.
Fonte: ABS News, Julho/16