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Produção de sêmen bovino avançou 12,4% em 2025 mesmo com alta no abate de fêmeas

Informação | 26 de Fevereiro de 2026

Exportação do segmento 'mudou de patamar', diz presidente da Asbia, Luis Adriano Teixeira

Foto: Divulgação/Assessoria

Exportação do segmento 'mudou de patamar', diz presidente da Asbia, Luis Adriano Teixeira

A indústria brasileira de inseminação artificial em bovinos produziu 23 milhões de doses de sêmen bovino no ano passado, um crescimento de 12,4% em relação a 2024, de acordo com o Index Asbia, divulgado nesta quarta-feira (25/2) pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) e elaborado em parceria com o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Foram 19,2 milhões de doses no segmento corte e 3,8 milhões de doses no segmento leite - que alcançou um recorde, com alta de 20,9%.

Considerando toda a oferta de sêmen bovino, entre produção nacional e importação, a entrada de doses no mercado cresceu 15,5% na comparação anual. As importações ficaram em 7,2 milhões de doses, alta de 26,7% em relação a 2024.
Ainda segundo a Asbia, o Brasil exportou um volume recorde de doses de sêmen bovino em 2025, ultrapassando 1 milhão de doses. No corte, os embarques somaram 598 mil doses. No leite, foram 519 mil.

O desempenho positivo se deu na contramão da elevação do abate de matrizes registrada no ano passado, o que impacta na produção de bezerros.

Dados do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), apontam que a participação das fêmeas no total de abates foi de 45% no ano passado. Em 2021, por exemplo, esse percentual estava em 33,7%.

"O principal fator está associado à produtividade, aumento da eficiência da atividade, gerando mais bezerros mesmo com um número menor de vacas. O abate de fêmeas foi compensado pela melhoria de produtividade das fazendas", explicou o diretor operacional da Asbia, Stefan Mihailov.

No segmento leite, por sua vez, o aumento da inseminação se deu mesmo num cenário de baixa remuneração na atividade. Segundo o Cepea/Esalq, o preço pago ao produtor de Minas Gerais pelo litro caiu de R$ 2,72 para R$ 2,03 entre janeiro e dezembro do ano passado.

"Atingimos mais de 15% das vacas inseminadas. O horizonte ainda é enorme, existem mais 85% das vacas aptas para serem inseminadas na pecuária de leite que ainda não adotam a tecnologia", acrescentou Mihailov.

"No gado de leite, não tivemos um aumento de vacas que represente esse aumento de produção que a gente viu do uso de inseminação artificial, então isso claramente está associado a novas fazendas passando a utilizar mais inseminação e também a um processo de consolidação de fazendas de pequeno porte talvez sendo absorvidas por fazendas mais estruturadas que já adotam a tecnologia."
O Index Asbia aponta ainda que a tecnologia esteve presente em 4.529 municípios brasileiros, o que representa 81,3% do total.

Momento de retomada

Os dados divulgados nesta quarta-feira confirmam a retomada iniciada em 2024, quando as vendas voltaram a subir após dois anos de queda no segmento corte. O ano de 2021, com 19,8 milhões de doses comercializadas, permanece um recorde.

Para o presidente da Asbia, Luis Adriano Teixeira, o desempenho destes últimos anos deve-se a um conjunto de fatores que inclui o trabalho institucional de divulgar os benefícios da inseminação e o efeito do ciclo pecuário, que levou o produtor a enviar parte de suas fêmeas ao abate para manter fluxo de caixa. "Em 2025, vários fatores externos, desde as tarifas dos Estados Unidos até a variação cambial, acabaram segurando um pouco o mercado, mas mesmo assim o mercado de corte cresceu 8%", observa.

Tendo em vista o atual cenário de virada no ciclo pecuário, com maior valorização de bezerros, Teixeira afirma que a expectativa é positiva para o desempenho do setor em 2026, tanto no mercado interno quanto na exportação em gado de corte e leite. "Não tenho dúvida que os números vão continuar crescendo a dois dígitos", afirmou, porém sem arriscar um percentual.

Genética tropical

Quanto às exportações, o crescimento foi de 33% durante o ano passado. "Mudou de patamar", diz Teixeira, usando uma expressão popular no futebol.

Alguns fatores colaboraram para isso, na avaliação do dirigente. O primeiro deles é o fato de o Brasil ser reconhecido como a melhor fonte de "genética tropical", tanto no corte quanto no leite. Em função disso, países da América Central, América Latina e África estão entre os principais mercados.

Outro fator importante foi o trabalho desenvolvido pelas associações de criadores e programas de melhoramento genético.
Maior consumidor de carne do mundo, a China é considerada um mercado estratégico para o futuro, uma vez que o gigante asiático busca reduzir a dependência das importações.

"O crescimento da produção interna tem de passar por um melhoramento genético. É um grande mercado potencial para o uso de genética melhoradora. Mas o mercado chinês, assim como vários outros, não deixa de ser um mercado difícil de abrir, de protocolos", afirma Teixeira, citando que conversas estão em andamento junto com entidades do setor.

Fonte: Globo Rural, Por Danton Boatini Júnior (25/02/26) 

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