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Rebanhos de sucesso muito além da IATF (por Giovani Fagundes, SEMEX)

Informação | 18 de Abril de 2016

 

Devido ao grande crescimento do segmento corte no mercado brasileiro, este artigo tem como objetivo propor resumidamente métodos de otimização dos resultados de IATF (inseminação artificial em tempo fixo). O assunto é abordado no dia a dia entre produtores, técnicos e veterinários na busca de aumentar as taxas de prenhez.

Recentemente, no Brasil, a IATF chama atenção de produtores de bovinos de corte, área na qual o aumento de percentuais de prenhes é incansável. Ainda mais tendo em vista a perspectiva do mercado de carne bovina que promete deixar o Brasil como o maior exportador mundial, com taxas de crescimento das exportações em 6,18% ao ano. Segundo o Rabobank, a China deverá absorver pelo menos 200 mil toneladas do produto brasileiro, o dobro das vendas do ano passado, ou seja, é preciso criar mais terneiros de qualidade.

E por onde podemos começar o assunto otimização da IATF? Simples, apenas pelo gráfico da pirâmide de produção bovina:

(grafico1. - GOTTSCHALL, C. S.)

Vejamos, como base da pirâmide a alimentação, um dos principais fatores dentro da reprodução bovina:
- Tanto novilhas, primíparas e multíparas devem estar com um escore de condição corporal (ECC) adequado e programado para a estação de acasalamento, buscando reservas enérgicas para repetir prenhes no ano seguinte (terneiro/vaca/ano).

No entanto, devemos conhecer o ambiente em que serão manejados os animais, para poder suprir as suas necessidades nutricionais.
- Em segundo, o plano temos a sanidade, item de grande importância dentro da reprodução bovina, na qual devemos ter um planejamento/calendário anual de vacinas.

De acordo com a Equipe BeefPoint, a eficiência reprodutiva é um fator de grande impacto no retorno econômico da pecuária. Sabe-se que doenças infecciosas são responsáveis por cerca de 40 a 50 % das causas de perdas de gestação, sendo que a rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), a diarreia viral bovina (BVD) e a leptospirose são associadas com estas desordens reprodutivas. Portanto devemos ter um planejamento sanitário dentro da propriedade.

- Em terceiro, o manejo reprodutivo, onde se enquadram os protocolos de IATF, a mão de obra qualificada (veterinário, técnico, inseminador e funcionário).

Os protocolos de IATF devem ser elaborados em cima de cada categoria (novilhas, primíparas e multíparas), pois há diferenças de protocolos nelas, e um uso ou não de determinados hormônios ou erros de dosagens podem baixar o seu percentual de prenhes.

A mão de obra qualificada é de extrema importância, tanto para o veterinário responsável – que irá planejar a estação reprodutiva, calendário sanitário e determinado protocolo de IATF – quanto ao inseminador – que deve ter experiência e atenção durante a inseminação – mas também o funcionário, que deve ter um manejo adequado durante o trabalho com os bovinos. Evitando desta forma o estresse animal, uma vez que está comprovado que altos níveis de estresse interferem na reprodução bovina.

- Em quarto, na pirâmide, temos a genética, na qual devem ser avaliados touros de alta fertilidade e qualidade - que deve ser analisadas através dos índices, buscando atender as necessidades do mercado, fazendo que tenha um retorno financeiro para o produtor.

- E em quinto, temos as instalações, que devem ser seguidas no mesmo pensamento de bem estar animal, evitando o estresse e facilitando o manejo com os bovinos.

Por fim, vale salientar que a IATF, muitas vezes, é, equivocadamente abordada como uma solução milagrosa para um sistema de produção. Mas, devemos sempre lembrar que qualquer falha ou deficiência em qualquer segmento dessa pirâmide vai influenciar diretamente no resultado final. Não existem protocolos milagrosos. Ela é uma excelente ferramenta para se aumentar a taxa de serviço, podendo ter como consequência um aumento das taxas de prenhes, caso tudo esteja em condições normais e favoráveis, entre outras vantagens.

Quanto à genética que utilizaremos na ponta desse processo - que é a escolha do touro a ser utilizado - precisamos estar atentos para não sermos meros comerciantes de prenheses, esquecendo muitas vezes de critérios de seleção e melhoramento. Muitos desses produtos oriundos desse processo entrarão na reposição e multiplicação dos plantéis, portanto não deve ser balizado exclusivamente pelo preço mais baixo, conforme observamos inúmeras vezes.

A nível de curiosidade: de acordo com dados do IBGE 2014 e ASBIA 2015, o uso da inseminação artificial (IA) em rebanhos de corte no Brasil é atualmente estimado em 9,5%. No ranking Mato Grosso do Sul (15,8%) desponta como o estado com mais processos de IA, seguido por Santa Catarina (14,2%) e Rio Grande do Sul, com 13,9%. Além destes, apenas mais quatro estados brasileiros superam a média nacional – Paraná (13,3%), Goiás (11,3%), Mato Grosso (10,6%) e São Paulo (10,5%). Esses números nos mostram o longo caminho e o mapa de desafios e oportunidades a serem alçados no segmento da IA a nível nacional.

Artigo escrito por: Giovani Fagundes - Responsável Pela Região RS e Oeste de SC


• Giovani Fagundes iniciou no agronegócio em 1978, como supervisor de registros na Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul e em 1988, entrou para a equipe Semex. Ao longo de sua carreira, Giovani participou de inúmeros treinamentos sobre avaliação linear e cursos na International Livestock Management School, no Canadá. Hoje, Fagundes trabalha dentro da equipe com gerenciamento de pessoas e atendimento aos clientes de grandes contas, auxiliando equipe em tudo que for necessário para o sucesso do negócio.

 

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