Estamos em plena temporada de venda de touros taurinos, especialmente no Brasil Sul. Os remates estão disputando a agenda e a atenção dos produtores. Por hora, as médias estão girando em torno de R$ 20 a 25 mil, com grandes variações entre os animais (de R$ 16 a R$ 30 mil). Estamos praticando o ріsо dos 1.500-2.000 kg de boi gordo para um touro. A recuperação de preços no gado de reposição parece não ter chegado integralmente nos reprodutores.
A utilização de bons touros é uma "tecnologia" inegociável. Creio que este tema já está mais do que batido e é consenso entre a maior parte dos pecuaristas. Se a semente está para a agricultura como o touro está para a pecuária, é bem simples compreender que este insumo inicia tudo e que seu impacto na produção é de grande ordem. Dito isto, ficamos de acordo que ter bons touros é inegociável. Quando cito "bons touros" me refiro a reprodutores férteis e com genética adequada às necessidades do rebanho.
Velloso, como escolher um bom touro? Bom, a resposta não é tão simples e o espaço que o tema necessita não é comportado em apenas um texto por aqui. Para começar a respondê-la, proponho listar alguns pontos inegociáveis para a compra de um bom touro:
1. Touro AVALIADO
Não tem sentido adquirir touros sem avaliação (somente pelo olho) em pleno ano de 2026. Os programas de melhoramento existem para nos guiar e identificar os animais mais adequados ao que buscamos e geram números para isso. Adquirir um touro sem avaliação é o mesmo que comprar um telefone ou computador sem a informações de memória e processador. Não creio que alguém faça isso. Fazem?
2. Touro DÓCIL
O touro deve ter comportamento ativo e libido, mas não ser brabo. Não confunda um touro perigoso com o touro que gosta de vaca. Os touros muito reativos, agressivos, são perigosos no manejo e esta característica vai contra a qualidade de carne também.
3. Touro da RAÇA definida
A definição da raça a ser usada nesta temporada de monta é uma decisão que deve ter sido bem pensada, em função da composição do rebanho de cria, das características a serem melhoradas, dos desafios do ambiente etc. Não considere mudar esta decisão bem na hora do leilão, em função de uma "oportunidade maravilhosa" que se apresenta. Se a sua definição foi adquirir touros Angus e não Brangus, existem motivos técnicos e comerciais. Ceder e mudar para uma raça "parecida" não é boa decisão. E vale no versa-vice também, se a decisão foi comprar touros Brangus, invés de Angus.
4. Touro do TAMANHO CERTO
One sizefits all [um tamanho para todos] mal e mal funciona para roupas, quem dera pra touros. Tamanho animal é um tema complexo, mas a regra simples é evitar extremos, especialmente os gigantes. Se o touro é grande e está pesado no leilão, mas ainda não está bonito (pelo fino) e com deposição de gordura, é melhor pular esse lote. Se, com condições ótimas, ele não se aprontou, imagine na fazenda do produtor comercial.
5. Touro ADAPTADO
A melhor adaptação ao meio é fundamental para um reprodutor e um desafio para as raças europeias no Brasil. Touros peludos ou com pelo feio, ofegantes (batendo a respiração) e com visível desconforto para caminhar estão nos dizendo que não possuem boa adaptação ao meio.
6. Touro de BOА PROCEDÊNCIA
Assim como os carros, a procedência dos touros é fundamental. Adquira seus touros nas "concessionárias" com boa reputação no meio. Para confiar na descrição técnica do produto, são necessário fornecedores organizados e idôneos.
Votos de sucesso nas suas compras. Se o seu lote escolhido preencher os 6 pontos acima, começamos muito bem!
Fonte: É Só Olhar e Ver, Revista DBO, 15/10/2026 - Por Fernando Furtado Velloso