Foto: Portal DBO
Ranking comemora 10 anos de história, com um novo e importante passo: o levantamento dos novos touros de central, permitindo ao setor conhecer não apenas os nomes dos maiores vendedores de raças taurinas do País, mas também a elite de sua produção nas fazendas.
Pelo segundo ano consecutivo, DBO publica o ranking dos maiores vendedores de touros taurinos do Brasil, que completa 10 edições em 2025. O levantamento é realizado pela Assessoria Agropecuária FF Velloso & Dimas Rocha, em parceria com a DBO, e ultrapassou a marca histórica de 58.000 touros vendidos desde seu início, em 2015. Além da data comemorativa, esta 10ª edição traz uma novidade: a primeira lista de touros ingressos em centrais em 2024, que abre uma nova frente de coleta de dados sobre os reprodutores taurinos no Brasil, permitindo conhecer a fundo a produção das propriedades e do mercado de sêmen. Muitos dos 112 touros que entraram na lista de “novas opções genéticas” para o mercado foram produzidos pelas fazendas Top 50, mas o levantamento também incluiu produtores e raças que não entraram no ranking, como a Wagyu, Santa Gertrudis, Caracu e Shorthorn (veja lista na pág. 38).
Os líderes de vendas de touros taurinos do País comercializaram 5.384 animais no ano passado, em leilões e nas propriedades. Sua importância é confirmada por um dado inédito: 71% deles colocaram touros em coleta nas centrais. Isso inclui desde os que estão no topo quanto os que estão no final do ranking. Bom exemplo é a Estância Passo Comprido, 48º lugar no ranking, com 35 touros vendidos em 2024, presente no mercado de inseminação. “Algumas fazendas são grandes e tecnificadas, mas produzem menos touros, porque têm outras atividades”, explica Fernando Velloso, idealizador da pesquisa. Juntos, os cinco maiores players do segmento – GAP, Senepol da Grama, Pitangueira, VPJ e Cia Azul – venderam 1.757 reprodutores em 2024 (o equivalente a 33% do total ranqueado) e colocaram 22 touros em coleta em centrais em 2024 (19,6% dentre os 112 listados).
Observando a lista de novos doadores de sêmen, constata-se forte presença das raças Angus e Brangus, que “abocanharam” 58% deste mercado de inseminação artificial, seguidas pela raça Braford, com mais 15%. A Alta Genetics foi a empresa com maior portfólio de touros taurinos no grupo, com 37% de representatividade. Em segundo lugar, ficou a CRV Lagoa (18%) e em terceiro, praticamente empatadas, a Genex e a Renascer Tecnologia, ambas na casa de 10%. Ao todo, 14 empresas enviaram dados de touros contratados ou adquiridos à consultoria FF Velloso & Dimas Rocha.
Hoje, muitos selecionadores preferem vender seus principais reprodutores para as centrais ou investidores do que tê-los contratados. A “preferência” se dá pela possibilidade de valorizar o reprodutor (ou parte dele, por exemplo, 50%) em uma negociação dessa natureza e, assim, antecipar ganhos financeiros, sem participar dos riscos inerentes à colocação do reprodutor no mercado de inseminação. O negócio “touro de central” passou a ser um importante quesito para a diferenciação dos produtos nos leilões ou comercialização direta nas fazendas.
Qualificação genética
O que parece sustentar esse crescimento é a profissionalização dos produtores de genética taurina. As respostas enviadas pelos participantes apontam forte investimento em tecnologias reprodutivas e de identificação precoce dos melhores indivíduos do rebanho, como a genômica, tecnologia que vem crescendo associada aos diferentes programas de melhoramento. Mais de 90% dos rebanhos estão associados ao Promebo, Natura, Pampa Plus, Delta G e Geneplus. Vários declararam fazer mais de um programa de melhoramento genético. Em função disso, touros listados pelas centrais tinham dois anos de idade em média, ou seja, animais que nasceram e foram comercializados na mesma “safra” da fazenda, um indicador de eficiência produtiva e comercial.
Outra característica desses projetos é o tempo na atividade e, consequentemente, a consolidação da marca no mercado. Neste grupo, a sucessão é um processo fundamental para garantir a continuidade do legado de uma geração para outra, geralmente dentro da mesma família. Alguns criatórios participantes têm entre 50 e 100 anos. “O comprador posiciona o vendedor tradicional de forma diferente, uma tendência dos grandes players da genética mundial”, diz Velloso, que atua como consultor em alguns dos projetos, é diretor comercial da CRIO Central Genética Bovina e também um estudioso desse mercado. Ele explica que, nos Estados Unidos, o “seller factor”, traduzido para o português como “fator vendedor”, é um dos principais componentes da variação de preços e da quantidade de touros ofertados em pesquisas do gênero.
Bom balizador
Após analisar os resultados do TOP 50 Taurinos, a FF Velloso conclui que a virada de ciclo começará a surtir efeito no levantamento a partir deste ano, projeção fundamentada no melhor preço do bezerro desmamado nas praças gaúchas, que subiu de R$ 10/Kg, em 2024, para R$ 14/kg em 2025, estimulando o comércio de reprodutores na atual temporada de primavera. Serão 243 leilões em 37 municípios, de agosto a novembro, sendo 115 de bovinos, segundo balanço do Sindiler (Sindicato dos Leiloeiros Rurais e Empresas de Leilão Rural do RS). “Podemos dizer, seguramente, que 2024 foi o último ano do ranking na fase de baixa do ciclo pecuário”, diz Velloso.
Nas duas últimas edições do Top 50, referentes a 2023 e 2024, foram vendidos 5.559 touros (em média), porém, o levantamento já chegou a tabular em torno de 8.000 reprodutores por período. A expectativa é de que a média volte a subir aos patamares de 150 touros por vendedor, algo bem acima dos 107 atuais. No pódio das raças nada deve mudar. Existe liderança inconteste das sintéticas Brangus e Braford, que somadas à Angus e à Hereford, representam 71% do levantamento, com 3.803 touros.
Outras têm tido participação importante e crescente nos últimos anos. Destaca-se a novata Senepol, com pouco mais de 25 anos de seleção e 12% das vendas atuais (praticamente o mesmo volume comercializado pela Angus), e a veterana Charolês, com 3,5%. Esse é também o percentual registrado pelo composto Montana, que, ao lado do Senepol, ajuda a dispersar o Top 50 pelo Sudeste e Centro-Oeste, já que o comércio de touros europeus se concentra basicamente no Sul do País. Juntas, as sete mencionadas representaram mais de 90% do ranking, composto por 14 raças.
1º GAP GENÉTICA: UMA FÁBRICA DE TOUROS
Invicta na liderança desde a 1ª edição do ranking, a GAP Genética, do criador Eduardo Macedo Linhares, comercializou 537 reprodutores em 2024. Os motivos são simples: não há outro criatório no Brasil que venda, em quantidade, as quatro principais raças gaúchas (Angus, Brangus, Hereford e Braford), por anos consecutivos, com a pressão de seleção da GAP. Apenas 30% dos machos nascidos de um plantel de 6.000 fêmeas registradas se tornam reprodutores. Com sede em Uruguaiana, cidade na fronteira gaúcha, o criatório tem sucursal no Mato Grosso desde 1997, onde produz a sintética Brangus, hoje com o maior número de vendas declaradas anualmente.
João Paulo Schneider, o Kaju, gerente comercial da GAP, diz que “é preciso uma “pitada” zebuína para avançar sobre mercados inatingíveis pelas britânicas, raças com as quais a empresa iniciou seu projeto de seleção, no século passado. Hoje, o programa de genética produz indivíduos de alto valor agregado e respalda a produção de animais superiores direcionados à indústria. A GAP abate 3.000 bois/ano, a maioria machos castrados certificados pela associação de Angus, apesar da forte tradição na venda de reprodutores. No leilão de 2024, os touros atingiram média entre R$16.720 (Angus) e R$21.750 (Brangus), com alta reincidência na compra. A GAP tem um programa que recompensa a clientes fiéis, que fazem aquisições recorrentes em seus leilões, oferecendo-lhes descontos ou benefícios na compra de lotes a preço fixo.
2º SENEPOL DA GRAMA: DA FIV À EFICIÊNCIA ALIMENTAR
A Senepol da Grama, com sede em Pirajuí (SP), também manteve a colocação que havia conquistado no ranking em 2024. A fazenda foi uma das primeiras a investir em Senepol no Brasil, ainda em 2000, com a importação de embriões da raça. No ano passado, vendeu 360 touros, um sinal do reconhecimento que o mercado confere a este taurino precoce e adaptado aos trópicos, características que o tornam excelente alternativa para quem quer entrar no cruzamento industrial, na modalidade monta a campo. “O comprador quer mais do que o básico. Para ele, ter registro definitivo, exame andrológico positivo é o mínimo; quer animais de carcaça expressiva, avaliados para eficiência alimentar, campeões de prova e líderes de sumário”, diz Junior Fernandes, titular da marca. Para gerar esse produto altamente qualificado, a Grama aposta em FIV (Fertilização in Vitro), ferramenta multiplicadora de indivíduos fortemente selecionados.
Os animais nascidos na fazenda são avaliados pelos Programas Topázio e Safira, visando identificar doadoras de alto valor genético para diferentes objetivos, seja a formação de rebanhos (doadoras Top Class), seja para produção de touros (doadoras Safira Ouro) ou uso em inseminação artificial e monta natural (Selo de Matriz). A Grama está também entre os cinco primeiros colocados que avaliam animais por eficiência alimentar no Brasil, somando 5.000 dados coletados.
3º PITANGUEIRA: BERÇO DO BRAFORD BRASILEIRO
Criada em 1975 pelo criador Pedro Monteiro Lopes (falecido em 2020), a Cabanha Pitangueira é considerada o berço genético do Braford brasileiro, produto originário do cruzamento de Hereford com Zebu, no caso o Nelore. Hoje, nas mãos da sucessora Clarissa Lopes, o criatório se mantém entre os maiores e mais conceituados do Pais, líder absoluto de vendas da raça. São 4.000 fêmeas na base da seleção, que possibilitam à empresa comercializar de 300 a 400 reprodutores por safra. A Pitangueira também possui um projeto robusto de gado comercial, engordando cerca de 2.000 animais por ano, com idade média de 30-36 meses e peso de 18-19@.
São oito fazendas, distribuídas pelo RS, além de parcerias com criadores de MT e PR. O núcleo de seleção fica em Itaqui, na fronteira oeste gaúcha, de onde sai a safra de touros anual. Além da venda em leilões, a cabanha investe em e-commerce. O canal da empresa no Youtube tornou-se uma plataforma rentável e a vitrine da cabanha. Hoje, mais da metade das vendas de animais é feita de forma direta e os compradores têm, no canal virtual, uma alternativa fácil para fazer contato e obter informações sobre a genética dos animais. A Pitangueira subiu do quarto para o terceiro lugar no Top 50 Taurinos, ranking do qual participa desde a primeira edição, em 2015.
4º VPJ: GENÉTICA PARA RETROALIMENTAR O PROJETO DE CARNE
VPJ foi a participante do Top 50 Taurinos que mais colocou touros em coleta nas centrais de inseminação. Com trabalho focado na produção de genética para abastecer o mercado de carne de qualidade, a empresa de Valdomiro Poliselli Júnior é uma grande fornecedora de sêmen de touros Angus, Brangus e Ultrablack para a produção dos 1/2 sangue que abastecem o projeto de carne na indústria. A produção se concentra nas centrais com doadores da própria VPJ, alguns em parceria com clientes que detêm 50% da propriedade do touro, muitos deles empresários que buscam diversificar investimentos por meio deste “ativo”.
Nos próximos anos, A VPJ quer aumentar a produção de reprodutores, utilizando a FIV (Fertilização In Vitro) para multiplicar embriões de fêmeas de maior valor genético e produzir animais com alta aptidão para uso em programas de cruzamento industrial. Hoje, o maior rebanho da empresa é o da raça Brangus, mantido no Estado de Goiás, onde a VPJ produz genética nas mesmas condições de campo do gado comercial, para atender clientes potenciais e abrir novos mercados, como o Norte e o Nordeste.
5º CIA AZUL: BIOTIPO ADAPTADO E CARCAÇAS CERTIFICADAS
Com um século de seleção, a CIA Azul está de volta ao ranking dos maiores vendedores de touros taurinos do País em 2025. A propriedade de Susana Macedo Salvador e Reynaldo Titoff Salvador, localizada entre os municípios de Quaraí e Uruguaiana, na fronteira oeste do Estado, atua na seleção de animais das raças Angus, Brangus, Ultrablack e Braford, associada a três grandes programas de melhoramento genético: Promebo, Natura e Delta G. Dentre as tecnologias aplicadas, estão a ultrassonografia de carcaça e a genômica, que têm permitido ao criatório produzir indivíduos mais resistentes ao carrapato, que entreguem carcaças pesadas e bem acabadas na indústria. A Cia Azul é fornecedora de animais para o Programa Carne Angus Certificada. O criatório foi o quinto colocado no Top 50 Taurinos (total de 254 touros) e o primeiro da raça Angus, com 117 reprodutores comercializados.
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Fonte: Revista DBO (Setembro 2025)