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Carne ovina ganha novos formatos no varejo, mas indústria aponta falta de matéria-prima

Carne | 31 de Agosto de 2026

Carne ovina ganha novos formatos no varejo, mas indústria aponta falta de matéria-prima

Foto: AgroEffective

Conexão Cordeiro reuniu produção, frigoríficos, varejo e mercado na Expointer para discutir oferta de animais e mudanças no consumo

A disponibilidade de cordeiros para atender a indústria aparece como um dos desafios para acompanhar o crescimento do consumo de carne ovina. O tema esteve no centro do Conexão Cordeiro, realizado neste domingo (30), durante a Expointer, em Esteio (RS), pela Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC), reunindo representantes da produção, frigoríficos, varejo e mercado.

O presidente da ABCC, Gustavo Velloso, explicou que a proposta foi aproveitar a presença dos diferentes segmentos na feira para colocar os desafios de cada etapa da cadeia na mesma discussão. “Temos produtores, frigoríficos e consumidores. A ideia foi juntar todos eles para que cada um possa falar dos seus desafios e, a partir disso, buscar alternativas para aumentar a produtividade de cordeiros e o consumo”, afirmou.

A raça Corriedale também esteve inserida no debate pela participação que mantém na produção ovina do Rio Grande do Sul. Segundo Velloso, a raça representa atualmente mais de 60% do rebanho gaúcho, o que coloca seus criadores diretamente nas discussões sobre produção e mercado da carne.

Na indústria, o aumento da disponibilidade de animais foi apontado como uma das necessidades para acompanhar a demanda. O diretor-presidente do Frigorífico Carneiro Sul, João Bernardo da Silva, vê espaço para crescimento, mas identifica na matéria-prima o principal gargalo. “O consumo da carne ovina vem crescendo e temos um mercado enorme construído. Hoje, o nosso grande desafio como indústria é ter matéria-prima”, explicou.

Silva considera a relação com os produtores necessária para que os frigoríficos consigam planejar os próximos passos e ampliar o abastecimento. “Nós precisamos do produtor rural. Ele é um elo extremamente importante para o desenvolvimento da ovinocultura e do consumo da carne ovina”, acrescentou.

As mudanças já podem ser percebidas também na forma como o produto chega ao consumidor. A consultora de mercado Ana Doralina Menezes observou que, além da carne congelada, hoje há opções resfriadas, manipuladas, fracionadas e oferecidas em bandejas. “A carne ovina também está sendo desafiada a entender qual é o seu mercado, quem é o seu cliente, o que ele avalia quando vai comprar e o que a cadeia precisa entregar para atender às características e à qualidade que ele busca”, explicou.

No ponto de venda, a percepção é de uma comercialização diferente daquela observada décadas atrás. O proprietário da Calvi Carnes, Eloir Francisco Calvi, afirmou que ainda há espaço para ampliar a divulgação da proteína, embora encontre atualmente maior facilidade para comercializar o produto. “Hoje está mais fácil de vender do que anos atrás. Quando comecei, há mais de 40 anos, um quilo de cordeiro custava o preço de um quilo de frango”, relatou.

Com o tema “Mercado, tecnologia e valor na cadeia da carne ovina”, o Conexão Cordeiro também contou com José Magalhães, da Estância Alagoas; Daniel Barros, médico-veterinário, produtor rural e gerente de Ruminantes da Supra; Gabriel de Oliveira, sócio-proprietário da Cordeiros Arroio Malo; Humberto da Silva, diretor industrial da Carneiro Sul; e Victor Pigues, médico-veterinário, produtor rural e gerente de Território da ADM Nutrição Animal. A programação ocorreu na Casa Corriedale, no Parque de Exposições Assis Brasil.

Fonte: ABCC 31/08/2026

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